Capítulo 6: Sob o Véu do Deserto

993 Palavras
Maria Clara A luz prateada da lua cheia banhava as cortinas de veludo do quarto nupcial, enquanto o ar se enchia com a luxúria do incenso de âmbar adocicado, misturado ao calor do meu próprio corpo. Ao mesmo tempo, era intrigante. Ajoelhada sobre o tapete persa, meu corpo tremia. O vestido esfarrapado jazia em desordem aos meus pés, e minha pele n***a brilhava sob a luz suave dos candelabros. Em silêncio, aguardei a próxima ordem. Ahmed entrou sem aviso, trajando apenas a túnica branca aberta até o peito, deixando o torso forte exposto. Aqueles músculos, aquela pele… O olhar azul dele atravessou o quarto e pousou em mim,me queimando, avaliando-me como se fosse a joia mais preciosa de seu tesouro. Senti o ventre apertar e o rosto corar; parecia que todo o ar havia sido sugado do meu corpo. — Levante-se — disse ele, cada palavra entalhada em pedra. Sua voz era calma, mas havia nela um imperativo que não ousava contestar. Obedeci, ergui-me de joelhos e cruzei as mãos na altura do peito, em postura de espera. Cada centímetro da minha pele sentia a brisa leve que entrava pelas frestas da janela arqueada, revelando o deserto silencioso lá fora. O tapete sob meus joelhos era macio, mas meu corpo doía de nervos à flor da pele. — Caminhe até a cama — ordenou ele, virando-se em direção às almofadas de veludo. — Devagar. Segui seus passos, ainda receosa, mas ao mesmo tempo rendida àquela atmosfera carregada de poder. Quando alcancei a beira da cama, ele se aproximou por trás, passando os dedos delicadamente pela curva dos meus ombros. O toque era frio como metal, e me fez estremecer. Me deixando arrepiada. — Olhe para mim — disse, posicionando-se à minha frente. Virei o rosto e deparei com seus olhos azuis hipnotizantes. Ele segurou meu queixo com o polegar e o indicador, puxando-o para trás. Meu coração acelerou e senti a necessidade de me justificar fisicamente: respirei fundo, aceitei o frio de seu toque e a tensão em seu olhar. — Você pertence a mim esta noite — prosseguiu, a voz baixando a um sussurro rouco. — Quero ouvir você dizer: “Sou sua, meu senhor”. O tom dele me fez corar até as raízes dos cabelos. Minha mente hesitou, mas meu corpo, embriagado pela atmosfera de dominação, se inclinou à vontade dele. Com a voz trêmula, sussurrei: — Sou sua, meu senhor. Ele sorriu, um sorriso lento que parecia devorar o silêncio. Andou até a escrivaninha de ébano e pegou uma venda de veludo n***o. Voltou até mim, meu coração atolado em cada batida. — Agarre o lençol — ordenou, recolhendo-me os braços com delicadeza firme. — Seus olhos só verão o que eu permitir. Fez-me fechar os olhos com a venda, e o mundo virou um labirinto de sons e texturas. Senti o couro suave tocar minha pele, e o som de nós apertando o lençol. As batidas do meu coração tornaram-se um tambor ritmado, dando passo ao próximo ato. Ele se aproximou por trás, suas pernas separando as minhas com precisão. O calor do seu corpo envolveu-me, e os lençóis formaram bolhas de ar enquanto ele se acomodava entre minhas coxas. Um gemido involuntário escapou da minha garganta. — Silêncio — ordenou, a boca junto ao meu ouvido. — Deixe o som vir de mim. Eu engoli a saliva e, apesar da vergonha que me queimava o rosto, tentei obedecer. Senti o toque frio da seda do robe dele deslizar pela pele do meu interior, acompanhando a linha da minha i********e. Meu corpo reagiu; a umidade se fez presente e escorreu como sinal de entrega. Ele não hesitou. Seu corpo pressionou-se contra o meu e, num movimento firme e intenso, ele me invadiu. A dor inicial me fez prender a respiração, mas logo o calor e a plenitude, quase dolorosa, que o preenchimento trazia, tomaram conta. Gemidos baixos escapavam dos meus lábios, misturados ao som seco do encontro dos nossos corpos. — Isso mesmo — murmurou ele, a voz como veludo rasgando o silêncio. — Você gosta de sentir-me dentro de você, não gosta? Quis negar, mas o corpo não mentia. Minha pele eriçada denunciava o prazer que crescia a cada impulso. Segurei o lençol com força, tentando controlar o turbilhão de sensações. Ele firmou o controle apertando minha cintura. Cada estocada do p*u duro seguia um ritmo metódico e implacável. As pernas dele tremiam com a força, e meus ossos ecoavam o impacto, intensificando o desejo por aquele calor dentro de mim. O quarto se encheu com o suor quente, o perfume intenso da minha pele e o dele, uma mistura de especiarias e desejo. — Grite meu nome — ordenou, a voz ficando mais áspera. Eu cerrei os dentes, venci a timidez e liberei: — Ahmed! Ao seu chamado, ele acelerou, e o mundo se desfez no ritmo de nossos corpos. A dor, o prazer e a submissão me dominaram. Meus gemidos me acompanhavam, e a venda preta me cegava, forçando-me a sentir cada toque em meu corpo. Finalmente, com um último impulso profundo, ele me trouxe ao ápice. Meu corpo se arqueou, e um grito ofegante emergiu, inundando o quarto com ecos de luxúria. Ele suspirou, ainda dentro de mim, e me segurou firme pelas costas, enquanto respirava pesado. — Muito bem — murmurou, num tom de aprovação. — Você se saiu bem para uma iniciante. Aos poucos, ele se retirou com cuidado e tirou a venda dos meus olhos. Fitei-o, o rosto corado, olhos marejados, ainda embriagada pela intensidade. Ele inclinou-se, beijou minha testa e sussurrou: — Agora sabe quem manda. E gosta disso, não é? Minha voz saiu num fio de ternura e rendição: — Sim, meu senhor… Naquele instante, imersa nas sombras e no perfume do incenso, compreendi que havia alcançado a fronteira exata entre a dor e o prazer. E, por mais que me esforçasse, jamais iria lutar contra esse desejo..
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