Panama-hat

3104 Palavras
Louis, inquieto, girava em meia-lua na cadeira de seus escritório, olhando pelo vidro da janela um Niall Horan trabalhando normalmente, com a expressão calma, diria que era possível perceber que inclusive ele estava até feliz naquela tarde. Depois da breve discussão com Harry, o hacker havia dito que voltaria pra casa e, conforme a tornozeleira de monitoramento que Louis havia decidido colocar em Styles, a tela de seu computador mostrava através do rastreamento que era exatamente onde Harry estava: no apartamento de Louis, na região central de Londres. Duas batidas na porta e uma voz conhecida pedindo licença para entrar. Liam Payne já não vestia o terno mais, apenas a camisa e a gravata, deixando à mostra a arma na cintura presa ao coldre. Louis fez sinal para que ele entrasse e ele assim o fez, fechando a porta atrás de si. — Tomlinson, talvez eu odeie dizer isso, mas acho que Styles está certo. — Liam disse com cuidado, estudando a expressão do chefe, que permanecia revezando o olhar entre o agente à sua frente e Niall, ainda sentado despreocupadamente em sua mesa. — Descobriram alguma coisa? — Louis perguntou apoiando os cotovelos na mesa quando Liam mostrava a ele alguns papéis e a ficha de Niall dentro da Scotland Yard. — Zayn descobriu sobre o tal rastreamento do e-mail encriptado. — Liam continuou apontado para os horários das informações dadas pela Segurança Nacional. — O e-mail foi desencriptado em cerca de meia hora. — Louis agora tinha os olhos fixos nos papéis. — Uma desencriptação dessas poderia levar semanas. — Louis disse ao olhar com mais cuidado para todos os números e senhas. Ele era expert no assunto quando se tratava de cobrir informações com senhas e logarítmos. — Como conseguiram em meia hora? — Ele perguntou agora olhando nos olhos de Liam. — Zayn se fez a mesma pergunta. — Payne explicou. — Vimos que essa informação veio da Segurança Nacional, porém quando Zayn ligou para perguntar quem tinha desencriptado esse e-mail tão rápido pra eles, adivinhe o que disseram... — Niall. — Louis complementou o raciocínio de Liam. — Foi Horan quem fez o serviço pra eles. — Liam dizia enquanto colocava os papéis dentro de um arquivo cuja capa dizia "Confidencial". Louis recostou-se na cadeira suspirando cansado, até mesmo decepcionado. Ele não era o tipo de cara que perdia a compostura facilmente, e praticamente ansiedade não corria com facilidade em suas veias. Ele voltou a encarar Niall pelo vidro e realmente teve que reconhecer que não sabia nada a respeito daquele homem, que de fato parecia ser subestimado constantemente e, na verdade, era uma das pessoas mais inteligentes que Louis já havia conhecido. — Onde está Styles? — Liam perguntou levantando-se de onde estava, movimento esse acompanhado por Louis, que imediatamente ajeitou-se, fechando os botões do terno preto. — Em casa. — Ele respondeu já preparando-se para deixar sua sala. — Preciso falar com ele. — Tomlinson sentiu uma urgência em fazer aquilo naquele momento, que não conseguiu esconder que queria mesmo sair correndo dali. — Diga ao Zayn que, assim que eu voltar, vamos ter que sentar e conversar nós três. Continuem investigando, por favor. — Claro. — Liam respondeu quando Louis preparava-se para abrir a porta. — Ei, Louis... — Sim? — O agente respondeu distraído com a mão na maçaneta. — Eu queria falar com você sobre um assunto pessoal depois, pode ser? — Liam não conseguiu esconder que estava sem jeito de falar aquilo e Louis percebeu, mas preferiu não comentar. Liam tinha aquela clássica posição desconfortável, como se não soubesse o que fazer com os braços. — Sem problemas. — Louis disse tentando passar uma certa segurança. Ele e Liam não eram dois estranhos mas estavam longe de serem íntimos. Davam-se muito bem trabalhando e, apesar dele sentir que Liam tinha uma certa antipatia por ele, da qual ele não sabia o motivo, gostava dele e nunca tiveram problemas de nenhuma natureza. Não fazia ideia do que Payne poderia querer com ele, mas preocupou-se mesmo assim. — Está tudo bem? É algo urgente? — Não, não. — Liam respondeu rapidamente. — Temos esse caso como prioridade agora, e podemos falar depois. Acho mais prudente falarmos com Harry sobre isso agora e ouvir o que ele tem a dizer em seguida, depois podemos conversar. — Liam concluiu e viu Louis apenas assentir com a cabeça antes de deixar a própria sala. Ele queria contar sobre ele e Zayn, queria