Dia seguinte…
Andrew narrando.
Arrumo meu cabelo, cantando e assobiando, enquanto saio do quarto. Olivia sai do quarto dela, pronta, e grita:
— PAPAI! — Abaixo-me à sua altura, esperando ela chegar perto.
— Fala, querida.
— Papai vai buscar ela? — Assinto, e ela pula de alegria. — Ela vai gostar? Vai ser minha mamãe depois de comer o almoço que
fizemos juntos? Você acha que ela gosta de mim?
— Filha, já falamos sobre isso, lembra? Tudo acontece devagar. Ela m*l conhece a gente.
— Mas, papai... — Ela cruza os braços, e eu a abraço, pegando-a no colo.
— Lembra que você pode não ter uma mamãe ainda, mas tem o papai mais lindo do mundo, que te ama e faz de tudo para te fazer
feliz. — Falo, e ela assente, resmungando. Coloco-a no chão e me levanto. — Estou bonito?
— Falta um detalhe. — Ela tira um dos seus anéis de plástico e coloca no meu dedinho. O anel nem entra completamente, ficando
apenas na pontinha, e dou risada. — Agora está bonito!
— Obrigado! Eu vou, e você fica aqui se comportando com a Esther até eu voltar, ok? E lembra, no almoço, nada de falar sobre ela
ser sua mamãe.
— Tá bom. — Beijo sua cabeça e desço as escadas, indo para a garagem.
Entro em um carro qualquer, e meu celular apita. Vejo uma mensagem do segurança dizendo que a Laura voltou do mercado mais
cedo.
Coloquei dois dos meus melhores seguranças para segui-la o tempo todo, assim sei que ela está sempre segura e fico sabendo de tudo
o que ela faz.
Mesmo sendo confidencial, consegui todos os seus dados do hospital, como onde mora, celular, dados de saúde que o hospital
arquiva, últimos empregos... Mas as melhores informações, como relacionamentos, família, e amigos, consegui pela internet, embora
apenas o básico de cada tema, nada muito profundo.
Quase chegando ao seu prédio, vejo uma floricultura e paro para pegar um buquê de rosas brancas. Talvez ajude a ela se apaixonar.
[...]
Desço em frente à sua casa e ando apressado por causa dos irrigadores ligados. Bato na porta rapidamente e olho as horas, vendo que
estou pontual.
Bato novamente com mais força e sorrio ao escutar seus passos. Vejo o olho mágico escurecer e sei que ela me vê por ele. Ela
destranca a porta, abre, e eu sorrio para ela.
— Bom dia, Laura.
— O que...? Desculpa, mas como você me achou?
— Não revelo meus truques. Um presente para você. — Falo, revelando as flores que eu escondia atrás de mim.
Ela sorri com os lábios, mas tenta segurar, voltando à sua pose de durona.
— São lindas, mas por que veio? — Ela pega as flores e cheira, fazendo uma cara satisfeita.
— Para te levar à minha casa. — Ela arregala os olhos, e eu coloco a mão na boca para disfarçar uma tosse falsa. — Digo... para
irmos almoçar, como falei ontem.
— Achei que você estava brincando. — Ela diz, e eu ergo a sobrancelha, confuso. Se ela não pensou que eu viria, por que está
arrumada?
— Não brinco com coisas importantes para mim, mas tudo bem. Eu te espero, se quiser se aprontar antes de irmos.
— Mas... eu ia comprar comida e almoçar no parque. — Ela diz, incerta, cruzando os braços.
— Por favor, Laura, vai deixar um solteiro bonito e uma criança fofa na mão? Eu e minha filha preparamos o almoço com carinho.
— Digo, e ela ri, assentindo.
— Convencido. — Ela diz baixinho e entra em casa. Como não fecha a porta, deduzo que seja para eu entrar.
Eu a sigo e vejo ela encher um vaso com água, ajeitando as flores.
— Quais são seus planos, senhor Andrew? Porque não viria aqui apenas por um desejo de sua filha.
— É que não é apenas ela que deseja sua presença e atenção. — Falo, e ela faz uma cara engraçada, demorando a fechar a boca.
— Você quer água? Tá calor hoje, né? Bom se hidratar. — Ela fala, abrindo a geladeira e servindo água em um copo para ela.
