Manhãs que Constroem um Lar A manhã nasceu devagar naquela casa nova, como se respeitasse o ritmo delicado que agora governava tudo. A luz do sol atravessava as cortinas claras da sala, desenhando sombras suaves no chão. O silêncio não era vazio; era cheio de significados novos, interrompido apenas pelo som baixinho da respiração de Samuel. Lúcia estava sentada no sofá, com o filho acomodado no colo. O pequeno mexia as mãos, ainda meio sonolento, procurando conforto no calor do corpo dela. Ela o observava com atenção, cada detalhe sendo guardado na memória como algo precioso demais para ser esquecido: os cílios claros, o nariz pequeno, o jeito tranquilo. Na cozinha, Adrian preparava a mamadeira com um cuidado quase cerimonial. Conferia a temperatura, mexia devagar, testava uma gota no p

