Ao contrário do que todo mundo pensava, Amália não odiava as pessoas. Ela não se importava o suficiente com elas para tanto. Ela odiava os obstáculos em seu caminho. E nunca teve melindre em fazer o que era preciso para limpar a sujeira. Amália também odiava a pobreza. E essa, ela conhecia muito bem. Nasceu em um barraco frio e sujo, com um bêbado que por muito tempo acreditou que fosse seu pai, uma mãe que fazia qualquer coisa para trazer comida para casa e irmãos desnutridos e catarrentos. Normalmente uma criança não percebe a própria pobreza até certo ponto da vida. Amália sempre percebeu. E sempre soube que estava em uma posição onde acabaria por seguir os passos da mãe e vender o próprio corpo para conseguir comida. A primeira vez que precisou limpar a sujeira em seu caminho foi de

