6. Apenas Um Sonho

2836 Palavras
Astrea se amaldiçoou internamente. Ele sabia que ela estava aqui o tempo todo! Ele já estava desconfiando dela. Ela precisava de um plano completamente novo, mas, infelizmente, não conseguia pensar em nada no calor do momento. No entanto, não havia tempo para pensar, e a confiança era a chave para tudo. Fenrir ainda estava parado perto do fogo, com as mãos atrás das costas, todo o corpo mostrando força e poder. Ele estava esperando pelo próximo movimento dela. E ela decidiu não decepcionar. Astrea abriu as cortinas rapidamente com as duas mãos, o tecido fluindo à sua volta, revelando seu corpo coberto por um negligê caro e transparente e mantendo o queixo erguido como se não estivesse com as mãos na massa. Fenrir lentamente virou-se para encará-la, e ela podia jurar que seus olhos brilhantes escureceram enquanto ele xingava em voz baixa, a mandíbula se apertando ao mesmo tempo em que a observava. A peça que ela vestia m*l escondia qualquer coisa de seu olhar que estava ficando cada vez mais selvagem a cada minuto. Da mesma forma que a temperatura do quarto parecia aumentar. "Você só pode estar brincando comigo!" Ele rosnou, e o canto dos lábios dela se curvou ligeiramente. "Meu rei!"Ela fez uma reverência, e ele estava ao lado dela num piscar de olhos, o peito arfando, mas para surpresa dela, ele não tentou tocá-la. Pode-se dizer que quando uma mulher entra no quarto de um homem tarde da noite vestida assim, só pode haver uma coisa que ela quer. Ele tinha que assumir isso. Qualquer pessoa assumiria isso. "O que você pensa que está fazendo?" Ele rosnou, seu corpo emitindo calor. "O que parece que estou fazendo?" Ela lhe deu o sorriso mais sedutor de seu arsenal. Ela era relativamente boa em flertar. Seu professor se certificou de que ela tivesse sucesso nisso, mas essa era a extensão de suas missões. Geralmente, nada mais era necessário. Mesmo quando ela foi enviada para as Provas Lunares, sua tarefa não era seduzir o Rei do Norte. Ela tinha que ficar lá o máximo de tempo possível e relatar o que estava acontecendo no castelo, informações que não eram de conhecimento público. No entanto, hoje ela estava encurralada da pior maneira possível. Presa sem saída. "Parece que você entrou no quarto errado." Fenrir gentilmente deu-lhe uma saída, o que a confundiu mais, fazendo com que suas sobrancelhas se franzissem. Por que ele diria isso? Não seria a conclusão mais lógica que ela veio aqui para se oferecer a ele? A sugestão dele a deixou com raiva, e ela desejou fazê-lo se arrepender de suas palavras, mesmo que ela não planejasse dormir com ele no final. "Ah, você me pegou!" Ela riu. "Eu estava procurando o quarto de Devoss. É para lá naquela direção no corredor, certo?" Ela passou por esse monte de homem, mas ele segurou seu braço, puxando-a para perto. Ela esbarrou em seu peito, sentindo cada saliência de seus músculos sob a camisa que agora os separava. "Devoss não gosta de mulheres." Fenrir se inclinou para informá-la, sua respiração fazendo cócegas em sua pele, provocando arrepios. Seu cheiro incomum de cedro e fumaça os envolveu, e Astrea fechou os olhos por um segundo, inalando profundamente. Brasas de cedro ardentes vieram à sua mente, e quando ela abriu os olhos, viu faíscas de fogo cintilando em suas íris. Como se uma chama prestes a morrer estivesse começando a queimar com força renovada. "Bash vai servir, então." Ela sussurrou, ciente da proximidade deles muito bem. Fenrir não gostou das palavras dela porque as chamas em seus olhos se intensificaram. Como se fossem reais e não apenas uma ilusão de ótica de algum tipo. "Nenhum deles vai tocar em você." Fenrir a avisou, e ela inclinou a cabeça de brincadeira, arqueando a sobrancelha. "Posso saber o por quê?" Astrea provocou, passando os dedos pelo peito dele, o que o fez respirar fundo. Ele parecia m*l se segurando. "Porque eu disse." A voz de Fenrir retumbou pela sala, fazendo algo com ela. Algo que ela ainda não conseguia explicar. "Por que você diria isso?" Ela soltou uma risada, percebendo que ele ainda estava segurando seu pulso como refém. "Nós m*l nos conhecemos. Por que você se