Ela bebe um gole, nervosa, e, assim que termina, pego o copo dela e bebo. Ela me olha um pouco chocada, mas tenta disfarçar.
— Vou pegar minha bolsa. — Ela corre, e eu observo sua casa. Até que é organizada, só precisa combinar os objetos, que estão
muito coloridos. — Tudo certo?
— Sim, vamos. — Ando na frente e a espero trancar a porta. Ofereço minha mão, mas ela n**a, andando à frente até o banco do
passageiro. — Eu abro.
Digo correndo e abro a porta para ela antes. Sorrio enquanto ela entra e dou a volta sem muita pressa.
Entro no carro, e ela me olha pensativa. Passo o cinto, ligo o carro e, sem olhá-la, prossigo.
— Um milhão pelos seus pensamentos. — Digo, e ela ri, se ajeitando no banco.
— Apenas uma rosa vermelha bastaria. — Ela diz, e dou risada.
— Temos uma poeta? Ou leitora de romances? — Pergunto, e ela dá de ombros.
— Gosto dos clichês.
— Podemos viver um. — Digo, galanteador, e ela ri sem responder.
[...]
Assim que chegamos em casa, vejo Olivia pulando e acenando da porta. Sorrio pela alegria dela e observo Laura, querendo analisar
sua reação. Ela olha com um sorriso discreto e sai do carro sem me esperar.
Vejo minha filha pular nela, e saio do carro, fingindo estar indignado.
— E eu? Também quero um abraço desses. — Falo, mas Olivia nem a solta.
— Você ganha todo dia, papai. Agora é a vez da mam... Laura. — Ela se corrige, e Laura parece não perceber.
— Como está, querida? Teve alguma reação da queda de ontem?
— Que queda? — Olivia pergunta, e eu coço a garganta, disfarçando. — Aaaaaah, aquela queda. Estou melhor. Agora vem, Laura,
quero te mostrar meu quarto.
Ela se levanta, me olhando, e me perco por segundos observando seus lindos olhos. São absurdamente hipnotizantes.
— Podem ir, mas sejam rápidas. Vou arrumar a mesa. — Digo, e elas correm, rindo.
Entro em casa sem pressa e escuto a risada delas. Paro perto do quadro de informações antes de seguir.
— Niki. — Chamo, e a tela presa à parede se acende.
— Olá, como posso te ajudar?
— Niki, mostre as câmeras do quarto da Olivia. — Digo e pego o mini tablet da cômoda. Coloco minha digital e sigo para a cozinha,
onde o Niki exibe as imagens.
Eu criei o Niki, um assistente virtual que nos protege e avisa sobre qualquer tentativa de invasão. Ele foi programado para entender
certos comandos e distinguir diferenças nas vozes. Aqui em casa, apenas eu tenho acesso a todas as funções. Olivia e Esther têm
acesso apenas às luzes e à música.
— Niki, som da câmera.
— Som ligado, senhor Russo. — Ele repete a resposta programada, e eu me sento na banqueta, observando-as.
Não sou fofoqueiro nem bisbilhoteiro, apenas gosto de estar bem informado sobre o que acontece na minha casa e com minha
família.
"_ Esse é o Ken, mas eu o chamo de Alec porque meu tio disse que ele é bonito igual a ele." — Olivia diz, entregando o boneco para
Laura. Elas estão sentadas perto da casa de bonecas.
— Esse tio parece bem convencido. — Ela diz, rindo, e Olivia dá de ombros.
— Ele é, mas é o tio mais legal. Ele me deixa pilotar o carrinho de golfe, mas não conta pro papai. — Ela fala, e eu coloco a mão no
peito. Vou matar aquele irresponsável.
— Segredo guardado. — Elas cruzam os dedinhos, e fico com raiva. Ainda duvidam por que eu espio nesta casa? Se eu não estivesse
vendo isso agora, jamais saberia de tamanha irresponsabilidade.
— Laura, você acha o papai bonito? — Olivia pergunta, e espero a resposta.
— Talvez. Acho melhor irmos descendo. Daqui a pouco seu pai bate na porta. — Ela diz, sem graça, e me levanto, convencido,
parando de olhar.
Ela me acha bonito, e isso é tudo que importa no momento. Sei que a beleza é apenas um adicional no flerte; o charme, a conversa, a
comida e as cantadas são o que realmente prendem a mulher. Mas ela me achar bonito eleva tudo para mim.