Capítulo 6

2142 Palavras
Roger Narrando Alguns dias depois… Quando eu assumi a Nova Holanda, não tinha noção dos problemas que teria que enfrentar pela frente. Antes eu só gerenciava as bocas, era molezinha, mas agora a favela toda está nas minhas mãos. Tenho que verificar o que entra e principalmente o que saí. Isso dá uma dor de cabeça do c*****o. Eu tenho que ficar de olho pra neguinho não me passar pra trás, só essa semana eu tive que passar dois tirados a espertos que estavam pegando malotes de cocaína na encolha. Eles já estavam fazendo isso a tempo, mas não contava que eu seria mais esperto do que eles. Mandei instalar câmeras na casinha onde se faz a endola das drogas, foi assim que eu peguei os dois espertinhos. Matei eles sem pena na frente de todos para servir de exemplo. Essa semana foi pauleira pra mim, ainda bem que o Picasso tá aqui comigo, ele é o único que eu confio. Além da carga com as armas que chegaram essa semana, ainda tive que organizar um baile de aniversário para Suellen, ordens do chefe. Contratei alguns Mc's que eu sei que ela gosta, queria chamar o Orochi, mas ele tinha uma turnê pra fazer. — Quando eu aceitei ser ser o seu braço direito, achei que eu fosse ser mais que um simples organizador de festas.– o Picasso entrou puto.— Era pra eu tá fazendo recolhendo os dinheiros das bocas lá do asfalto e não ficar verificando se tem bebida o suficiente para o aniversário da filha do chefe.– ele sentou na cadeira a minha frente. — Para de reclamar c*****o, nós já teríamos que organizar um baile tá hoje também.– eu joguei um baseado pra ele.— A festa pra valer nem é hoje, vai ser só no domingo num salão lá na Penha.– ele acendeu o baseado e eu fiz o mesmo. Eu nunca fui de me drogar, meu único vício é o meu baseado mesmo. — Chefe, desculpa entrar assim, mas a sua coroa pediu pra tu ir na casa dela com urgência.– Lekinho entrou na minha sala, eu apaguei o baseado, fui ao banheiro lavei a mão e ainda passei álcool em gel. — Isso tudo é pra mamãe não brigar contigo?– o Picasso falou rindo.— O filhinho da mamãe não pode fumar maconha.– mandei dedo pra ele. — Vai se fuder Picasso, minha mãe não gosta do cheiro da maconha.– ele continuou me gastando, eu peguei a chave da minha moto e fui até a casa da minha mãe. Eu trouxe minha mãe pra morar aqui na NH, é claro que eu não ia deixar ela sozinha. Ainda mais eu sendo filho único, sempre foi e a minha mãe, e isso nunca vai mudar. Passei pela favela na minha moto, falando com todos. Desde que eu assumi aqui, todos me conhecem. Temos uma ONG aqui na favela que ajuda bastante os moradores, eu ajudo a todos através dessa ong. Minha meta agora é arrumar alguma pra dar algumas consultas como psicóloga, dentistas e até alguns instrutores de futebol. Cheguei na casa da minha mãe e como sempre desde que ela veio morar aqui, a casa fica cheia. Minha tia Lúcia e os meus primos que estão sempre por aqui. Minha tia Vera tem dois filhos, o maluco do meu primo que tem a mesma idade que eu e a Hanna. O Elizeu é um menino tranquilo, mas gosta de umas festinhas regadas com mulheres e drogas. Ele herdou uma das bocas da NH do pai dele, então o cara tem dinheiro e gasta com isso. Já a Hanna, bom ela é a típica adolescente de favela que gosta de arrumar problemas, principalmente quando ela ver que tem mulher perto de mim. — Cheguei dona Vera, onde é o incêndio?– assim que eu passei pela porta da cozinha, a Hanna já abriu um sorriso. — Priminho, que bom que você chegou.– ela veio me abraçar, eu só retribuí por causa da mãe, na cabeça da minha mãe, Hanna é só uma prima que tem uma quedinha por mim e por isso que ela me disse pra ser sempre gentil com ela. — Demorou, aposto que estava fumando aquele troço fedorento.– minha mãe perguntou com a mão na cintura.— Deus te abençoe meu filho, o Alisson vai vir pra cá hoje?– eu neguei com a cabeça. — Ele vai ficar com a Alicia esse final de semana, só vem no outro.– ela assentiu com a cabeça.— Foi só pra isso que a senhora me chamou?– ela negou com a cabeça. — Na verdade fui eu que pedi pra titia te chamar.– a Hanna falou toda meiga, que ver ela assim, até acha que ela é mesmo uma pobre menina inocente, mas eu sei bem do que essa menina é capaz. — E o que você quer ?– cruzei os braços. — Você pode me levar no shopping, eu preciso comprar um presente pra Suellen e pra uma roupa nova.– eu levantei uma das sobrancelhas sem acreditar no que ela estava falando. — Tu deve achar que tô com tempo pra te levar no shopping, eu tenho uma favela pra cuidar, não posso parar o que eu tô fazendo pra você fazer comprinhas.– ela olhou pra minha mãe. — Roger, você vai levar a sua prima ao shopping, ela não pode sair sozinha.– eu ri negando. — Mãe, eu respeito muito a senhora.– ela se virou pra mim, me fuzilando com o olhar.— Mas eu não vou levar a Hanna em lugar nenhum, e nem adianta me olhar assim mãe.– a Hanna ficou fazendo drama, mas eu me mantive firme. — Então você vai deixar a sua prima sair por aí sozinha, essas ruas do Rio de Janeiro são muito perigosas.– eu tive que rir novamente. — Sério mãe, a Hanna está acostumada a sair para tudo que é lugar sozinha mãe, ela não é nenhuma criança inocente não.– eu passei a mão no rosto.