Victor havia me prometido que se despediria de mim, mas eu morri de medo dele sair na pressa e se esquecer. Mas para minha alegria ele se lembrou. Ele me mandou uma mensagem no face dizendo ´´Tô indo´´ . A vontade de chorar só aumentou ao ler aquilo. Pedi pra ele esperar só 5 minutos, ´´tempo de retocar a maquiagem´´. Eu desci até a casa de sua mãe, onde ele estava, chamei por seu nome, e ele saiu do portão em direção ao nosso corredor.
- Você precisa mesmo ir ? – Eu perguntei.
Ainda tinha esperanças de que ele fosse ficar, mas como querer não é poder, eu fiquei só na vontade mesmo.
- Sim. – Ele me respondeu.
Não conseguia compreender o porquê dessa escolha dele, se ele queria se mudar, não podia ser pra outro lugar no bairro, ou até mesmo na cidade? Talvez até no estado, podia ser em uma cidade vizinha, que eu não me importaria tanto. Mas precisava ser em outro estado?
Ele por sua vez, me beijou,s enti como se fosse um beijo de despedida, e eu o beijei com vontade de dizer ´´não vá embora por favor, ou me leve com você´´ . Ficamos ali juntos, nos beijamos até a sua mãe o chamar. Assim que ela gritou por seu nome, ele foi lá pegar suas malas, eu o esperei, e ele foi até a porta, onde um carro o aguardava. Esperei por ele no corredor, pra saber se ele voltaria pra me dar tchau. Ele colocou suas coisas no porta-malas, e voltou.
- Tchau. – Ele me disse.
- Tchau. – Eu respondi
Ele me beijou novamente, porém dessa vez mais rápido do que as outras vezes, pois estava com um pouco de pressa.
Então ele se foi, não pude fazer nada a não ser ver ele partir, com vontade de sair correndo atrás daquele carro gritando ´´não vá´´ . Sabe como é ver a pessoa que você ama ir para longe de você, e não poder fazer absolutamente nada? É doloroso, muito doloroso. Até hoje ao lembrar que já moramos no mesmo apartamento, e agora as coisas mudaram, eu ainda sinto vontade de chorar, me controlo para não ver lágrimas rolarem do meu rosto. Eu vi o cara por quem eu sempre fui apaixonada ir morar em outro estado, e eu não pude fazer nada, simplesmente não fiz nada...
Assim que eu vi ele partir para algum lugar bem distante dalí, eu resolvi segurar o choro, encarar aquilo fortemente,e ir para a minha casa. Fui para o meu quarto, minha mãe não estava em casa, então eu me deitei em minha cama,e pensei ´´eu não vou chorar, eu não vou chorar, eu não vou chorar´´ , e foi tentando me convencer disso que eu acabei desabando em lágrimas. Chorei litros, até não poder mais.
O tempo se passou... Continuei amiga de sua mãe, ia à casa dela, conversávamos, e eu sempre perguntava pelo Victor, como ele estava, quando ele viria pra cá....
Depois de um certo tempo sua mãe disse que ele viria para nos visitar, e me disse até o dia. Esperei, e esperei, e ele chegou. Haviam se passado três meses desde que ele havia ido embora. Continuava o mesmo gato de sempre, com aquele senso de humor único.
Fui até a sua casa, era quase meio dia, conversei um pouco com ele, e ele estava super querido comigo, eu morrendo de medo das coisas terem mudado, mas não mudaram. Falei que minha avó também queria vê- lo, e no momento que eu subi para a minha casa, ele foi comigo, e enquanto subíamos as escadas, ele disse:
- Você está muito linda.
- Obrigada. E você continua o mesmo bobo de sempre. – Eu disse.
Olhei para ele, e ele sorriu me piscando o olho, e ao ver novamente aquele sorriso encantador bateu uma louca vontade de beijá- lo, mas deixei ele tomar a iniciativa para ver se ele ainda queria. Fomos na minha casa, ele ficou cerca de uma meia hora lá conversando com a minha vó, e quando ele falou em ir embora, eu lhe perguntei:
- Quer que eu te acompanhe até lá em baixo?
