— Quando fico nervosa fico com caroços na pele, viu? Ele balança a cabeça e eu me coço.
— Não. Diz ele, segurando a minha mão. — Se fizer isso, vai piorar.
A sua mão toca a minha pele e eu sinto um arrepio. Oh, Deus! O movimento que ele faz, faz com que o seu cheiro voe.
Como cheira bem e como é gostoso sentir aquele arzinho! Dois segundos depois, percebo que estou fazendo papel de boba deixando escapar um pequeno gemido.
O que estou fazendo?
Cubro o pescoço e tento desviar o assunto.
— Tenho duas horas para comer e, como ainda estamos aqui, hoje não vou comer!
— Suponho que o seu superior entenderá a situação e permitirá que chegue um pouco mais tarde.
Isso me faz sorrir. Ele não conhece a minha chefe.
Acho que você está supondo muito. — Cheio de curiosidade. Eu digo a ele. — Pelo seu sotaque você é...
— Alemão.
Isso não me surpreende. A minha empresa é alemã e tem deles por aqui, todos os dias. Mas, incapaz de evitar, olho para ele com um sorriso malicioso.
— Boa sorte na Eurocopa!
Então ele, com um gesto sério, encolhe os ombros.
— Não estou interessado em futebol.
— Não?!
— Não.
Surpresa que um cara, um alemão, não goste de futebol, eu fico orgulhoso ao pensar em nossa equipe e sussurro para mim mesmo:
Bom você não sabe o que está perdendo.
Implacável, ele parece ler a minha mente e se aproxima da minha orelha novamente, me dando arrepios.
— De qualquer forma, ganhando ou perdendo, aceitaremos o resultado. Ele sussurra.
Com isso dito, ele dá um passo para trás e retorna ao seu lugar.
— O meu comentário te incomodou?
Eu o imito e me viro para não ter que vê-lo. Eu olho para o relógio. — Quinze para as três. Mer*da! Já perdi quase uma hora do meu horário de almoço e já não tenho tempo para ir ao Vips. Eu estava com vontade que tinha de comer um Vips Club... Enfim! Vou parar no bar da Almudena e comer um sanduíche. Não tenho tempo para mais.
De repente, as luzes se acendem, o elevador retoma a marcha e todos lá dentro aplaudem.
Eu sou a primeira!
Por curiosidade, olho para o estranho que estava preocupado comigo e vejo que ele ainda está me observando.
Minha nossa! Com luz fica mais alto e mais sexy!
Quando o elevador chega ao andar térreo e as portas se abrem, Manuela e as mulheres da contabilidade saem como cavalos em fuga entre gritos e histerias. Como estou feliz por não ser assim. A verdade é que sou meio-menino. O meu pai me criou assim. No entanto, quando saio, fico assustada, quando vejo a minha chefe.
— Eric, pelo amor de Deus! Eu a ouço dizer. — Quando desci para te encontrar e ir comer e recebi o seu w******p me dizendo que você estava preso no elevador, pensei que estava morrendo! Que angústia! Está bem?
— Perfeitamente. Responde a voz do homem que falou comigo apenas alguns momentos antes.
De repente, a minha cabeça retrocede.
Eric. Refeição. Chefe.
Pera ai!
É Eric Zimmerman, o chefão, aquele a quem eu disse que sou como a garota de O Exorcista e coloquei chiclete de morango na boca dele? Fico vermelha e me recuso a olhar para o rosto dele.
Deus! Como eu sou rida*cula!
Quero sair de lá o mais rápido possível, mas, então sinto alguém agarrar o meu cotovelo.
— Obrigado pelo chiclete.senhorita…?
— Judith. A minha chefe responde. — Ela é minha secretária.
Aquele agora identificado como Sr. Eric Zimmerman acena com a cabeça e, sem se importar com a cara da minha chefe, porque ele não olha para ela, mas para mim ele diz:
— Então é a senhorita Judith Flores, certo?
— Sim. Eu respondo como se eu fosse bur*ra. Como um idio*ta total!
A minha chefe se cansa de não se sentir o protagonista do momento e o agarra possessivamente pelo braço, puxando-o.
— Que tal irmos comer, Eric? É muito tarde!
Como se tivesse sido plantada no saguão da empresa, levanto a cabeça e sorrio. Momentos depois, aquele homem impressionante de olhos claros se afasta, embora, antes de sair pela porta, ele se volte e olhe para mim.
Quando finalmente desaparece, suspiro e penso: por que não fiquei quieta no elevador?
....
Na manhã seguinte, quando chego ao escritório, a primeira pessoa que encontro quando entro no refeitório é o Sr. Zimmerman.
Eu o sinto erguer os olhos e olhar para mim, mas eu me escondo. Não estou com vontade de dizer "olá".
Agora eu sei quem ele é e sempre pensei que quanto mais longe os chefes estiverem, melhor.
Miguel parece que não pensa o mesmo que eu. Mas a verdade é que esse homem me deixa nervosa. Da minha posição e escondida atrás do jornal, sinto que ele está me observando, que está me estudando. Levanto os olhos e bam! Tenho razão. Eu rapidamente tomo o meu café e saio. Eu tenho que trabalhar.
Durante o dia eu o encontro novamente em vários lugares. Mas quando ele tomar posse do antigo escritório do pai, que fica em frente ao meu, eu quero morrer! Em nenhum momento ele se dirige a mim, mas posso sentir o seu olhar por onde eu passo.
Tento me esconder atrás da tela do computador, mas é impossível. Ele sempre encontra uma maneira de encontrar o seu olhar com o meu.
Quando saio do escritório, vou direto para a academia. Uma aula de spinning e algum tempo no jacuzzi depois de terminada tiram todo o stress acumulado e chego em casa como um anjo, pronta para dormir.
Nos dias seguintes, mais do mesmo. O Sr. Zimmerman, aquele chefe bonito com quem comecei a sonhar e com quem todo o escritório adora e lambe o traseiro, aparece em todos os lugares que vou e isso me deixa nervosa.
Ele é sério, limítrofe e quase não sorri. Mas percebo que ele me procura com os olhos e isso me intriga.
Os dias passam e, finalmente, uma manhã cruzo com ele, e acabo sorrindo.
Mas o que estou fazendo? Nesse dia ele não fechou mais a porta do seu escritório e o seu ângulo de visão é ainda melhor.
Ele me tem totalmente controlada.
Que fardo para Deus!