Eu Te Odeio

1183 Palavras
É sexta feira, um dia antes do baile e hoje acabam as provas, os resultados eram só na próxima semana. As últimas provas eram sempre as mais fáceis, então eu fui a primeira a sair da sala. Como eu iria esperar Jungkook para irmos juntos, fui para o pátio sentar num daqueles bancos de cimento. A quadra estava ocupada, alguns alunos estavam decorando-a para o baile amanhã. Estava uma boa movimentação hoje. Senti alguém sentar do meu lado, eu não queria olhar pois já sabia quem era. Fiquei com o olhar fixado em um ponto qualquer. Por mais que eu queira seguir o conselho da minha mãe eu não conseguia. — Até quando vai me ignorar? — Ele quebra o silêncio. Eu só não saia dali porque estava em um conflito interno de ouvi-lo ou não ouvi-lo. Apenas não disse nada em resposta. — Por favor, eu preciso falar com você, eu não estou aguentando. — Mesmo querendo ceder contínuo em silêncio. Ele então também ficou em silêncio por alguns segundos, pensei que havia desistido, até que repentinamente ele segura meu queixo me fazendo encara-lo. Fiquei paralisada sem saber o que fazer. Ele me analisou por alguns segundos até resolver falar: — Você fica muito fofa com raiva. — Sorriu. Assim que ele disse aquilo tratei de tirar as mãos dele do meu rosto, ele me deixou nervosa. Com certeza estava vermelha. — E você é um mentiroso! — Esbravejei. — Mentiroso? No que eu menti? — Perguntou confuso. — Vai se fazer de desentendido agora? — Se você disser no que eu menti, não. — Será mesmo que ele não sabe? Ou acha que eu sou i****a? — Por favor, eu explico tudo que você quiser! — ele parecia determinado. Suspirando eu decido ceder de uma vez. — Tá, mas tem que ser antes do Jungkook chegar, pois se ele te ver perto de mim vai bater em você. — Digo seria, mas ele riu como se eu tivesse brincando. — Então eu vou ser rápido. Só me diz o que eu fiz. — Rosé me disse que vocês dois voltaram, eu sei, não é da minha conta com quem você fica, mas justo ela? Depois de tudo que ela fez? — O quê? Ela te disse isso? Não, não! Eu não voltei com ela, acha mesmo que seria tão i****a? — Ele pareceu ofendido com o que eu disse. — O amor nos faz idiotas sem percebermos. — Eu não amo ela! Nunca amei, na verdade. — Então por que beijou ela? — Fui direto ao ponto que me incomodava. — Eu sabia... — Ele cerrou os punhos parecendo irritado. — Ela armou aquele beijo! — Não Jimin, se ela tivesse armado você teria se afastado dela... Eu esperei você fazer isso quando eu vi, mas adivinha? Não fez. — Ele abaixou a cabeça como se estivesse arrependido. — Eu vou explicar o que aconteceu... — Suspirou e pegou minha mão. — Eu recebi uma mensagem sua pedindo pra gente se encontrar no ginásio, quando eu fui quem estava era a Rosé, no momento eu estranhei, mas não percebi que era armação porque fiquei com muita raiva com as coisas que ela dizia... — O que ela disse? — O interrompi. — Que ainda gostava de mim e queria voltar... Enfim, claro que não acreditei, mas ela ficou insistindo dizendo que eu ainda gostava dela e que se eu não provasse ela iria me infernizar. Então ela pediu uma prova com um beijo e que se eu não sentisse nada por ela, ela iria nos deixar em paz. Foi o beijo que você viu. — E você sentiu algo? Ainda gosta dela? — Eu sei, não fui nem um pouco discreta. — Não! — Sorriu. — Eu gosto de alguém, mas não dela. Eu sei, fui muito burro em beijar ela novamente e que eu não precisava fazer isso para provar nada, mas eu estava de saco cheio e queria que ela me deixasse em paz de uma vez. — Ele parecia está dizendo a verdade, mas eu realmente não sei, não sei o que esperar dele, porém de Rosé eu posso esperar tudo. — Eu não sei se devo acreditar nessa história... Ate porque eu não enviei mensagem nenhuma! — Peguei meu celular para ver se tinha alguma coisa. E não tinha nada. — Olha aqui. — Mostrei para ele. — Não sei porquê não tem nada no seu, mas... — Pegou seu celular e me entregou. — Está ai, pode ver que não menti. — Peguei seu celular e realmente tinha uma mensagem minha pedindo ele para ir até a quadra. — Talvez Rosé tenha pegado e você não viu. Só queria entender como Rosé conseguiu pegar meu celular e descobrir a senha. — Então você falou a verdade... — Agora eu me sentia uma i****a. Minha mãe estava certa até. — Me desculpa. — Tudo bem, passado! — Sorriu. Ele perdoou rápido. — Agora eu preciso falar um outra coisa com você, que eu queria ter dito faz tempo. — Segurou firme minhas duas mãos. — Eu... — foi interrompido por um Jungkook bravo. — Sai de perto Jimin! Ela não quer ficar com você. — Jungkook o puxou ele pela camisa e eu tive que levantar para parar ele. — Não, Jungkook! Tudo bem, ele não mentiu... — Jungkook parou e me encarou. — Sério? — Confirmei. — Ah, então foi m*l, Jimin. — Se desculpou, mas não parecia arrependido. — Tudo bem... — Ele levantou e ajeitou sua camisa que Jungkook amassou um pouco. — Então Alana, você vem comigo ou... — Eu havia combinado de ir embora com Jungkook, mas queria ouvir o que Jimin tinha para me falar. — Eu... — fui interrompida. — Você pode ir, depois conversamos. — Olhei ele por alguns segundos até decidir ir com Jungkook. Do nada Jimin ficou esquisito, é melhor eu não pensar nada. Eu e Jungkook caminhávamos em silêncio, eu devia ter ficado lá, agora eu estou curiosa para saber o que Jimin queria me dizer. — Então, ainda vai pro baile comigo? — Perguntou quebrando o silêncio. — Ah... — Não conseguia dizer nada, eu queria ir com Jimin, mas eu pedi pro Jungkook me acompanhar e não quero deixara-lo só. — Pode ir com o Jimin, eu já tenho companhia — Sorriu e eu fiquei mais aliviada. — Ser companhia de duas pessoas ao mesmo tempo seria cansativo. — Certo então. Obrigada Jungkook. — Agradeci não só por isso, mas por muita coisa. — O quê que eu fiz? — Sorriu confuso. — Você é um grande amigo... Sempre achei que você não gostava de mim que me odiasse e me achava uma chata, mas tem demonstrado o contrário. — Você é uma chata sim. — Sorriu e eu fingi esta ofendida. — E eu gosto de você, mas continuo te odiando. — Bagunçou meu cabelo sabendo que eu odeio isso, mas sorri para ele. — Eu também te odeio. — Acho que o termo "odeio" começou a ter outro significado para nós dois.
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