MIRELA Eu não sei o que me deu. Na verdade, sei sim. Foi a raiva. Foi o nojo. Foi a sensação de ser descartada, substituída… como se o que rolou entre a gente não tivesse significado nada. Ele disse que ia jantar. Jantar. E quando vejo, tá pelado, sendo chupado por duas mulheres em cima do sofá. A porta fez um clac pesado atrás de mim, abafando o som de risadas e gemidos. A rua tava fria, deserta e úmida… parecia combinar com o que eu sentia por dentro. Enfiei as mãos no bolso do moletom, cabeça baixa, tentando não chorar. Mas por dentro, eu tava aos pedaços. “Garotinha”, foi o que alguém disse. Como se eu fosse uma criança atrapalhando a diversão dos adultos. Que ódio. Desci a rua andando rápido, com o coração batendo na garganta e a cabeça doendo de tanto pensar. Não sabia pra o

