O silêncio dentro do escritório do meu pai parecia vivo. Pesado. Doentio. Como se as paredes soubessem que alguma coisa irreversível estava prestes a acontecer. Assim que atravessei a porta dupla de madeira escura, senti o clima sufocante esmagar meus pulmões. Os homens espalhados pelo escritório ficaram em silêncio absoluto quando me viram entrar. Ninguém ousava dizer uma palavra. Alguns desviaram os olhos. Outros me encaravam como se eu fosse uma bomba prestes a explodir. Talvez eu fosse mesmo. Fechei a porta atrás de mim devagar. O som seco da madeira ecoou como um tiro. Meu pai estava atrás da mesa. Marcus Vasconcelos sempre foi um homem impossível de intimidar. O tipo de homem que pisaria num campo de cadáveres sem alterar a própria respiração. Frio. Calculista. Implacável.

