Capítulo um

1392 Palavras
Sua Determinação dita o seu Destino. O céu era tão azul que me deixava extasiada, se eu voasse com certeza escolheria me perder naquela imensidão infinita. Springdale, uma cidade pequena, repleta de árvores contendo aproximadamente três mil habitantes, era fascinante, apesar da Ilha do príncipe Eduardo ser também. Eu precisava desse novo ar, precisava respirar, conhecer e explorar. Assim que a caminhonete parou, procurei por algo parecido com uma fazenda, o que foi em vão porque, paramos na guia alta de uma pequena casa bem desenhada, com cores neutras que perto de Green Gables era terminantemente sem graça. Encarei Marilla que sorria e Matthew decepcionado, o que eu entendo já que Green Gables era incrível. — Já podemos voltar? — Matthew disse quando desligou a caminhonete. — Pare de bobagens Matthew. — Marilla o repreende — apesar de eu concordar que isso não é nada parecido com a fazenda, mas pense bem, assim que você estiver melhor voltaremos para o nosso lar, se esforce para isso. — Bom, já que eu sou oficialmente uma Cuthbert, devo dizer que nosso lar sempre será onde nós três estivermos. Meu lar é vocês. Marilla sorri e Matthew também, ainda com um sorriso murcho e claramente cansado. — Vamos entrar — Marilla me empurra para descer. Fico parada de frente para o jardim um tanto sem vida, e Matthew leva a caminhonete em direção a garagem. Pego a chave da mão de Marilla e corro em direção a porta. Assim que coloco a chave na maçaneta, sinto um estalo e encaro Marilla. Minha alma sai do corpo por alguns instantes, sequer cheguei e já estou fazendo besteira. — Anne Shirley-Cuthbert — ela pega a minha mão — o que aconteceu com a chave? — Eu acho que... Puxo o objeto me deparando somente com metade em minha mão. A outra metade está presa dentro da fechadura. — O que houve? — chega Matthew com o olhar preocupado me encarando pois claramente sabe que eu fiz algo errado. — m*l chegamos e já temos problemas! — Oh céus me desculpe. — Faz tempo que não precisa chorar tanto para pedir desculpa Anne. Assinto enquanto penso em uma forma de resolver os problemas. — Já sei, podemos entrar pelos fundos. — O que os vizinhos pensarão? — Que somos ladrões? — Os vizinhos deveriam estar cuidando do próprio nariz. — Faz tempo que você sabe que os vizinhos não cuidam do próprio nariz e sim do nariz dos outros. — Green Gables era tão distante das pessoas, aqui é tão perto. Olho para a rua e observo uma linda casa, com um grande jardim; tinha uma cor azul bebê e suas colunas eram brancas. Era a casa mais linda que eu já tinha visto. Parecia um castelo. Agucei a visão até chegar na caixa de correio, onde continha uma plaquinha decorada com flores escrita "Casa dos Barry", uma caixa de correio com o nome em cima era bem antigo, mas ainda não perdia a sua essência divina. — Os Barrys são muito ricos — disse Marilla — conheci uma das pessoas que moram aí, parece que a filha mais velha dos Barrys estuda no colégio em que você vai estudar. Encaro Marilla, enquanto sou tomada por questionamentos. Como irei para o colégio com uma garota que nem conheço que mora em um casarão e provavelmente deve ser a pessoa mais esnobe do universo? Fiquei apavorada. — Vamos então, daqui a pouco irá escurecer e nós ainda nem conseguimos conhecer o lado de dentro. Damos a volta na casa e chegamos a porta dos fundos. — Me dê a chave Anne, antes que algo pior aconteça. Entrego a chave para Marilla que abre delicadamente a pequena porta de mogno. — Perfeito — ela diz. Sou a primeira a entrar, e me deparo com um cômodo grande com armários embutidos e uma gigante pia de mármore, percorro os olhos no espaço, o que era muito bem distribuído, observo um corredor e automaticamente já imagino nossas fotos espalhadas por ele em porta retratos dourados com detalhes coloridos. Passo no corredor e encontro um compartimento para colocar alimentos, ando mais um pouco estamos na sala, uma sala enorme já mobiliada com uma televisão de aproximadamente quarenta e duas polegadas. Perfeito! Ao