Capítulo 12

1074 Palavras
💥 O Risco Final: Formosura à Noite ​Adrian estava inquieto no escritório vazio. A ligação da mãe o tinha desestabilizado. A ideia de "Luna" e sua mãe juntas no mesmo lugar, em um jantar, parecia uma peça de teatro cômica prestes a se tornar um drama. Ele precisava de ar. Precisava de uma distração. ​Ele pegou o celular e ligou para o único homem que parecia saber tudo e nada sobre o rancho, a cidade e a vida simples: Ramires. ​📞 A Ligação Inesperada ​Lúcia estava deitada, quase dormindo, o celular vibrando na mesinha de cabeceira. ​— Alô? — ela atendeu, com a voz um pouco mais grave, de Ramires. ​— Ramires, sou eu, Adrian. — A voz dele estava tensa, impaciente. — Estou aqui no rancho ainda. Preciso sair. Ir para Formosura. ​— Formosura? A essa hora? — Lúcia piscou. ​— Sim. Preciso esfriar a cabeça. E você conhece a cidade. Onde a gente pode… ir para beber e esquecer os problemas? Sei lá, estou estressado. ​Lúcia engoliu em seco. Ela sabia exatamente onde ele queria ir, mesmo que não dissesse. A fama da "Casa das Primas" — o bordel de Formosura — era notória. Ramires tinha ido lá, sim, mas como uma pesquisa de campo para manter as aparências e, bem, fazer amizade com as moças que eram suas vizinhas distantes. ​— Certo, Ramires. Eu te busco em dez minutos. Mas sem extravagância, patroa... quer dizer, patrão. ​— Dez minutos. Sem falta. ​Ela desligou. Deu um salto da rede. O nervosismo do jantar com Dona Margarete se misturou com essa nova ameaça. Sair como Ramires, à noite, com Adrian, para um lugar que exigia a máxima performance de masculinidade. ​🚗 No Caminho para a Tentação ​Ramires (Lúcia) estava ao volante da caminhonete do rancho, o chapéu bem posto. Adrian estava tenso no banco do passageiro. ​— Para onde estamos indo exatamente, Ramires? — Adrian perguntou, a voz baixa. ​— Para onde o senhor for se sentir mais à vontade, patrão. — Lúcia respondeu, mantendo a voz monótona e respeitosa. — Mas se o senhor quer beber e conhecer o lado mais… caloroso de Formosura, só tem um lugar. ​— É aquele lugar que chamam de… ​— A Casa das Primas — Lúcia completou, sem rodeios. — As moças de lá são gente boa. Elas têm a discrição que o senhor precisa. ​Adrian ficou em silêncio por um momento, olhando para a escuridão da estrada. ​— Você já foi lá, Ramires? ​Lúcia sorriu, um sorriso que ele não viu, mas percebeu no tom de voz. ​— Patrão, aqui no interior, antes de casar, todo homem tem que ir. E depois, também. Mas eu vou lá para jogar conversa fora. Gosto mais do papo que da… — Ela deu uma pausa proposital. — Deixa pra lá. ​A mentira escorreu fácil. Ela esperava que ele entendesse: Ramires é um homem experiente, mas discreto, que não vai julgar o patrão. ​— Certo. Vamos para lá, então. ​💃 A Casa das Primas ​O lugar era discreto por fora, mas vibrante por dentro. Música alta, cheiro de perfume e cerveja barata. Adrian se encolheu um pouco, desconfortável. Ramires, por outro lado, parecia em casa. Ele cumprimentou as moças na porta com um aceno familiar. ​— E aí, Patrícia? ​— Ramires! Que surpresa. Quem é o gato que está com você? — a mulher, com um vestido brilhante, sorriu de forma convidativa. ​— Meu patrão. Ele está só de passagem. ​Patrícia deu a Adrian o sorriso mais profissional. ​— Seja bem-vindo. ​Eles se sentaram num canto escuro. Adrian pediu a bebida mais forte. Lúcia pegou uma cerveja, tomando-a com a rusticidade calculada de Ramires. ​— O que está te incomodando, patrão? — Lúcia perguntou. ​Adrian bebericou a dose de uma vez. ​— Minha mãe. Ela quer conhecer… Luna. ​Lúcia quase deixou a garrafa cair. ​— A assistente? ​— Sim. Ela a convidou para jantar amanhã. E eu não sei como evitar. Minha mãe é como um faro. Ela vai… sentir algo. ​Lúcia forçou uma risada rouca, de Ramires. ​— Se acalma, patrão. É só um jantar. Luna é esperta. Ela vai dar um jeito de parecer a assistente perfeita. E sua mãe… não vai nem desconfiar. ​— É fácil para você falar — Adrian murmurou. — Ela é quase… mágica no trabalho. E eu tenho tido uns… sonhos estranhos. ​Lúcia sentiu o calor subir. ​— Sonhos? ​— Sim. Com os olhos dela. Os olhos da Luna. — Adrian olhou para Lúcia, com o olhar levemente embriagado. — Ramires, me diz uma coisa, como você separa o que você quer do que você tem que fazer? ​Lúcia teve que respirar fundo. Adrian estava vulnerável, no limite. ​— Patrão, a gente não separa. A gente só… não deixa um atrapalhar o outro. O que o senhor quer... o senhor pega em outro lugar. — Ela gesticulou para as moças. — O que o senhor tem que fazer... o senhor resolve no dia seguinte, de cabeça fria. ​Ela o estava aconselhando a buscar distração física para esquecer Luna. Era a coisa mais Ramires que ela poderia dizer. ​— É… talvez você tenha razão. ​Adrian parecia estar decidindo. Uma das moças, com um sorriso gentil, se aproximou da mesa. ​— Querem mais alguma coisa, rapazes? ​Adrian olhou para ela, depois para Lúcia, e balançou a cabeça. ​— Não, obrigado. Acho que já vi o que precisava. Ramires, vamos embora. ​O alívio de Lúcia foi imenso. ​🏡 De Volta ao Rancho ​No silêncio da noite, Adrian desceu do carro, cambaleando levemente. ​— Obrigado, Ramires. Você… é um bom amigo. ​— Por nada, patrão. ​— E Ramires? — Adrian se virou. — Não conta para a Luna sobre onde me levou hoje, tá? ​Lúcia sorriu, o sorriso sincero e descontraído de Ramires. ​— Não se preocupe, patrão. Eu sou o túmulo. ​Ela se afastou, sentindo o peso do terceiro risco. Não só ela tinha o jantar de amanhã para se preocupar, mas agora tinha Adrian acreditando que precisava de uma distração noturna para esquecer a assistente. ​O jogo estava ficando perigoso... e delicioso.
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