Wine

3074 Palavras
Zayn ainda estava na sala de arquivos da Scotland Yard mesmo após a noite já ter caído. Ele estava debruçado sobre caixas empoeiradas e muitos, muitos papéis. Ele já tinha afrouxado a gravata e não usava mais o casaco do terno cinza. Tinha passado um bom tempo ali verificando casos antigos em busca de alguma pista que remetesse à essa onda de crimes do Limpador. Naquela tarde, Louis havia, depois de muita conversa, concordado que Harry pedisse informações ao seu velho amigo de adolescência. Zayn, Liam e Niall votaram a favor que Norman Collins ajudasse eles no caso e Louis, muito a contragosto nesse caso, acabou cedendo à democracia. Liam entrou na sala onde Zayn estava obviamente procurando por ele. quando o viu de longe, teve vontade de simplesmente pegá-lo e levá-lo pra casa. Todos os dias ele se perguntava como era possível ser cada dia mais apaixonado por aquele homem. — Ei. — Payne tocou os cabelos de Zayn que, concentrado, murmurou algo inaudível enquanto lia alguma coisa. — Por que está aqui ainda? Vamos, te levo pra jantar. — Liam tinha um tom manhoso quando falava perto do ouvido de Zayn, o abraçando por trás, tocando sua barriga e tudo que Malik fez foi suspirar e sorrir. Se deixou abraçar e deitou a cabeça no ombro de Liam. — Não há nada nesse mundo que eu queira mais do que isso. — Zayn respondeu com um sorriso preguiçoso, soltando os papéis que tinha em mãos e passando a segurar as mãos de Liam sobre sua barriga. — Mas eu acho que prefiro ir pra sua casa, tomar um banho e ficar com você. — O tom de voz de Zayn fazia Liam querer sair correndo dali com ele e nunca mais voltar. — Acho que podemos arranjar isso também. — Payne respondeu com mais malícia do que tinha planejado. — Quem sabe eu entre naquele chuveiro com você. — Ele concluiu fazendo Zayn gemer baixinho só de imaginar. Zayn virou-se de frente para Liam e o beijou com carinho, prolongando o beijo conforme Liam praticamente invadia sua boca deixando tudo muito obsceno — como era mesmo característica dele. Não que Payne não fosse romântico com Zayn, ele era, mas era sua maneira de demonstrar o quanto precisava daquele homem para respirar. Os dois trocavam beijos e carinhos a ponto de ficarem completamente distraídos e alheios ao que lhes acontecia ao redor. Liam já bagunçava os cabelos de Zayn, que estava longe de se importar com aquilo, enquanto Malik passeava as mãos pelas costas do outro, descendo pelo quadril do moreno mais alto que ele e, sem nenhum pudor, apertou a b***a dele fazendo-o gemer baixinho sem parar de beijá-lo. — Com licença. — Uma voz um tanto atônita e sem graça despertou os dois daquele amasso, fazendo com que se desgrudassem com uma velocidade e força fora do comum. Niall Horan pigarrou antes de continuar. — Me desculpem, eu não tive a intenção... — O loiro estava oficialmente sem graça, mas nada se comparava às feições chocadas de Zayn e Liam. Zayn respirou fundo e começou a calcular seus prós e contras. Pelo menos era apenas o Niall e não um dos seguranças, ou Louis ou o superior de Louis. Estariam desempregados provavelmente se alguém do alto escalão tivesse visto aquilo. Liam por sua vez, estava tão paralisado que nem sabia por onde começar. Ele limpou os cantos da boca e ajeitou o terno de volta sobre os ombros. — Nós é que pedimos desculpas. — Zayn disse tentando dar um tom casual àquela conversa. — Nos deixamos levar, foi inapropriado. — Ele concluiu olhando para Liam como se buscasse uma espécie de apoio, mas tudo que Liam fez foi morder o lábio inferior e baixar os olhos. — Não tenho problemas com isso, só pra deixar claro. — Horan estava corado e era totalmente visível mesmo com a luz de baixa qualidade da sala. — Está tudo bem, Niall, eu e Liam somos adultos. — Zayn dizia agora enquanto ajeitava a gravata e procurava o casaco do terno para vestir. — Já estávamos de saída, porém agradeceríamos se pudesse manter isso apenas entre nós. — Malik tinha agora um tom mais amigo e chegou mais perto de Niall antes de concluir. — Ainda não contamos a ninguém. — Claro, Zayn, não se preocupe. — Niall disse sério, compreensivo. — Isso não é da minha conta, não tenho motivos para comentar com quem quer que seja. — Ele dizia convicto e apenas viu Zayn abrir um sorriso aliviado. — Obrigado. — O moreno alto segurou em uma das mãos de Liam, que ainda parecia uma criança que foi pega no flagra