chegar na sala, que claramente é a entrada da casa, me deparo com uma escada que leva para os quartos. Subo em um flash, em poucos segundos já estava no andar de cima. Tinha quatro quartos e um escritório. Daria tudo para que tivesse uma biblioteca, afinal, ler é tudo que eu mais amo no mundo. Entro em cada quarto, já tendo certeza que Marilla separou e mobiliou cada um conforme sua vontade, o que era injusto porque, eu em um quarto rosa era hilário. Mas não disse nada, para não magoá-la. — Mas, aqui tem um quarto a mais — digo — e está mobiliado... — encaro Marilla e Matthew que se entreolham. — Bom Anne, tem algo que não lhe contamos. — O que? — Um sobrinho nosso virá da França para fazer um intercâmbio. — O que? — fico irada — por que me disseram só agora? — Porque sabíamos que você não ia gostar muito. Mas pense Anne, poderá ter um amigo. — Eu não preciso de amigos, nunca precisei. — falo, mesmo sabendo que era uma mentira. Era meu sonho ter amigos. — Aqui é diferente de Avonlea. Acredite. Nesse mundo novo é necessário amigos para sobreviver. — Espero que ele não seja um paspalho. — Jerry é legal, você irá se identificar com ele. — Jerry é um nome bizarro. — Seja educada Anne, por favor. — Certo, tudo bem. Vou tentar me comportar, eu prometo. Entro em meu quarto que fica de frente para uma linda árvore. Caminho até a janela, e a abro, permitindo enfim que eu toque as folhas verdes e respire o ar puro. — Ao menos tenho você, árvore perfeitamente verde, irei chamá-la de Green Tree. Green tree é sem graça, eu sei. Mas o que fazer se ela é uma árvore perfeitamente verde? — Pare de brincar Anne e desça para pegar suas coisas. — Sim, já estou indo. . . . Eu estava pegando a última caixa, quando escutei risadinhas baixinhas vindas de trás do arbusto grande da casa ao lado. Deixo a caixa no chão, e caminho até o montante de folhas. — Quieta Minnie May! A garota irá nos encontrar. Dou a volta do arbusto e dou de cara com duas garotas que aparentemente me observavam. A mais velha se levanta, e a outra, permanece sentada no chão com a mão na boca claramente escondendo uma risada maldosa. — Olá — diz a garota — Meu nome é Diana Barry, sou sua vizinha da frente. Me viro para observar a casa, e depois torno a pousar meus olhos na garota mais baixa que eu, com roupas de marca e sorriso simpático, cabelos pretos, me lembra a branca de neve. — Me chamo Anne, por favor pronuncie com E no final. Ela sorri. — Certo Anne com E. Ela estende a mão em um cumprimento e eu faço o mesmo. — Minnie May estava rindo porque apostamos que você não aguentaria a última caixa. Foi um carregamento e tanto. — Minnie May — observo a garotinha que sem dúvidas era arteira — oi. — Oi — diz se levantando e em seguida, corre em direção a casa. — Ela é tímida para conhecer pessoas. — Mas não para caçoar dos outros. — A encaro. Diana fica sem graça e cruza os dedos em frente a barriga. — Estou brincando — digo — acho isso muito saudável principalmente nessa idade. A garota sorri como se estivesse aliviada. — Fiquei sabendo que você irá frequentar meu colégio. — As notícias correm rápido por aqui — falo sem graça — isso era trabalho da dona Rachel lá em Avonlea. — Se você quiser ir comigo. — ela diz — fica há alguns quarteirões daqui, sempre vou caminhando. — E que horas eu devo estar aqui? — Mais ou menos sete e meia, a aula começa às 8h. — Ok então Diana, foi um prazer conhecê-la. — O prazer foi meu Anne com E. — ela sorri — me passe o número do seu celular para que possamos conversar. — É que eu não tenho um celular, sabe, na ilha não era necessário. Ela morde o lábio inferior enquanto pensa um tanto perplexa. — Certo. Às vezes me questiono se é bom ou não ter um. — É o meu sonho ter um. — digo. — Acredite, tenho certeza que não demorará para ganhar um. Springdale é um pouco mais agitado que o lugar de onde veio, seus pais vão lhe dar um logo. — Obrigada pelo apoio — digo — então até amanhã Diana. — Até amanhã, Anne. . . .
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