importa?" Ela sabia que provavelmente era devido ao fato de que ele não podia confiar nela e a considerava a espiã que ela realmente era. No entanto, ele evitou a resposta direta. "E por que você veio ao meu quarto?" Ele levantou a sobrancelha para ela. "Não é óbvio?" Ela riu, se tornando cada vez mais ousada e se permitindo roçar os dedos na ponta da barba cuidadosamente aparada dele. O cabelo áspero picou sua pele, mas a sensação parecia familiar. E agradável. "Fale mais sobre isso." Fenrir não parecia prestes a soltá-la. "Eu vim para conhecê-la melhor, é claro!" Astrea sorriu para ele, pensando que essa seria sua última gota. "Cuidado com o que deseja!" Ele a alertou novamente, puxando-a para mais perto quando era claramente a hora de afastá-la. Se ele quisesse, é claro. "Eu não me limito quando sonho." Ela confessou e se viu presa em seus braços quando tentou se distanciar de brincadeira. O desonesto diante dela estava observando suas tentativas patéticas com algum tipo de diversão. "Nem eu." Fenrir admitiu logo antes de seus lábios se esmagarem nos dela da maneira mais desavergonhada. Suas mãos percorreram seu corpo imediatamente, apenas a seda fina o impedindo de acariciar sua pele nua. Isso não a assustou, no entanto. Era perfeito. Para o plano, é claro. Não em geral. Ela formou um novo plano, afinal. No entanto, cada giro de sua língua em sua boca a fez esquecer o que ela veio fazer aqui, e logo Astrea se viu entrelaçando suas mãos em volta do pescoço dele, entrelaçando seus dedos em seu cabelo macio e respondendo ao beijo com todo o seu corpo, algumas de suas reações fisiológicas uma surpresa completa para ela. Como o calor que se acumulava em seu núcleo. Ela conhecia a anatomia. Ela sabia o que esperar, no entanto... Astrea nunca se sentiu assim antes, apesar de este não ser seu primeiro beijo. Algo sobre este homem rude que ela tinha acabado de conhecer despertou uma parte dela que ela não sabia que existia. Essa parte não queria brincar ou fingir. Queria experimentar. Interrompendo o beijo, Fenrir agarrou o cabelo na parte de trás da cabeça dela e puxou para ter melhor acesso ao pescoço delicado, roçando os lábios sobre ele em uma carícia torturante que a fez choramingar suavemente. "Última chance para parar." Ele a avisou, parando apenas na clavícula dela, suas respirações irregulares e os olhos fixos um no outro. Ela podia sentir o fervor irradiando do corpo dele, seu cheiro intensificado por algum motivo, e ela se viu balançando a cabeça antes que a resposta agraciasse seus lábios. "Onde estaria a diversão nisso?" Uma resposta inocente, e desfez algo em Fenrir, quebrando o último obstáculo entre eles. "Como quiser." Ele agarrou sua cintura, levantando-a como se ela não pesasse nada. Astrea envolveu suas coxas em volta do tronco dele, desabotoando sua camisa enquanto ele caminhava até a cama. Ela precisava dos botões intactos, mas no momento em que conseguiu tirar a maldita camisa dele com a ajuda dele, ela parou. Seus ombros estavam cobertos com antigas tatuagens rúnicas em padrões intrincados, mas o que chamou sua atenção foram as cicatrizes. A tempos atrás, o homem na frente dela foi brutalmente torturado e ferido por um sádico. Porque... Era difícil deixar cicatrizes em um metamorfo. Quase impossível. Quem fez isso com ele provavelmente deixou essas cicatrizes intencionalmente. Além disso, ele teve que se esforçar muito para deixá-las. Muito. "Olhos em mim." Fenrir ordenou, e ela obedeceu, saindo do transe. Seus lábios se curvaram quando ela se lembrou de que estava ali para jogar um jogo. Isso não era pessoal, e nada disso era real. Ela tinha que se lembrar disso. "Como você desejar, meu rei." Ela sorriu para ele e antes que pudesse dizer mais algo, ele a silenciou com um beijo, a colocando em sua cama e prendendo suas mãos no colchão. Ela podia sentir o desejo pulsante dele. A protuberância proeminente em suas calças era difícil de não notar, mas... Nada disso parecia tão terrível como ela esperava. Na verdade, ela se pegou gostando de ser desejada dessa forma. Havia algo em Fenrir que a atraía. Era difícil resistir a ele e não aproveitar isso. "Tanto