8-NÃO ACREDITO EM BONDADE

1206 Palavras
ASTRID Reclamar da vida é para quem tem tudo, ou alguém para se apoiar. Porque quem não tem nada, nem pode reclamar, pois precisa batalhar. Sou mãe solteira, e sim porque quis, porque não viveria se tivesse matado o meu bebe. Agradeço a Deus todos os dias a vida do meu filho, ele-me da a força que preciso para lembrar quem eu sou. Pietro já tem dez anos, e apesar de trocar tanto de escola, consegui acompanhar bem os estudos, não me dá trabalho nem um, um anjo na minha vida, nasceu com os olhos do meu pai, na verdade, lembra-me muito ele, cabelos loiros como os meus. Hoje então foi diferente, e logo hoje. Estou há três meses sem um trabalho fixo, e as contas começaram a apertar. Uma vizinha disse de uma vaga, fiz a minha ficha, seria entregue tudo no local. Não gosto de trabalhar como secretária, pois precisa ficar muito tempo sozinha com um homem, isso me dá medo, mas preciso cuidar de meu filhos, preciso enfrentar os meus medos. Estou dentro do ónibus e um barulho de tiro, era o que faltava. Um louco armado fechou o ónibus com o carro, e começou a dar tiros para cima. Precisava chegar na tal empresa, mas não fiquei com os outros passageiros, e a pobre mulher, do louco lá fora, presos até a polícia chegar e colocar ordem. Lá foi embora a minha oportunidade, não iria chegar a tempo, ficamos duas horas nisso. Quando pudemos descer do ónibus, vi que já iria dar nove horas, para quem quer um trabalho, chegar atrasada para a entrevista não era ponto positivo. Mas, pensei em tentar assim mesmo, porém, parece que o destino não queria que eu chegasse lá. O meu velho celular tocou era da escola de Pietro, o meu coração mãe apertou, e atendi no segundo toque. -Ai, mãe de Pietro. — Bom dia dona Astrid, precisamos qu compareça à escola o quanto antes. — Tudo bem, já chego aí. Nem quis saber de ónibus, fui a caminhar, quase correndo. Em trinta minutos cheguei na escola, fui informada que falaria com o diretor, como assim, o que será que aconteceu com o meu filho, deve ser muito sério. Esperei por cinco minutos e fui chamada, a secretária ria para mim o tempo todo e ficou na sala. -Bom dia dona Astrid! -Bom dia diretor. Por que fui chamada? — Fique tranquila. Está aqui para ouvir boas notícias. O seu filho é um exemplo de estudantes; por isso, está a ter essa oportunidade. O diretor falou-me de uma avaliação que Pietro havia ganhado, e como foi excelente ganhou uma bolsa integral para uma escola particular. Tudo aquilo era bom de mais para ser verdade. Mas, não tinha nada nas entrelinhas, apenas uma oportunidade para o meu filho, não poderia dizer não, então no automático fui a assinar tudo que precisava. Deixaram-me numa sala esperando Pietro, que começaria nessa nova escola, que ficava do outro lado da cidade, já na segunda-feira. Lembrei do que aconteceu no dia dos pais, Pietro nunca quis participar de atividades do dia dos pais, porém dessa vez ele uis. No dia eu havia conseguido um trabalho para fazer um trabalho académico, mas tinha que ser no horário noturna na biblioteca da faculdade, deixei Pietro com a zeladora da escola. Quando voltei encontrar o meu filho com um embrulho enorme, ele disse que havia ganhado por ter sido a melhor apresentação, eu questionei dizendo que na escola, não tinha dinheiro para dar um presente tão grande para um único aluno. Ele disse que era um tipo de padrinho da escola, e que nem sabe quem é esse homem, apenas que é o mesmo que mantei a sala de tecnologia. Porém, agora uma bolsa de estudo, integral, será que é o mesmo homem. Não confio e nem acredito em ninguém. Recebi o meu filho com um sorriso, estava orgulhosa dele. Então notei que carregava um violão. — Parabéns filho, fiquei a saber da sua bolsa de estudo, por que não me contou? — Não queria que ficasse triste se não conseguisse. — Imagina, iria torce por você ainda mais. SEguimos para casa. Quando chegamos descobrir que a energia havia sido cortada. Na geladeira havia apenas os doces que Pietro havia ganhado, ele comia um por dia, ali naquele presente veio, jogos, doces, que nunca poderia dar ao meu filho na situação atual em que me encontro. Naquela noite dormi ouvindo ele tocar, lembrei do meu querido pai. Acordei com os primeiros raios de sol, precisava fazer alguma coisa, o aluguel estava um mês atrasado, sabia que a qualquer momento seria cobrado. Morávamos num tipo de cortiço, casas amontoadas, bem, a nossa era mais um cómodo com banheiro, onde tínhamos uma cama de solteiro, para nós dois, uma geladeira, um fogão, uma pia, um guarda-roupa onde ficava tanto as roupas como os alimentos quando tínhamos. Não sbaia ainda se iria mandar Pietro na segunda-feira para essa escola. Como iria conseguir dinheiro para levar todos os dias, mas também tinha a possibilidade de conseguir um trabalho lá perto, nem que fosse de faxineira. Ele ficará o dia todo na escola, vai ter três refeições lá, talvez essa mudança era o que precisávamos. Vou trabalhar de faxineira, não tenho orgulho, sei que tenho duas faculdades, falo quatro idiomas, cursos, mas o que vale e sustentar o meu filho. EScuto baterem na porta, sei que é o dono do lugar, tenho nojo desse homem. — Bom dia senhor Jorge! — Bom dia Astrid! — Ele falou entrando sem permissão. Vejo Pietro já em pé, então faço sinal para ir brincar lá fora, ele sai, ainda bem. — Tem o dinheiro do aluguel? — Não, mas na próxima semana, sem falta, até porque ele venceu ontem. — Eu sei que está desempregada, não vai ter de onde tirar, mas tenho uma solução para você.-Ele fala olhando tudo em volta. — Eu tenho uma casa, maior que isso aqui, tem até quintal, já está com móveis, se você quiser pode ir para aquela casa, basta ser uma boa garota todas as vezes que eu quiser. Ele falou isso, se aproximando de mim, me dando medo, e colocou a mão no meu rosto, por extinto de proteção, bati na mão dele e andei para trás. Queria vomitar, queria fugir. — Você acha que vai encontrar coisa melhor sua v@dia, tendo um moleque do lado, não vai. Ele avançou mais uma vez, e dessa vez veio com as mãos nos meus s***, fugi dele que segurou a minha blusa, rasgando ele, os olhos dele caíram sobre o meu corpo, entrei em pânico, e joguei nele o que primeiro achei, que foi uma panela. — A sua c@dela, você quer assim. Tudo bem. -Rapazes! Ele gritou para alguém do lado de fora. — Peguem o fogão, a geladeira, e a pia com tudo que tiver dentro. -Não, vocês não podem. — Posso e vou, essas coisas ficam pelo dinheiro desse mês, mas segunda-feira quero você fora daqui, se ficar é porque vai querer chupar o meu p** em forma de pagamento. Ele aqueles homens saíram rindo, e eu fiquei agachada no chão, abraçada nas minhas pernas, chorando, nem sei por quanto tempo.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR