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1170 Palavras

Cobra Narrando A vida no morro é um ciclo sem fim de corre, grana e problema. Depois de sair da casa da minha mãe, com a cabeça fervendo por causa das teimosias dela, desci a viela rumo à boca. O som das crianças brincando misturado com o batuque distante do samba tocando de manhã na casa de algum morador era o fundo sonoro do Santa Marta. Mas minha mente tava longe, rodando na merda que minha mãe aprontou. O portão da boca abriu com aquele rangido de ferrugem, e os olhares dos soldado logo se voltaram pra mim. Não precisei falar nada, só aquele olhar já mandava o recado: hoje não tô pra papo. Passei direto, subindo a escada apertada até a sala onde o Berrete tá sempre encostado, fumando o baseado dele e cuidando das contas. — E aí, Cobra? — ele disse, soltando a fumaça devagar, o olhar

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