tempo..." Ele murmurou enquanto sua mão deslizava pela coxa dela para levantar o tecido sedoso. Ela podia sentir seu rosnado interno quando finalmente seus dedos tocaram sua pele. Ele os moveu para apertar seu traseiro com avidez e gemeu contra sua boca. Ele a deixou esperar um momento quando queria desabotoar o cinto, mas nesse momento Astrea tomou a iniciativa e, com um movimento rápido de suas coxas treinadas, o rolou ao lado dela, sentando-se sobre ele, o deixando chocado. "Gosto de estar no controle." Ela lhe lançou um sorriso malicioso e recebeu um grunhido de aprovação como resposta. "Pequena ameaça! Você é um Perigo!" Ele rosnou e segurou sua b***a, apertando-a enquanto se levantava, incapaz de se afastar dela nem por um momento. Não havia mais palavras, nem pausas para respirar, apenas suas mãos explorando o corpo dela e seus gemidos porque, apesar de todo o seu treinamento, ela não conseguia contê-los. Não com ele. Fenrir puxou a alça da camisola dela até a cintura e imediatamente agarrou um de seus m*****s rígidos com a boca, faminto por sua carne. Astrea se arqueou para ele, perdida em todas as novas sensações. Tinha que parar. Ela tinha que parar. Isso não era real. Estava indo longe demais. Ele não era um homem. Ele era uma missão. Só que ela não queria ouvir aquela voz racional em sua cabeça. Nem a Nova queria. A loba dela estava absolutamente tranquila com tudo o que estava acontecendo, e isso era estranho. Ela cravou as unhas em sua pele, e ele soltou seu seio, acariciando o outro com a mão. Eles se olharam apenas por um momento... "Você não deveria ter vindo." Ele disse, a voz rouca e mais profunda do que o normal. "Eu sei." Ela respondeu, e suas línguas se encontraram novamente. Bom. Era tão bom que ela decidiu não parar. Talvez fosse uma decisão estranha ter sua primeira vez com um completo estranho, mas pelo menos ela sabia que seria bom. Astrea sabia que se parassem agora, ela seria a que se arrependeria disso. Ele voltou sua atenção para o pescoço dela, sugando sua pele delicada nos lugares certos. Isso a deixava animada rapidamente, porque ela sabia que ele estava se movendo para o lugar onde ele deixaria uma marca ao lado de sua clavícula, um lugar tão sensível que ela m*l podia esperar para senti-lo lá. A antecipação era quase tão boa quanto o que ele estava fazendo. Sua língua enviou ondas de arrepios por todo o corpo dela, e ela fechou os olhos, pronta para aproveitar tudo o que ele tinha a oferecer, mas no próximo momento, uma dor aguda e ardente percorreu seu corpo, trazendo-a de volta à realidade. Astrea gritou nos braços de Fenrir, seu corpo frágil tremendo. Ele parou imediatamente, seus olhos escuros procurando a resposta para sua pergunta não verbalizada em seu rosto. Astrea desejava poder dizer alguma coisa. Quando os lábios dele deixaram sua pele, a dor parou imediatamente, mas ela podia sentir a serpente apertando seu pescoço agora, sufocando-a. Ela não conseguia respirar. Mas, dessa vez, por uma razão completamente diferente. "Você está...", Fenrir parecia tão preocupado que a culpa atingiu o coração dela quando ela se inclinou para beijá-lo, mexendo os quadris para que ele sentisse seu volume, na esperança de distraí-lo do que realmente estava acontecendo. A serpente estava controlando ela. Seu professor estava controlando ela. A Serpente. As mãos de Fenrir voltaram a acariciá-la rapidamente e Astrea pegou o broche de flores que ainda prendia o topo de seu cabelo. Uma coisinha delicada com uma agulha venenosa dentro. Ela não pensou duas vezes, esfaqueando Fenrir no pescoço com isso. A dose concentrada poderia derrubar três homens enormes. Tinha que ser o suficiente para ele dormir até de manhã. E para ela sair daqui. Se ele sentiu a injeção, não se abalou, mas sua mão apertou em volta do pescoço dela enquanto olhava nos olhos dela com o mesmo desejo e anseio que teve durante todo o tempo que ela esteve aqui. "Esse tattoo de cobra não combina com você!" Ele gemeu e então a empurrou de volta para a cama, ficando sobre ela. "Eu também não gosto das suas tatuagens!" Astrea estreitou os olhos vingativamente para ele. Ela não gostava nem um