- Pode ser. – Ele respondeu um pouco encabulado.
Descemos até o nosso corredor, dei tchau a ele, então ele me beijou. Um beijo tão intenso e apaixonante que eu não sentia desde que ele foi embora. O melhor de todos os beijos que eu já ganhei.
Naquele mesmo dia a noite, eu, ele, sua mãe, e uma amiga de sua mãe, fomos em uma pizzaria, comemos bastante, conversamos bastante, e rimos bastante. Chegando no nosso apartamento, sua mãe e sua amiga foram para casa do Victor, eu e ele ficamos no corredor, ele me beijou me dando tchau, então eu fui para a minha casa.
No dia seguinte já era dia dele ir embora, estava apenas de visita, deu pra m***r um pouco a saudade, mas queria mais e mais, cada vez mais. Ele ia de carona com a amiga de sua mãe, a mesma da pizzaria. O carro chegou. Era hora dele ir embora. Já estava na hora da tão triste despedida. As duas foram guardar as coisas dele no porta malas, nisso, ele me deu tchau, me deu um selinho, e saiu. E mais uma vez eu fiquei vendo ele ir embora. Mais uma vez eu vi o amor da minha vida partir para longe de mim e sem mim. E novamente eu tive que me conformar com a solidão, pois desde que ele foi morar longe, eu não fiquei com mais ninguém.
Se passou duas semanas e eu recebi uma ligação que mudaria a minha vida para sempre. Era a sua mãe, me dando a pior de todas as noticias que eu já ganhei até hoje. Com a voz tremula, e chorando muito, ela me disse que o Victor havia sofrido um acidente de carro, ele estava no banco da carona, e bateu fortemente com a cabeça contra o vidro, havia perdido muito sangue, foi levado urgentemente para o hospital, e estava em coma.
Larguei o telefone sem creer no que eu acabara de ouvir, comecei a chorar, ouvi sua mãe perguntar se eu ainda estava ali, peguei o telefone novamente, e respondi que sim chorando. Ela me disse o hospital em que ele estava, e eu fui correndo para lá. Cheguei no hospital, e a sua mãe estava em prantos, me disse que ele estava muito m*l em coma. Me desesperei, comecei a chorar enlouquecidamente, rezando para que eu não o perdesse.
Se passou umas duas horas, e o médico chegou nos comunicando que infelizmente ele havia falecido. Não podia ser, como assim ele havia morrido? Ele não podia partir de novo sem me levar, e pra um lugar muito mais distante. Não conseguia acreditar naquilo. Sentei no chão, e chorei, chorei, chorei, e chorei mais um pouco. Como assim eu havia ficado viúva antes mesmo de me casar? Como o primeiro e único homem que eu já amei fazia uma coisa dessas?
Me pergunto até hoje porque Deus fez isso comigo. Nunca fui muito cristã, nunca dei bola pra essas coisas, mas comecei a perguntar pra Algo Maior o porquê disso tudo. O Victor era um rapaz novo, um garoto de um enorme coração, tinha a vida toda pela frente, ele não podia morrer assim, ele nem sequer se despediu de mim. Se eu soubesse que a última vez que vi ele seria a última vez que eu veria ele, com certeza eu teria aproveitado mais cada minuto, teria dito mais o quanto eu o amava. Não teria deixado ele ir na viagem que o matara, ou teria ido junto, talvez assim agora eu não estaria escrevendo isso, e estaria com ele em outro lugar. Mas infelizmente não foi assim que Deus quis.
Hoje faz um ano que ele partiu. Nunca mais amei ninguém, e creio que não amarei. Ainda sinto a suavidade de sua mão tocando na minha, ainda posso sentir o doce gosto dos seus lábios tocando nos meus, e ainda hoje eu posso sentir o seu corpo tocar no meu. Victor foi o primeiro rapaz que eu amei e com certeza também foi o ultimo.
E pode se passar dez, vinte, trinta anos, mas eu viverei eternamente apaixonada por ele.