A cobrança não veio com ameaças externas. Veio com silêncio demais. Giulia percebeu na terceira manhã consecutiva sem interrupções. Nenhuma sombra insistente. Nenhuma mensagem cifrada. Nenhuma tentativa de contato indireto. O mundo parecia ter aceitado, rápido demais, a nova configuração. E isso nunca era gratuito. Ela fechou o caderno e ficou alguns minutos observando a cidade pela janela. Havia aprendido que, quando o perigo não se manifestava fora, era porque estava se reorganizando por dentro. — Estão recalculando — murmurou. O celular vibrou. Não era Matteo. Não era Lorenzo. Era um número que ela não reconhecia. Ela deixou tocar uma vez. Duas. Atendeu. — Giulia — disse a voz do outro lado. — Precisamos conversar. Ela reconheceu o tom antes mesmo de identificar o nome. —