abrir o jogo sobre o relacionamento dos dois, pois se algo de r**m acontecesse por causa daquilo, ao menos teriam Louis para ajudá-los. Sabia do apreço e da amizade de Louis por Zayn e, apesar de constantemente sofrer com o ciúmes que m*l conseguia esconder, sabia que se tinha uma pessoa que realmente se importava com Malik, era Louis Tomlinson. Ele igualmente deixou a sala de Louis e voltava para a sala de arquivos onde estava com Zayn. Malik continuava a ler informações e fazer telefonemas perguntando sobre Niall, falando com pessoas que o conheciam, pois agora mais do que nunca, precisavam saber todos os detalhes da vida dele. Malik sentia-se traído todas as vezes em que de fato encontrava algo que incriminava Niall ainda mais. Gostava daquele loiro irlandês e, por meses, teceu admiração e respeito pelo seu trabalho, era duro ver tudo indo por água abaixo, tudo parecia mesmo ter sido uma grande mentira. Era inevitável pra ele pensar nas conversas, e até nas vezes em que estavam tratando de assuntos totalmente pessoais: pois era assim que Zayn via Niall: um amigo, não apenas um colega de trabalho. Assim que Liam entrou na sala, viu Zayn desligar o telefone e suspirar cansado. Ele passou por trás da cadeira onde o namorado estava sentado e pôs as mãos sobre seus ombros, abaixando-se devagar e lhe dando um beijo no rosto, como se soubesse exatamente no que ele estava pensando e no quão magoado estava. — Falou com Louis? — Zayn perguntou assim que o namorado se afastou e sentou ao lado dele. — Sim. — Foi a resposta curta de Liam, que passou as mãos pelo rosto em seguida. — A conversa inteira? — Zayn disse com um sorriso de canto ao perceber o cansaço e desconforto do namorado naquele momento. — Não, mas disse a ele que queria conversar depois. — Payne complementou e concluiu. — Nós dois queremos. Mas ele saiu praticamente correndo pra falar com Styles. — É, imagino. — Malik comentou afastando um pouco os papéis que estavam na mesa e virou-se de lado na cadeira, a fim de encarar melhor o namorado. — Tem certeza que quer contar a ele que estamos juntos? Sabe que por mim está tudo bem, Louis sempre foi meu melhor amigo, se tem alguém que pode nos proteger é ele, mas não quero forçar a barra caso não esteja preparado. — Zayn tinha om tom de voz mais compreensivo do mundo. Liam, que ouviu calado, estava na verdade pensando na sorte que tinha. — Estou bem. — Liam respondeu com um sorriso fraco, acariciando os cabelos negros do outro. — Eu acho que é a coisa certa, Niall nos viu e se ele realmente está por trás disso, ele sabe demais. — O que acha disso? Acha que é ele? — Zayn franziu o cenho para falar do assunto. — Porque pra mim está sendo um pouco difícil acreditar. — Entendo como deva ser pra você, mas... — Liam fez uma pausa olhando para os arquivos e para a foto de Niall em frente aos dois na mesa ligeiramente bagunçada. — Eu acho que é ele, Z... — Apesar de já estar acostumado a ouvir, Zayn ainda achava graça pelo apelido de "uma letra" que Liam tinha dado a ele. — Eu sei que as vezes sou impulsivo nos meus julgamentos e, nesse caso inclusive, nem gosto de ter que concordar com alguém como Styles, mas acho que ele está certo. Zayn não respondeu, por mais que ele buscasse maneiras de rebater os argumentos, a cada momento, eles descobriam algo novo. Era difícil pra ele associar seu amigo com aquilo tudo, mas aparentemente ele precisava mesmo abrir os olhos e começar a pensar de maneira profissional e deixar a parte da amizade de lado, não tinha exatamente certeza de que tudo aquilo tinha sido verdadeiro, pois a sensação que tinha naquele dia era a de que não conhecia Niall como pensava que conhecia. — Não fique assim. — Liam disse mesmo sabendo que era uma expressão um tanto vazia. Era mais fácil falar do que fazer. — Parte meu coração saber que está triste. — Ele abraçou o namorado pelo ombro e ambos trocaram um selinho rápido. — Está tudo bem, só não é um trabalho que eu gostaria de estar fazendo. — Malik tinha uma das mãos na coxa de Liam e apertou de leve ao sentir suas mãos pesadas sobre seus ombros. — Admito que ter você comigo torna as coisas menos dolorosas. Liam apenas sorriu ao ouvir aquilo, era o que realmente o fazia sentir bom o suficiente para estar com Zayn. Payne não era dono do melhor temperamento do mundo e tinha uma insegurança que não gostava de admitir, as brigas com Zayn eram quase sempre por coisas que ele não sabia lidar e costumava