Desistindo

856 Palavras

Eu acordei com uma sensação estranha naquele dia. Um peso no peito, uma inquietação nos dedos. Andei pela casa como um fantasma, sem saber o que estava procurando até perceber: era ela. Claire. Desde o nosso último encontro, aquela conversa dura no restaurante, não consegui tirá-la da cabeça. As palavras dela ainda ecoavam na minha mente — principalmente o jeito frio com que pediu pra comprar minha parte do Hikari, como se estivéssemos negociando uma peça qualquer de mobília. Mas mesmo com toda a mágoa, a verdade é que meu coração ainda era dela. Por inteiro. Decidi ir até o restaurante. Peguei o carro e dirigi devagar, observando o mundo passar pela janela. Lembro de ter parado duas vezes no semáforo e pensado em dar meia-volta, em desistir, mas algo me puxava. Talvez fosse esperança.

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