A Fuga

833 Palavras
Eu estava deitado em minha cama vendo TV, quando a minha irmã chegou com um travesseiro na mão e uma cara manhosa. - O que foi, pequena? - Eu perguntei. - Tive pesadelo, será que eu posso dormir com você? - Claro, vem cá com o mano, que o maninho te protege. - Falei, ao abrir espaço para que ela deitasse do meu lado. Ela colocou o travesseiro do lado do meu, e deitou do meu lado, e ficamos alguns segundos em silêncio. - E aquela garota que você gosta? - Ela me perguntou, quebrando o silêncio. - Ah faz tempinho que eu não falo com ela, estão falando que ela está namorando com um garoto do bairro. - Ai que chato, será que é verdade? - Não sei, mas quer saber? Eu não quero saber das garotas tão cedo em minha vida. - Eu disse, fazendo a minha irmã rir. Ju sorriu com aqueles olhinhos brilhantes, um sorriso meigo, tão meigo quanto ela. - Não esquece que eu te amo mais que tudo, viu? - Falei. - E como eu poderia? Você não deixa eu esquecer. - Ela me respondeu em tom de brincadeira. E de repente nós dois acabamos dormindo. Era por volta de 5h quando o relógio despertou. Hora de eu ir encontrar o Roberto no lugar marcado para a gente dar início a nossa fuga. Me levantei, troquei de roupa, me lavei e me escovei, e deixei um bilhete para meus pais e minha irmã. No bilhete eu dizia que a avó do Roberto estava muito m*l, e eu iria com ele até a cidade vizinha onde ela morava, e só voltaria quando ela melhorasse. Nunca fui de mentir, e detestava ter que mentir pros meus pais, mas não consegui dizer a verdade, sabia que seria pior, e que eles sofreriam muito e ficariam preocupados se eu falasse a verdade, que estav fugindo de casa. Deixei o bilhete na porta do quarto deles, e sai de casa. Roberto me esperava no lugar que a gente havia combinado. O garoto estava lindo como sempre, meus olhos brilharam ao ver ele, mas tentei disfarçar, para que ele não percebesse. Ao me aproximar de Roberto, ele me deu um beijo no rosto me cumprimentando, e a gente foi para a nossa aventura. Não sabíamos para onde ir, confesso que eu estava com um pouco de medo, nunca havia feito aquilo, mas fazia qualquer coisa para que o Roberto não fosse mais maltratado pela sua madrasta. Fomos o caminho todo conversando, nos víamos todo dia, mas sempre tínhamos algo novo para falar um ao outro, e eu adorava isso, de nunca faltar assunto, acho que poderíamos conversar por horas e horas sem parar e sem cansarmos. Depois de caminhar cerca de uns 30 minutos, nós avistamos um camping que não tinha ninguém ao redor, e decidimos ficar ali mesmo. Montamos nossa barraca, e colocamos nossas coisas ali dentro. Percebi então que Roberto não estava com sua barraca, e então eu lhe perguntei: - Ué, cadê a sua barraca? - Ai acredita que eu fui trazer, e não achei? Minha prima pegou emprestado no dia que ela foi lá em casa, mas pensei que já havia devolvido. - Ele respondeu. - E agora? - Você se importaria se eu dormisse com você na sua barraca? Mas se você não quiser, eu posso dormir aqui na grama mesmo. – Ele disse, me fazendo rir. - Para de ser b***a, é claro que você pode dormir na minha barraca, ela é bem grande, acho que dá pra nós dois. – Eu falei. Ele então sorriu, e percebi que era um sorriso como se ele quisesse agradecer. Ao ver o bilhete que eu deixei, minha mãe me ligou, querendo saber que loucura foi aquela, aí eu tive que mentir mais do que no bilhete, mas pelo menos assim ela não ficou preocupada, e mandou eu apenas me cuidar, acho que tinha acreditado, para minha sorte. Percebi que Roberto até que estava feliz com aquela situação, e ao ver que minha mãe não estava chateada e nem preocupada comigo, eu também fiquei feliz, e assim podemos aproveitar aquele momento que era só nosso. - Nós vamos ficar aqui pra sempre? - Eu perguntei. - Não sei, pra sempre acho que não, mas não sei por quanto tempo. Está com medo? - Um pouquinho, eu nunca fiz esse tipo de coisa. - Confessei. - Arrependida? Se quiser a gente pode voltar, ainda dá tempo de voltar atrás.... - Ele disse. - Não, está tudo bem. Roberto sentou do meu lado, e me abraçou tentando fazer eu me acalmar, confesso que achei super fofo da parte dele. E ao sentir o calor dele, eu quase pedi para ele não fazer mais aquilo, mas eu gostava tanto do abraço dele, que não tive coragem, e ele parecia ver que eu gostava. E naquele momento nossos olhares se cruzaram, e eu consegui perceber que ele estava sentindo a mesma coisa que eu.
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