Quando o Medo Bate à Porta A casa tinha voltado ao seu ritmo natural. Samuel dormia tranquilo no berço, a respiração mansa, o rostinho sereno depois do susto que tinha deixado todos de coração apertado. Lúcia passava a mão de leve pelos cabelos do filho sempre que entrava no quarto, como se precisasse confirmar que estava tudo bem. Adrian observava de longe, em silêncio, com aquele amor que não precisava mais ser dito — só vivido. Margarida também parecia mais leve. O susto com a febre tinha passado, e a sensação de dever cumprido a deixava orgulhosa. Ela tinha cuidado de Samuel como prometera a si mesma: com atenção, carinho e responsabilidade. Mesmo assim, o medo ainda ecoava no peito — medo de errar, de falhar, de não ser suficiente. Naquela tarde, enquanto organizava a cozinha, o c