aprontando. — Vem, vamos. — Ele sussurrou para o namorado que apenas segurou a mão dele por alguns segundos, mas logo soltou. Não sentia-se confortável, mesmo se Niall estivesse desconcertado demais para olhar. — Boa noite, Niall. — Boa noite, pessoal. — O loiro respondeu enquanto os dois saíram do local. Niall passou uma das mãos pelo rosto e pensou que aquilo realmente fazia mais sentido do que ele pensava. De fato a combinação Payne/Malik funcionava bem além dos prédios da Scotland Yard. .x.1D.x. Por volta das nove horas da noite do primeiro dia que Louis havia trazido Harry para sua casa, ele não apenas estava tentando evitar o máximo que conseguia a presença do outro em seu apartamento, mas além de Harry, também havia trazido trabalho pra casa. Ele usava óculos de leitura e estava em seu pequeno escritório numa sala específica do apartamento. Ele lia alguns arquivos e notícias antigas em seu iPad enquanto andava devagar pelo pequeno espaço. Ele estava tão compenetrado que ainda vestia a camisa e a calça social que tinha usado para trabalhar. A gravata estava jogada sobre a pequena poltrona bordô e os sapatos também já não faziam parte de seu figurino. As meias pretas eram tiradas por ele agora que rendeu-se ao cansaço e sentou-de na cadeira que tinha na pequena escrivaninha. — Louis? — Harry Styles já era suficientemente perturbador em sua presença pura, mas a visão que Louis tinha agora, daquele homem encostado na soleira da porta de seu escritório usando apenas uma toalha branca ao redor da cintura, era quase uma afronta física. Harry não era um sujeito com músculos gigantes, mas tinha o abdômen bem marcado e a toalha estava tão abaixo do umbigo, que Tomlinson sentiu um calafrio correr pela espinha ao perceber alguns pêlos e duas cavas ao redor do quadril. Ele não conseguiu responder, não conseguiu dizer uma palavra sequer. Ele não tinha previsto algo como aquilo acontecendo. Harry tinha cortado os cabelos, mas ainda continuavam cheios e cacheados. E agora, para o total descontrole de Louis, estavam molhados, pingando na pele pálida do outro, correndo pelas costas e peito e caindo, gentilmente sobre o tapete do cômodo. — Louis. — Harry repetiu já que o outro parecia petrificado em sua expressão a ponto de não piscar. — O que foi, Styles? — Ele disse após seu cérebro lembrar de enviar os comandos corretos e ele voltar a respirar. Ele desviou os olhos antes que tivesse algum tipo de colapso sem nem conseguir disfarçar. — Queria agradecer por me receber aqui. — Harry cruzou os braços sobre o peito e apenas observou Louis tirar os óculos e passar uma das mãos pelo rosto e, só então, colocar os óculos novamente. Louis murmurou um "ok" com os olhos voltados para seu iPad, que tinha acabado de anunciar que precisava ser recarregado. Tudo que Louis não queria era Harry Styles se aproximando dele, mas foi exatamente o que aconteceu. O moreno alto andou devagar até perto da escrivaninha onde Louis estava e posicionou-se ao lado dele. Tomlinson sentiu seu coração acelerar, estava profundamente incomodado com o calor que vinha de Harry — que provavelmente tinha tomado um banho extremamente quente e demorado — juntamente com o cheiro de sabonete, shampoo e desodorante que Louis reconheceu como sendo dele. — Queria saber se tudo bem se eu fizesse um jantar pra gente. — Harry continuou e Louis levantou-se da cadeira apenas para ficar mais longe do outro. Mas Styles era um homem que tinha pouca noção de espaço pessoal e sempre acabava se aproximando de forma quase que inconveniente. Louis quase não ouviu a pergunta por estar mais preocupado em correr dali do que em comer alguma coisa. — Não precisa, posso pedir alguma pelo telefone se está com fome. — Louis respondeu sem olhar Harry, apenas abrindo e fechando gavetas em busca do carregador para seu dispositivo, mas sem sucesso. — Estou com fome, e acho que você também está, mas quero fazer jantar em forma de agradecimento mesmo. — Styles tentou um sorriso despretensioso, mas Louis não estava olhando. Batia as mesmas gavetas como se não se concentrasse em sua busca, apenas queria manter sua atenção ocupada. — Louis. — Harry insistiu diante do silêncio do outro. — Sim. — Tomlinson rendeu-se por um segundo apenas espalmando as mãos na mesa, como se desistisse de tentar fugir daquilo, porque Harry Styles não sairia dali sem uma resposta. — Faça se quiser, mas não se preocupe comigo, eu