pouco da serpente em sua pele, mas ela também não tinha o hábito de deixar homens criticarem ela por qualquer motivo. "Mentira!" Fenrir riu e piscou, abaixando o rosto para beijá-la novamente. Ela queria afastá-lo quando o jogo parou de ser engraçado, mas para sua própria surpresa, a droga finalmente fez efeito, e no segundo seguinte ela sentiu o corpo inteiro de Fenrir caindo em cima dela, prendendo-a na cama enquanto ele desmaiava em cima dela. "Fenrir?" Ela o chamou apenas para garantir que a droga funcionou. "Fenrir, você está bem?" Nenhum som. O Rei dos Renegados era tão pesado que por alguns minutos ela se debateu embaixo dele impotente. Ele era tão quente e cheirava tão bem que ela quase lamentou interromper o que estava acontecendo entre eles. No entanto, sua tarefa estava clara, e isso não poderia estar acontecendo. Ela tinha que sair daqui, e tinha que parecer como se nunca tivesse estado aqui. Segurando uma das colunas da cama, ela usou toda a força do seu corpo para se libertar, empurrando-o com o pé para virá-lo de costas. Cuidadosamente, ela o examinou, chegando à conclusão de que a droga funcionou exatamente como deveria. Em seguida, ela teve que apagar todos os rastros dela aqui, começando pelo próprio rei. Embora ela tentasse controlar seu cheiro, ele ainda estava por todo ele por causa da proximidade que tiveram segundos atrás. Astrea puxou sua camisola novamente e olhou ao redor, seus olhos pousaram em um armário cheio de álcool. "Bingo!" Ela sorriu para si mesma e pegou duas garrafas e uma camiseta que encontrou pendurada em uma das cadeiras. Ela abriu as garrafas e começou a borrifar álcool ao redor, sabendo que isso iria neutralizar qualquer traço fraco do seu odor que ela deixou para trás. Depois, ela derramou um pouco na camiseta e voltou para o rei. Rapidamente e tentando não olhar demais, ela limpou o peito dele com o pano embebido em uísque, fazendo apenas uma pausa quando chegou a uma cicatriz bem onde estava o coração dele. As feridas dele eram estranhas! Ela ouviu alguns barulhos lá fora e decidiu se apressar, borrifando o restante da garrafa sobre a cama e depois colocando-a na mão de Fenrir. Quando ele acordasse, ele teria certeza de que simplesmente ficou bêbado, e se ele se lembrasse de algo sobre ela, ele pensaria que foi um sonho. "Perigo." Ele murmurou, e ela ficou preocupada que a droga não foi forte o suficiente para ele. Ela tinha que sair daqui rapidamente. "É apenas um sonho, Fenrir." Ela sussurrou em seu ouvido. "Um sonho." Ele não respondeu, e ela suspirou aliviada. Por último, mas não menos importante, ela voltou para a lareira e jogou a camiseta no fogo, garantindo que tudo se incendiasse. Ela verificou se o grampo de cabelo estava no lugar e então tentou a janela pela qual entrou no quarto novamente. Para sua surpresa, desta vez, as persianas abriram facilmente, e ela voltou para o telhado em pouco tempo, rezando para não deixar nada que pudesse entregá-la no quarto de Fenrir. Ela também não ficou muito tempo em seu quarto, pegando suprimentos para o banho e indo para os chuveiros. Afinal, o meio da noite era provavelmente o melhor momento aqui. Ela se limpou completamente, se livrando do odor do renegado em sua pele. Então ela lavou sua camisola de seda pelo mesmo motivo, e só então conseguiu voltar e finalmente descansar bem. Sem provas. *** Pela manhã, Astrea acordou com o barulho do telefone. O identificador de chamadas fez ela engolir em seco, e ela respondeu imediatamente porque sabia que era melhor não fazer seu Professor esperar. “Libélula.” A Serpente a cumprimentou, sua voz mais fria do que o normal, o que já era um mau sinal por si só. “Professor.” Ela murmurou, enxugando os olhos. “Não.” Ele respondeu, alongando a palavra como se fosse um jogo. “Tente novamente.” “Joran.” Ela se lembrou do novo acordo deles e saiu da cama, procurando um roupão para jogar por cima do seu camisão. Ela passou pelo espelho enquanto caminhava em direção a uma das malas e congelou quando viu sua reflexão nele. “c*****o!” Astrea praguejou alto, esquecendo que ainda estava na linha...
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