LINHA CRUZADA

465 Palavras
A porta m*l tinha fechado. E ele já estava atrás dela. Não houve aviso. Não houve palavra. Só necessidade. Leon a puxou. Forte. Como se tivesse esperado tempo demais. E beijou. Sem controle. Sem espaço pra dúvida. Fome. A mesma de anos atrás. Morgana não recuou. Não hesitou. Cedeu. Se entregou como quem também lembrava. Como quem também sentia falta. O mundo ao redor perdeu forma. A noite engoliu tudo. E só restou aquilo. A familiaridade perigosa. O erro conhecido. Ele a ergueu com facilidade. Como se já soubesse exatamente o peso dela. Como se o corpo lembrasse antes da mente. A colocou na cama. Delicado. Mas apressado. Fome demais pra ser lento. As mãos encontraram o caminho sem pedir. Roupas sendo deixadas pra trás. Mas não de qualquer jeito. Cuidado. Sempre que os dedos encontravam o ferimento dela. Sempre que o corpo lembrava que, apesar de tudo… ela ainda era frágil ali. E então… o tempo parou. Não existia mais nada. Nem casa. Nem família. Nem guerra. Só eles. Só o que sempre existiu. Só o que sempre foi negado. E agora… finalmente livre. As mãos dela nas costas dele. Arranhando. Marcando. Como se precisasse sentir que era real. Como se precisasse deixar aquilo nele. Ele respondeu. Não com palavras. Nunca com palavras. Mas com presença. Com domínio. Com marcas deixadas onde ninguém mais veria. Discretas. Só dela. Só pra lembrar. O quarto inteiro virou espaço. Parede. Cama. Ar. Tudo servia. Tudo sustentava. Porque nenhum dos dois queria parar. Nem diminuir. Nem pensar. Era fome. Era saudade. Era poder. Era tudo que eles seguraram por anos… explodindo de uma vez. Sem culpa naquele momento. Sem consequência. Só necessidade sendo finalmente atendida. Como se o corpo implorasse por isso há tempo demais. E quando veio o silêncio… não foi vazio. Foi completo. Pesado. Satisfeito. Eles ficaram ali. Próximos. Respiração ainda descompassada. E então… sem perceber… adormeceram. Lado a lado. Como antes. Como se o tempo tivesse voltado. Como se nada tivesse mudado. 🩸 MANHÃ A luz entrou sem pedir. Fria. Crua. Real. Morgana acordou primeiro. Ficou parada por um segundo. Sentindo. Lembrando. E então… vestiu a máscara. Levantou. Calma. Controlada. Como sempre. Leon acordou logo depois. Os olhos foram direto nela. Silêncio. Pesado. — Foi só uma noite. Ela disse. Direto. Sem emoção. Sem espaço. Ele sustentou o olhar. Por um segundo a mais. — Só. Respondeu. Mentira. Os dois sabiam. Mas aceitaram. Porque era mais fácil. — Nada muda. Ela completou. Ele assentiu. — Nada. Mas o silêncio… entregava tudo. Ela passou por ele. Perto o suficiente. Pra lembrar. Pra marcar. E saiu. FINAL O quarto ficou vazio. Mas não limpo. Porque algumas noites… não acabam. Ficam. Na pele. Na memória. No que não foi dito. E no que… nunca mais vai ser igual.
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