Capítulo vinte e sete.

1242 Palavras
De coração para coração. Sinto o vapor quente na ponta do nariz, e o cheiro forte de canela impossível de ser confundido. Abro os olhos e Diana está segurando minha mão. — Por Deus Anne, quase matou-me de susto! Pensei que estava morta. — Vamos querida, tome isso — diz Mary me oferecendo chocolate quente com canela. — A luz voltou — olho ao redor do cômodo, e me deparo com duas orbes verdes fixas em mim. Encaro-o por alguns instantes, e desvio. Olhar para Gilbert já não era mais um desejo absurdo e irresistível, e me sinto uma pessoa ridícula ao imaginar que quase me entreguei para ele. — Você está bem? — sua voz suave ecoa em meus ouvidos. Não respondo, somente observo o líquido dentro da caneca. — Eu, eu pensei que ia morrer — digo para Diana — mas sua voz me acalmou, obrigada Diana por manter-me acordada, digo, pelo menos até chegar aqui. Acho que dormi feito um bebê. — Ah Anne, eu faria novamente, não suportaria perdê-la assim, talvez você pudesse pensar antes de agir, atitudes impensadas geram grande consequências. Encaro Gilbert que entende com clareza a minha indireta com o olhar. — É Diana, realmente tais atos podem ser prejudiciais. — Talvez devessem conversar — ela sugere, só que em voz alta. Meu corpo ainda estava frio, mas a minha mente estava quente, eu não podia simplesmente escutar silenciosamente as desculpas de Gilbert, eu não merecia ser enganada mais uma vez. — Eu não acho que seja uma ideia boa — digo — ainda mais porque sei que as coisas estão um pouco bagunçadas em minha mente. — Por favor Anne — Gilbert diz insistente — preciso contar tudo. Respiro fundo e penso — ah Anne, você vai se arrepender de ceder mais uma vez. Contudo, seu olhar cabisbaixo e com as esperanças frustradas, me convence. — Tudo bem Gilbert — digo. Ele se senta em minha frente, antes de Diana sair ela aperta minha mão como se fosse um consolo. — Qualquer coisa, grite — ela sussurra. — Obrigada Diana. Em poucos segundos, a sala está vazia. . . . (Narração Diana) — Você ainda não me disse o que houve de errado com eles dois — Jerry cochicha para ninguém escutasse. Caminho pela sala de visitas com os braços cruzados, atônita para saber por fim o que Anne decidiu, mesmo tendo a certeza de que ela não o perdoaria, talvez nunca. Winifred cutuca o esmalte, Bash e Mary estão se paquerando, e Jerry me segue enquanto vê com clareza a minha inquietação. Desvio sutilmente os olhos para Winifred, afim de alertar Jerry que a culpada de toda aquela situação era a loira oxigenada. Jerry me encara, com o cenho franzido, enquanto as mãos estão no bolso; sua respiração está forte, e sua expressão demonstra claramente seus pensamentos inundados por injúrias. — O que? — Winifred o encara — por que está me olhando assim? Sinto o coração palpitando forte, e o medo de não aguentar minhas reações espontâneas, eu poderia com toda certeza esbofeteá-la a qualquer momento. A raiva era tamanha, que sentia a palma da mão ferver. — Você veio aqui certamente para estragar tudo — ele acusa — e nem queira saber o que penso sobre sua atitude imunda. Bash e Mary tentam acalmar a situação. Mas Winifred, com a voz mansa e cheia de classe, se levanta. E responde. — Eu? — ela aponta para si mesma como se estivesse ofendida — eu jamais viria até aqui estragar um romance, não faz parte do meu... — Ela fita Jerry com desprezo — comportamento. — Ah claro que não — respondo — até porque, você faz parte de outra categoria — encaro-a de cima abaixo com o mesmo desprezo, ela sabia ser maldosa? Eu também sabia ser. Jerry era bondoso demais para escutar ofensas de uma pessoa como