Ponto de Vista de Seraphina
"Sera, essa é a última vez que permito que você desafie minha autoridade." Marcus cobriu a bochecha e se afastou friamente. Depois que ele saiu, todo o escritório pareceu congelar por completo.
Encostei-me na porta fria, meu corpo deslizando lentamente até eu desabar no chão. A mão que o havia esbofeteado tremia incontrolavelmente agora, minha palma ardia como se ainda sentisse o calor persistente de sua pele e a dureza de seus ossos.
A marca na nuca não era mais um sinal queimando minha alma, mas uma dor s***a – como um prego enferrujado profundamente cravado na minha coluna, torcendo meus nervos a cada batida do coração.
Nosso laço de companheiros, outrora abençoado pela Deusa da Lua, estava agora em frangalhos. Ainda nos conectava, ainda transmitia dor, mas já não conseguia carregar amor.
Meu corpo inteiro doía como se minhas costelas estivessem quebradas – é assim que um humano sente dor? Trinquei os dentes. Não importa o que aconteça, mesmo que isso me mate, vou romper meu vínculo com Marcus.
Por ora, só preciso esperar silenciosamente os vinte e cinco dias restantes. Contanto que eu sobreviva ao período de trinta dias de reflexão exigido pelo Conselho, posso pegar o bilhão de dólares da Margaret e sair deste lugar sufocante com meus pais idosos.
Dinheiro pode resolver muitos problemas. Pode comprar uma velhice tranquila em uma nova alcateia para meus pais e pode me comprar liberdade e dignidade.
Fechei os olhos, desenhando o esboço do meu futuro – o vasto céu sem Marcus – e minha respiração relaxou um pouco.
Levantei-me, empurrei a porta do escritório e caminhei direto para o jardim dos fundos da mansão.
O maior orgulho de Margaret era esse jardim de rosas iluminado pela lua que ela cuidava com as próprias mãos.
E se eu arrancasse todas? Imaginei o momento em que Margaret visse isso – seu sorriso perpetuamente falso se desmanchando, seus dentes rangendo – e uma onda de prazer mesquinho e vingativo me invadiu.
Abaixei-me e arranquei a primeira rosa sem hesitação, dizendo dramaticamente à flor: "Desculpe, querida, mas sinceramente acho que uma velha bruxa como Margaret não te merece."
Depois a segunda rosa, a terceira… Até imitei aquele tom cortante e pretensioso dela enquanto arrancava as plantas: "Você, humana insignificante, como poderia merecer meu filho Marcus – ai, vá se danar. Vou arrancar todas as suas rosas hoje!"
Em pouco tempo, o chão parecia um mini terremoto de rosas. Pétalas e hastes quebradas misturavam-se com a terra, um caos total. Com as mãos nos quadris, assobiei para a cena de desastre que criei, sentindo-me leve como se estivesse dançando no centro de um baile.
Eu não queria voltar para aquele banquete onde não era bem-vinda. Saí pelo portão da frente – mas, d***a, meu carro havia quebrado, e só me restava usar as pernas e descer a montanha.
Atrás de mim, as luzes ainda brilhavam. Meu marido e a amante dele se abraçavam na frente de todos, enquanto eu tinha sido enxotada do banquete como uma mendiga.
Enviei uma mensagem para Margaret imediatamente: [Transfere um bilhão de dólares pra mim agora! Caso contrário, não posso garantir que não vou contar a verdade para o Marcus hoje à noite!]
Corri em direção à entrada principal, mas no instante em que saí, quase imediatamente, gotas de chuva grossas caíram do céu sem aviso, me ensopando da cabeça aos pés. Perfeito. Agora eu era uma vira-lata completa.
A Deusa da Lua claramente não era minha deusa. Ela não estava do meu lado.
Mas m*l dei alguns passos quando algo parecia errado. Um cheiro h******l invadiu minhas narinas.
No fundo da minha consciência, a inquietação andava sem parar. "Tudo bem, Seraphina. Você não está longe da mansão. Nenhum lobo renegado vai aparecer aqui," murmurei para mim mesma.
Por causa da marca do Marcus, meus sentidos estavam muito mais aguçados do que antes. Eu conseguia sentir o cheirinho metálico da chuva lavando a terra e as folhas. Eu conseguia ouvir as gotas de chuva quebrando nas folhas das árvores a centenas de metros de distância. E então – o fedor ficou mais forte.
Um renegado.
O terror subiu das solas dos meus pés, congelando meu sangue instantaneamente. Acelerei o passo, quase começando a correr de verdade.
Atrás de mim, aquela intenção maliciosa também se movia. Várias formas escuras emergiram lentamente das árvores ao longo da estrada. Seus passos eram quase inaudíveis na chuva, mas eu podia sentir seus olhares zombeteiros e predatórios grudados em minhas costas.
"Olha o que encontramos – uma beldade, sozinha e encharcada," chamou uma voz áspera na chuva, carregada de desejo descarado.
"Esse vestido fica ótimo em você. Pena que está molhado. Deve estar h******l, né? Que tal a gente te ajudar a tirar?"
Meu coração disparou, como se quisesse pular para fora da garganta.
Corri, a chuva embaçando minha visão. Minha saia escorregadia se enrolou nas minhas pernas e eu caí duro, raspando as palmas das mãos e os joelhos até ficarem em carne viva e sangrentos.
Eles se aproximaram lentamente, sem pressa, seus olhos gananciosos percorrendo livremente o contorno do meu corpo encharcado.
O desespero me envolveu como água do mar gelada.
Cheguei a pensar – talvez morrer aqui seja melhor do que voltar para o Marcus.
"Saia de perto de mim! Vocês sabem quem eu sou! Eu sou a Luna do Marcus!" gritei a eles.
"Como renegados, também assistimos ao noticiário. Seu Alfa já apareceu no banquete com a filha do Alfa da Alcateia Sunfang."
"Parem de conversar com a bonitinha. Meu p*u já tá duro," outro renegado rosnou, avançando em minha direção –
Nesse momento, dois feixes de luz cegantes cortaram a chuva, seguidos por um ruído ensurdecedor de freios. Um sedã preto derrapou bruscamente, parando de lado entre mim e os renegados.
Era um Maybach, suas linhas elegantes e poderosas, como uma fera n***a pronta para atacar na tempestade.
A placa continha apenas alguns números simples, mas sua arrogância era aterradora.
Os renegados reconheceram o emblema de cabeça de lobo prateado no capô e dispersaram instantaneamente.
Eu estava deitada no chão frio, tremendo, lutando por ar.
A porta dos fundos se abriu e uma onda de aroma – cedro, calor seco – me envolveu, afastando instantaneamente o frio da noite.
Uma mão forte estendeu-se na minha direção.
Levantei a cabeça e encontrei um par de olhos tão profundos e frios quanto uma noite de inverno no extremo norte.
Alfa Sebastian, o Alfa da Alcateia Sombra – o Alfa mais poderoso. Lembrei de Marcus mencioná-lo várias vezes, o único Alfa que ele nunca ousou provocar.
Por que ele estava aqui?
Ele olhou para mim de cima, sem expressão, como se tudo o que acabara de acontecer não fosse nada além de um mero inconveniente.
O calor tomou conta do meu rosto. Vergonha, constrangimento, desamparo… tudo isso me dominava como uma onda esmagadora.
"Precisa que eu leve você até o carro?" ele finalmente perguntou, com a voz baixa e firme.
O quê?!
Balancei a cabeça. "Não, obrigada. Não estou machucada, apenas assustada."
Entrei no carro e um casaco foi colocado sobre mim. Olhei para Sebastian, confusa.
"Não costumo ter mulheres nuas no meu carro," ele disse.
Baixei a cabeça e olhei para mim mesma. Meu vestido estava encharcado, grudando completamente no meu corpo. O contorno dos meus s***s e a parte triangular entre as minhas coxas estavam dolorosamente visíveis. Meu rosto queimou. "Obrigada… não percebi…"
Alfa Sebastian apenas acenou antes de instruir o motorista a ir para a mansão de Marcus.
Durante o trajeto todo ele não disse uma palavra.
Quando o carro parou na entrada da propriedade de Marcus, eu estava prestes a agradecê-lo novamente quando Sebastian pegou minha mão e pressionou um cartão com detalhes dourados na minha palma.
"Seraphina," ele disse, seus olhos fixando-se nos meus, "se estiver infeliz na Alcateia Crescente, o império corporativo da Alcateia Sombra sempre terá as portas abertas para você. Você sempre poderá me encontrar."