ter um medo constante que sua falta de experiência em relacionamentos estragasse o que eles tinham. Mas Malik demonstrava seu amor nas formas mais concretas sempre que via Liam perder a cabeça por uma bobagem qualquer. Um olhar, um toque, uma palavra e ele conseguia fazer aquele leão sossegar, sem muito esforço, porém eram tarefas que demandavam muita paciência. A forma como Liam o fazia sentir era tão única, intensa e completa, que nada o faria desistir daquilo. Toda vez que via aquele sorriso se formar no rosto dele e seu olhar se aquietava, seu mundo também ficava em paz. .x.1D.x. — Harry? — Louis abriu a porta do apartamento chamando pelo outro assim que não o viu na sala. — Styles! — Ele gritou mais alto, mas não ouviu nada em resposta. Ele andou pela sala sem tirar os sapatos, terno ou o que quer que fosse. Apenas pendurou o cachecol fino preto de qualquer jeito em cima do sofá. Seguiu chamando pelo nome do outro, mas não ouvia resposta. No canto da cozinha, viu louça na pia e uma camisa vermelha jogada de qualquer jeito sobre a bancada — reconheceu como sendo camisa de Harry, pois Louis jamais usaria uma camisa como aquela. Andou pelo corredor e ouviu a voz do outro vinda do quarto do próprio Louis — que não era o quarto que Harry deveria estar, e sim o de hóspede. Tomlinson franziu o cenho ao sentir seu espaço completamente invadido no momento em que viu a porta do quarto entreaberta e pode perceber seu closet também aberto e Harry parecendo experimentar uma de suas camisas brancas e usando um chapéu Panamá, da mesma cor, que Louis tinha ganhado de um amigo. Ele não percebeu a presença de Louis abrindo a porta e parecia estar usando fones de ouvindo, murmurava uma música qualquer do Coldplay usando o iPod de Louis. Por um momento Louis sentiu-se aliviado de saber que ele estava bem, pois ficou ligeiramente preocupado de entrar em casa e não o ver ou ouvir responder quando ele entrou. Tomlinson apenas suspirou baixinho assistindo Harry olhar-se no espelho vestindo as roupas dele e, ao que parecia, estava tentando imitar o agente de um jeito engraçado, enquanto tinha uma expressão séria e ajeitava o chapéu, tentando deixar a voz um pouco diferente, tentava soar como Louis de um jeito debochado. — "Tomlinson. Sou o agente Louis George Tomlinson." — Harry divertia-se na frente do espelho e quase tomou um susto quando percebeu alguém lhe tirando os fones de ouvido e rindo baixinho. — William — Louis respondeu afastando-se do outro a fim de pegar duas de suas camisas jogadas em cima da cama pensando que teriam que passar elas novamente, pois Harry as havia amassado completamente. — O que? — Harry Styles estava oficialmente sem graça. Surpreso até de Louis não ter surtado por ele estar no quarto dele e vestindo suas camisas. — Meu nome do meio é William. — O agente disse novamente colocando as camisas em cabides e de volta no closet. — Não George. — Desculpe, Louis, eu só estava... — Mas Harry não tinha uma boa resposta pra aquilo, a não ser o fato de que estava mesmo se divertindo bagunçando a casa. — A culpa é sua na verdade, me deixa sem computador, eu fico sem ideias do que fazer. — Ele praticamente se defendeu, parecendo uma criança. — Não entre no meu quarto. — Louis disse pacientemente apontando para a porta. — E não use minhas roupas. — Ele reforçou no mesmo tom paciente e Harry tirou a camisa branca que vestia com um leve bico adorável nos lábios, o qual Louis sabia que não deveria encarar por mais que dois segundos ou acabaria beijando-o. Styles passou por ele vestindo apenas o seu velho jeans surrado e o chapéu Panamá. — Styles. — Louis disse antes que o outro passasse pela porta. — O que foi agora? — Harry perguntou deitando a cabeça de lado e revirando os olhos. — Meu chapéu. — Louis segurou o riso ao ver a cena, esticou o braço para que Harry o entregasse o acessório. — Qual é, me deixa ficar com o chapéu. — Styles abriu um sorriso tão bonito que Louis sentia-se fisicamente impossibilitado de negar aquele pedido. Era de longe sua visão preferida, aqueles dentes alinhados e os lábios bonitos formavam um sorriso quase grande demais para o rosto de Styles. Louis não respondeu, apenas observou a cena por alguns segundos e sua razão gritando pra que ele simplesmente saísse daquele quarto, mandasse Harry se vestir e dissesse que eles deveriam conversar sobre o que realmente importava: o caso. Mas não, tudo que Louis fez foi assentir com a cabeça