— Olha, eu vou voltar pra boca e se a senhora quiser algo, me manda mensagem que eu peço um dos meninos pra te ajudar.– fui até ela, dei um beijo na cabeça dela e caminhei para fora de casa. — Assim que ele me trata, ele nunca me ajuda em nada.– ainda deu tempo de ouvir a Hanna reclamando com a minha mãe. Voltei pra boca pra terminar as coisas que tinha que fazer. — Fim de expediente, hora de ir pra casa.– o Picasso falou fazendo uma dancinha escrota.— Pena que a minha gata não poder vir, mas amanhã eu vou lá ver ela.– eu semicerrei os olhos para ele. O Picasso estava saindo com uma mulher que ele não contava pra ninguém quem era, provavelmente era casada. — Vamos embora, vou passar na quadra antes pra ver como estão as coisas.– ele concordou com a cabeça, saímos da sala e como eu sempre faço tranquei tudo. Não é que eu não confiasse nos meus homens, mas aqui dentro tinha todo dinheiro das bocas da favela. Cada boca ganhava uma porcentagem favorável de todas as vendas, o restante ia pro cofre da facção e eu tinha que prestar conta de tudo. Depois que eu saímos daqui, eu passei na quadra pra ver se estava tudo em ordem e logo depois eu fui pra minha casa pra descansar um pouco. Tomei um banho e me joguei na cama. Acordei com o meu celular tocando, eu atendi sem ver quem era. — Fala viado, cadê o dono dessa p***a que não tá aqui pra abrir o baile, não foi assim que eu te ensinei porra.– a voz do Talibã soou do outro lado. — Já estou chegando aí, só vou terminar de me arrumar.– ele ainda falou mais alguma que eu só concordei. Me levantei rápido, joguei uma água no corpo e vesti a minha roupa que já estava separada. Meia hora depois eu estava estacionando minha moto na frente da quadra. Eu não gosto de chegar chamando a atenção quando chego, eu sou muito discreto. Todo dinheiro que entra no caixa da favela, eu uso pra melhorar aqui. Essa quadra, por exemplo, eu mudei muita coisa nela. Fiz alguns camarotes na parte de cima, banheiro e uma área vip para algumas festinhas particulares. Ainda mandei construir do zero, dois salão de festas aqui na comunidade, quem quiser fazer festa lá é só agendar com a Bárbara, a líder da ONG aqui na favela. Ela é que fala pelo povo e foi ela que me passou tudo que a comunidade precisava. — Até que enfim você chegou, estava te esperando.– ela falou assim que me viu, ela já grudou no meu pescoço e me deu um selinho. — E aí Babi.– abracei ela pela cintura retribuindo o beijo.— Vamos entrar, o Talibã está me esperando.– ela concordou com a cabeça. Meu lance com a Bárbara é uma parada sem compromisso, a gente fica de vez em quando. Geralmente quando ela não pega ninguém pra arrastar pra casa, a gente sempre se esbarra no final do baile. Entre no camarote com a Bárbara, a Hanna logo fechou a cara quando viu ela do meu lado. De longe eu já vi a Suellen, ela estava linda como sempre, meu coração quase saiu pela boca quando ela olhou pra mim e sorriu. Depois daquele dia lá na casa de praia, ela nunca mais se aproximou de mim. Segundo ela, não podemos ficar juntos pelo simples fato dela ser amiga da Hanna. Eu até tentei reverter essa história, mas ela estava decidida a não ficar comigo mesmo. Então eu fui viver a minha vida, foi aí que a Babi surgiu. Começamos a ficar, mas nenhum de nós dois queremos compromisso. — Eu vou beber alguma coisa.– ela me deu mais um beijo e depois foi embora. Voltei a olhar para Suellen que assim como eu, não tirava os olhos de mim. Caminhei até onde estava o Talibã e a Thaís. — Olha quem resolveu aparecer.– fizemos um toque. — Oi Thaís.– apertei a mão dela.— Cadê a Suzana?– perguntei me sentando. — Ela ficou em casa com os meninos.– a Thaís respondeu. Ficamos um tempinho ali conversando, e eu só observando a Suellen de longe. Ela estava dançando junto com a Hanna, eu olhava disfarçadamente pra ela. Pelo menos era o que eu achava. — Se continuar olhando assim pra ela, o talibã vai perceber.– a Thaís falou se sentando ao meu lado. — Não sei do que você está falando.– me ajeitei no sofá desconfortável. — Sabe sim, mas fica tranquilo que o segredo de vocês está bem guardado.– eu olhei pro lado procurando pelo marido dela. — E onde está ele?– ele soltou um ar cansado e quando ela ia responder, ele apareceu na nossa frente todo nervoso. — Thaís, chama a Suellen e vamos embora.– eu não entendi nada e nem a Thaís. — O que aconteceu Talibã?– comecei a pensar se tinha acontecido alguma coisa com a Suzana. — A Gabi tá no hospital, a Patrícia me ligou agora pra avisar.– ele estava nervoso demais. — Tu vai pro hospital ficar com elas?– ele afirmou com a cabeça.— Então deixa a Suellen aí, deixa ela curtir o aniversário dela com os amigos.– ele olhou pra Suellen, ela ainda estava dançando perto da grades. — A gente vai deixar ir embora sozinha depois?– ele cruzou os braços. — O Rogerinho cuida dela, não é RG?!– eu quase me engasguei com a minha bebida. — Ela for ficar com o RG, tranquilo, ela pode ficar.– ele olhou pra mim.— Fica de olho nela pra mim, bora Thaís.– a Thaís me deu abraço. — Me agradece depois... Ela falou baixinho no meu ouvido, depois que ela foi até a Suellen e falou algo com ela também e depois foi embora com o Talibã. °°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°°
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