provavelmente não vou comer nada. — Por que? — Harry perguntou franzindo o cenho curioso. — Porque não tenho fome. — A resposta foi seca e Louis virou-se de costas para o outro, olhava cuidadosamente uma estante pequena que tinha no cômodo, ainda procurando o carregador. Harry tinha uma expressão ligeiramente decepcionada, mas não era como se Louis prestasse atenção naquilo. Ele olhou os pés descalços de Tomlinson e observou ao redor daquela sala, que parecia claramente ser o lugar da casa em que Louis mais ficava. Harry não parecia ter pressa alguma em sair dali, andou devagar até a poltrona, tocou a gravata amassada de Louis e sorriu ao sentir o toque daquele tecido que provavelmente custava muito dinheiro. Por um momento se perguntou se os sapatos colocados ao lado do móvel também pertenciam a alguma marca famosa, mesmo sabendo que a resposta provavelmente seria sim. Aos poucos, Styles deixou o cômodo resignado. Sabia que a situação era estranha e que talvez estivesse forçando algum tipo de aproximação com Louis, mas não conseguia explicar como se sentia quando aquele agente estava por perto, presente. Ele não fora visitá-lo na prisão nenhum dia e, por mais que Harry realmente esperasse que ele fosse, chegou ao ponto de que realmente cedeu ao fato de que Louis não estava mais tão interessado, uma vez que o mistério acerca de Styles estava resolvido. Louis respirou fundo finalmente sentindo o ar preencher completamente seu pulmões. Jogou-se de volta na cadeira e agora sentia os pés frios e uma onda de insegurança percorrer seu sangue, deixando-o ansioso, impulsivo e, ao mesmo tempo, resignado segurando aquele tablet descarregado e inútil àquela altura para resolver seus problemas. Não adiantava fugir daquilo, pior estava ficando. Ele deixou seu escritório e andou pelo corredor e, antes de entrar completamente na cozinha, apenas observou de longe que Styles mantinha-se sem camisa, mas vestia calças confortáveis pretas e parecia ter um pouco de trabalho para abrir uma garrafa de vinho. Louis olhou na bancada alguns legumes e verduras separados, macarrão e queijo. Tomlinson, de longe, não segurou o sorriso de canto ao observar alguém que claramente não estava nem um pouco acostumado a lidar na cozinha, mas igualmente compensava no esforço. Ele mordeu os lábios ao ver a cena de um Harry Styles praticamente brigando com a garrafa de vinho e um abridor, ele não estava mesmo acostumado com aquilo. Mesmo sem querer, Louis passou a andar em direção a cozinha, bem devagar. Atravessou a sala e, sem tirar os olhos de Harry, não conseguiu conter o riso ao se deparar com um Harry Styles que colocou a garrafa no chão, apoiou entre os pés e encaixou o abridor novamente, puxando o pra cima com força, mas sem conseguir tirar a rolha do lugar. — Ok, pare com isso. — Louis dizia rindo e Harry finalmente percebeu a presença do outro. — Desculpe, está muito difícil de abrir. — Styles disse um pouco sem graça, mas tentando disfarçar a falta de classe, de pose e de elegância ao tratar uma garrafa de vinho. — Você não me parece mesmo ser acostumado com o mínimo de finesse. — Louis disse rindo mas não conseguindo controlar o leve tom arrogante. Harry apenas abriu o sorriso largo achando-o ainda mais charmoso. Ele tomou a garrafa das mãos do hacker e colocou sobre a bancada da pia. Harry não disse nada, apenas ficou ao lado do agente. Seus olhos verdes estavam prestando atenção em todos os movimentos do outro que, já acostumado com aquilo, abriu a garrafa de vinho com uma graciosidade e facilidade que Harry jamais teria. Assim que a rolha fez o clássico barulho de estouro breve, Harry apanhou duas taças que tinha pego do armário e entregou a Louis. — Não. — Louis sorriu tranquilo antes de colocar as taças de volta no lugar. — Isso são taças de champanhe. — Louis abriu o móvel novamente com alguns exemplares de taças diferentes e Harry achou realmente desnecessário. Beberia vinho numa caneca se fosse o caso. — Isso são taças de vinho. — Louis segurou as taças de cristal não tendo certeza se a ocasião realmente pedia tanta pompa. Harry notou que as taças eram maiores e deveriam ter custado caro. Talvez Louis o mataria lentamente se ele quebrasse aquelas porcarias. — Certo. — Ele disse um pouco desinteressado apenas observando Louis servir a bebida aos dois como se realmente aquilo tudo fosse um ritual pra ele. E provavelmente