ela. — Categoria? — Ah quase me esqueci, lixos tóxicos não tem categoria — ela me encara com a boca aberta, como se estivesse indignada — o que você veio fazer aqui, Winifred? — a encaro com repúdio — veio acabar com a felicidade de Gilbert? — Eu não vim acabar com ninguém vim porque estava passeando e consequentemente, descobri algo que acho que ninguém gostaria de saber. — Certo, sinto muito por sua... Infelicidade. — Infelicidade? — ela diz com sarcasmo — isso você deveria dizer para Gilbert. — Por que? — Não é sempre que tem a opção de ficar com alguém como eu, trocar-me por uma... Garota ruiva, teimosa e sardenta, quanto mau gosto. Em segundos, sinto minha mão direita esbofeteá-la. O barulho é tão alto que todos pulam com o impacto. A jovem loira me encara de cima (levando em consideração que é mais alta que eu) e antes que pudesse devolver o t**a, Jerry me puxa, deixando-a no vácuo. — Não ouse falar de Anne novamente — aponto o indicador enquanto falo — você deveria ser um pouquinho mais coerente com suas observações. E Anne, é linda e com certeza tem uma alma iluminada. Mas você Winifred, é coberta por escuridão, se existe algo que eu sinto em relação a você é pena. Ela se senta como se as palavras tivessem tido um grande impacto, e lhe tirassem do fundo do poço de suas opiniões infames. — O meu bebê não merece isso — ela pousa a mão na barriga enquanto senta. — Bebê? — Bash e Mary falam em coro surpresos. — É uma longa história, encaro-os. Mas acho que Winifred tem tempo suficiente para nos contar. . . . (Narração Anne) Gilbert puxa a linha de sua blusa enquanto me encara com o olhar vazio. Quem diria... A pouco estava tão radiante que enxergava sua alegria sem ao menos ele dizer. — Você deve me dizer a verdade — falo com a voz trêmula, sem saber se é devido ao frio ou ao nervosismo. — Eu não sei do que ela está falando — ele ergue os ombros. Sinto verdade. — Você jura que não se lembra de nada Gilbert? — pressiono-o. — Me lembro das noites que passei sem ter você Anne. — ele tenta pegar minha mão mas eu tiro antes que o toque aconteça — me lembro de como a brisa do vento à noite batia em meu rosto, e me lembro da lua refletida no mar — ele suspira — me lembro perfeitamente em decidir que voltaria para cá para ficar com você, minha Anne. Reviro os olhos. — Perguntei sobre suas noites calorosas no navio Gilbert, não sobre sua saudade de mim. — Estou lhe dizendo isso porque é a única coisa que aconteceu — ele me encara — a maior parte do tempo eu pensei em você. — E quando não estava pensando... — Eu estava sonhando — seu sorriso é manhoso. Condeno minha mente por querer perdoá-lo, e se ele estiver mentindo, posso garantir que ele faz isso muito bem. — Então, você está dizendo que é mentira dela? — o encaro. — Sim. — Sinto muito Gilbert, mas eu não consigo acreditar. — Pensei que o que sentimos poderia suportar tudo, até invenções e mentiras. — ele desvia o olhar — mas acho que não é forte o suficiente. É uma pena saber que tudo pode acabar por causa de uma invenção. — Talvez Gilbert, se for uma invenção isso possa ser consertado. Mas no momento estou decidida a não continuar. — O r**m é saber que se isso se resolver, pode ser tarde demais para nós. — Isso só o tempo irá dizer — falo — agora deixe-me descansar, acho que a noite foi tempestuosa demais e acabou tirando toda minha energia, sanidade, e etc. Ele se levanta e antes de sair, fala em sussurro. — Boa noite, ruivinha. Tento sorrir, penso em responder, mas quando ele sai, a única coisa que consigo fazer é cobrir minha cabeça e chorar... . . .
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR