Helena Narrando Acordar cedo nunca foi um problema para mim. Acho que depois de tantos anos vivendo na Rocinha, meu corpo aprendeu sozinho que o morro desperta antes do resto da cidade. Ainda estava escuro quando abri os olhos. O relógio marcava pouco depois das seis da manhã. Levantei devagar, prendi o cabelo em um coque malfeito e fui direto para a cozinha preparar um café. O cheiro do pó sendo passado tomou conta da casa em poucos minutos. Peguei uma caneca, cortei um pedaço de pão, passei manteiga e sentei perto da janela. Dali eu conseguia ver a comunidade começando a acordar. O mototáxi fazendo as primeiras corridas do dia, uma senhora varrendo a calçada enquanto conversava com a vizinha do outro lado da rua, o rapaz da padaria descarregando os pães e algumas crianças, ainda sonol