que o outro poderia ficar com o chapéu , aproximou-se dele a fim de olhar melhor pra ele e Harry, por sua vez, percebeu a pequena brecha na situação. Uma das coisas que ele não gostava de fazer era ficar em silêncio na presença das pessoas. Mas, quando se tratava de Louis, ele sentia-se tão a vontade que não via problemas em apenas ficar horas e horas observando cada expressão facial e simplesmente perguntar-se como era possível que Louis conseguisse manter-se tão impecavelmente barbeado todos os dias. Os dois se olhavam em silêncio por vários segundos e foi então que Harry se aproximou de maneira perigosa. — Antes do agente Malik entrar na sala hoje de manhã, você pareceu querer dizer alguma coisa. — Harry sabia muito bem que Louis, naquela hora, estava prestes a dizer que o amava e Tomlinson lembrava-se daquilo muitíssimo bem, do que quase deixou escapar. Como num estalo de lucidez e por estar quase deixando que Harry o tocasse novamente, Louis ajeitou a postura, estufou o peito e respirou fundo. Styles conhecia muito bem aquela posição defensiva, quando Louis se transformava num muro de concreto não deixando nada passar por ele. Ele soltou o ar, esvaziando seus pulmões e Harry percebeu aquele traço de incerteza em seus olhos, aquele medo, e o pânico de admitir que estava apaixonado por ele voltava com força total. — Não fuja de mim, Louis, por favor. — Harry sabia que o havia perdido para o momento mais uma vez. Ele apenas fechou os olhos quando Louis deixou o quarto e andava a passos pesados pelo corredor, praticamente ignorando toda e qualquer intuição de simplesmente abraçar Harry Styles e dizer que sim, o amava com todas as forças presentes neste universo. — Louis... — Harry insistiu quando passou a seguí-lo até a sala. Os dois estavam agora na ampla sala do apartamento de Louis e lá estava Tomlinson preparando uma bebida para si mesmo. Harry não disse nada, mas queria mesmo lembrá-lo que ele estava ainda em serviço e não deveria beber. Achou prudente simplesmente se calar. — Louis. — Harry tentou controlar mas sem tom dessa vez foi mais agressivo. — Fala comigo, me fala o que você sente! — Harry, que era infinitamente mais expressivo que Tomlinson, não entendia como ele conseguia guardar tanta coisa sem explodir, não entendia como ele não enlouquecia mantendo tantas palavras e tantos sentimentos dentro si, perguntava-se se não o enlouquecia manter-se tão calado. — Eu não me lembro. — O agente respondeu casual, bebendo a dose de uísque de uma vez só. — Como vou saber do que estava falando? — Mentiu ele, simplesmente para fugir do assunto. — Estou cheio de coisas na cabeça, tenho novidades sobre o caso e preciso que volte comigo para o escritório. Harry o encarou enfurecido por alguns segundos, mas logo resignou-se. Queria poder escolher não amar um homem tão complexo, tão difícil e, de certa forma, tão frio. O frustrava a cada dia, a cada conversa, a cada atitude, as escolhas que Louis fazia. Não respondeu, não disse nada, sequer insistiu. Louis apenas olhava pra ele como se esperasse uma resposta, mas dessa vez, foi o hacker quem permaneceu em silêncio. Ele tirou o chapéu branco, colocou em cima da mesa de centro da sala e murmurou algo sobre trocar de roupas para ir com ele até a sede da Polícia Metropolitana. Tomlinson não disse nada, apenas sentiu — pela primeira vez naquela intensidade em sua vida — o quanto magoar alguém daquela forma que ele tinha acabado de fazer com Harry, doía num nível quase insuportável. Sentiu-se realmente não merecedor de todo amor que sabia que Styles tinha por ele e apenas ficou lá, plantado naquele canto da sala, sentindo-se o último homem da terra ao mesmo tempo que não conseguia se libertar, não conseguia deixar de lutar contra aquele sentimento forte que tinha por Harry. Seus pés pregados no chão eram fruto de sua batalha diária para não seguir os passos daqueles cabelos encaracolados e simplesmente dizer a ele que o amava, precisava dele e que seria capaz de mover montanhas apenas para fazê-lo feliz. Mas tudo que ele conseguiu fazer enquanto Harry Styles vestia-se, foi beber outra dose de seu uísque caro, sem gelo e que ele não admitia que causava uma forte gastrite. Talvez ele merecesse mesmo aquele gosto amargo na boca e aquele fogo dentro do estômago, como punição por sua teimosia em não se deixar amar quem claramente tinha o melhor de si a oferecer.
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