era, Louis era um grande apreciador de vinhos, sua coleção era significativamente grande. Mas não era o tipo de cara que deixava tudo guardado. Ele de fato se dava ao prazer de beber volta e meia uma garrafa, mesmo que não houvesse nenhum tipo de ocasião especial. — O que está cozinhando? — Tomlinson não queria se mostrar muito interessado, mas era inevitável. Culinária italiana era uma de suas preferidas. — Bem... — Harry agora parecia incerto. Ele coçou a cabeça nervoso olhando para a pequena bagunça sobre a bancada e, em seguida, olhando Louis, que segurava seu vinho olhando pra ele e com a outra mão no bolso da calça. O agente estava encostado na pia encarando Harry como se esperasse de fato por uma resposta, mas o hacker perdeu-se naqueles olhos por um momento. E Louis percebeu. Percebeu tanto que não interrompeu. Lentamente levou a taça até seus lábios e tomou um gole do vinho sem tirar os olhos de Harry, ainda esperando ele arquitetar sua resposta. O agente sentiu o sabor da bebida em sua boca por alguns segundos antes de engolir e passar a língua pelos lábios de uma maneira tão obscena que Styles pensou que teria uma síncope só de olhar pra aquilo. Louis mordeu o lábio e fez algum comentário pomposo sobre a bebida, falando sobre coisas que Harry não entendia, mas também não estava fazendo questão de prestar muita atenção. — Como descobriu meu padrão? — Harry perguntou num impulso, como se tivesse esperado tempo demais para questionar aquilo. — Esperou até Nova Déli ou tinha percebido antes? — Ele aproximou-se de Tomlinson ficando há poucos centímetros dele. — Não. — Louis respondeu deixando sua taça de lado por um momento. O vinho lhe deu uma sensação confortável, os pés descalços tocando o chão frio não o incomodavam mais. Olhou para Harry como se quisesse repreendê-lo por estar sempre fazendo comentários e perguntas inoportunas, mas conhecia aquele homem o suficiente pra saber que ele não tinha muita noção do impacto que tinha. — Percebi em Sarajevo. — O agente foi tão sincero que Harry quase queria registrar aquele momento desarmado de Louis. — E por que não foi atrás de mim? — Harry deu mais um passo na direção do outro. — Sabia que a próxima capital seria... — Tóquio. — Louis complementou a frase deixando o outro se aproximar. — Foi a única capital que começava com a letra "T" que mostrava atividade dentro dos nossos bancos. — Louis pegou a segunda taça de vinho que pertencia a Harry, o moreno ainda não havia bebido. — Sabe que fiz de propósito para que você notasse. — Harry agora bebeu o vinho oferecido por Louis e estava mais perto do agente do que Tomlinson geralmente permitiria, mas ele não se afastou. Apenas sorriu olhando para os próprios pés descalços, que agora eram sutilmente acariciados pelos pés de Harry, também descalços. — Eu sei. — A resposta de Tomlinson veio num sussurro, pegando sua taça de cima do balcão novamente e, dessa vez, o gole foi mais longo e mais carregado de álcool. — Achou mesmo que iria escolher capitais cujas primeiras letras formam o meu nome e eu não veria? — Ele concluiu olhando Styles nos olhos provocando, e percebeu Harry chegando tão perto de seu rosto, que poderia beijá-lo ali mesmo. Mas o que Louis Tomlinson fez foi virar o rosto, se afastar até o outro lado da bancada onde os ingredientes ficavam, tomou o restante de sua bebida num gole só e largou a taça sem muito cuidado ao lado de facas de cozinha. Ouviu Harry Styles respirar de um jeito tão pesado que teve certeza que o tinha enlouquecido por breves segundos. — Vou tomar um banho. — A voz do agente ecoou pela cozinha quando ele andava em direção ao banheiro, dando as costas a um Harry Styles tão e******o que não sabia como sobreviveria a uma semana de Louis Tomlinson presente, literalmente, vinte e quatro horas por dia. Harry não o impediu e não o seguiu. Apenas olhou para sua tentativa de impressionar dando mais certo do que ele pensava. Olhou de longe para o corredor e viu as costas bonitas de Louis tirando a camisa tão devagar que era quase uma tortura assistir. Styles segurou seu próprio m****o percebendo que estava ficando duro e sorriu para si mesmo, murmurando algo "maldito, Tomlinson". x.x.x.x Se ficou alguma dúvida e alguém não entendeu sobre o tal "padrão" de cidades do proxy de Harry, as primeiras letras das cidades formam o nome do Louis. 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