💥 O Risco Final: Formosura à Noite
Adrian estava inquieto no escritório vazio. A ligação da mãe o tinha desestabilizado. A ideia de "Luna" e sua mãe juntas no mesmo lugar, em um jantar, parecia uma peça de teatro cômica prestes a se tornar um drama. Ele precisava de ar. Precisava de uma distração.
Ele pegou o celular e ligou para o único homem que parecia saber tudo e nada sobre o rancho, a cidade e a vida simples: Ramires.
📞 A Ligação Inesperada
Lúcia estava deitada, quase dormindo, o celular vibrando na mesinha de cabeceira.
— Alô? — ela atendeu, com a voz um pouco mais grave, de Ramires.
— Ramires, sou eu, Adrian. — A voz dele estava tensa, impaciente. — Estou aqui no rancho ainda. Preciso sair. Ir para Formosura.
— Formosura? A essa hora? — Lúcia piscou.
— Sim. Preciso esfriar a cabeça. E você conhece a cidade. Onde a gente pode… ir para beber e esquecer os problemas? Sei lá, estou estressado.
Lúcia engoliu em seco. Ela sabia exatamente onde ele queria ir, mesmo que não dissesse. A fama da "Casa das Primas" — o bordel de Formosura — era notória. Ramires tinha ido lá, sim, mas como uma pesquisa de campo para manter as aparências e, bem, fazer amizade com as moças que eram suas vizinhas distantes.
— Certo, Ramires. Eu te busco em dez minutos. Mas sem extravagância, patroa... quer dizer, patrão.
— Dez minutos. Sem falta.
Ela desligou. Deu um salto da rede. O nervosismo do jantar com Dona Margarete se misturou com essa nova ameaça. Sair como Ramires, à noite, com Adrian, para um lugar que exigia a máxima performance de masculinidade.
🚗 No Caminho para a Tentação
Ramires (Lúcia) estava ao volante da caminhonete do rancho, o chapéu bem posto. Adrian estava tenso no banco do passageiro.
— Para onde estamos indo exatamente, Ramires? — Adrian perguntou, a voz baixa.
— Para onde o senhor for se sentir mais à vontade, patrão. — Lúcia respondeu, mantendo a voz monótona e respeitosa. — Mas se o senhor quer beber e conhecer o lado mais… caloroso de Formosura, só tem um lugar.
— É aquele lugar que chamam de…
— A Casa das Primas — Lúcia completou, sem rodeios. — As moças de lá são gente boa. Elas têm a discrição que o senhor precisa.
Adrian ficou em silêncio por um momento, olhando para a escuridão da estrada.
— Você já foi lá, Ramires?
Lúcia sorriu, um sorriso que ele não viu, mas percebeu no tom de voz.
— Patrão, aqui no interior, antes de casar, todo homem tem que ir. E depois, também. Mas eu vou lá para jogar conversa fora. Gosto mais do papo que da… — Ela deu uma pausa proposital. — Deixa pra lá.
A mentira escorreu fácil. Ela esperava que ele entendesse: Ramires é um homem experiente, mas discreto, que não vai julgar o patrão.
— Certo. Vamos para lá, então.
💃 A Casa das Primas
O lugar era discreto por fora, mas vibrante por dentro. Música alta, cheiro de perfume e cerveja barata. Adrian se encolheu um pouco, desconfortável. Ramires, por outro lado, parecia em casa. Ele cumprimentou as moças na porta com um aceno familiar.
— E aí, Patrícia?
— Ramires! Que surpresa. Quem é o gato que está com você? — a mulher, com um vestido brilhante, sorriu de forma convidativa.
— Meu patrão. Ele está só de passagem.
Patrícia deu a Adrian o sorriso mais profissional.
— Seja bem-vindo.
Eles se sentaram num canto escuro. Adrian pediu a bebida mais forte. Lúcia pegou uma cerveja, tomando-a com a rusticidade calculada de Ramires.
— O que está te incomodando, patrão? — Lúcia perguntou.
Adrian bebericou a dose de uma vez.
— Minha mãe. Ela quer conhecer… Luna.
Lúcia quase deixou a garrafa cair.
— A assistente?
— Sim. Ela a convidou para jantar amanhã. E eu não sei como evitar. Minha mãe é como um faro. Ela vai… sentir algo.
Lúcia forçou uma risada rouca, de Ramires.
— Se acalma, patrão. É só um jantar. Luna é esperta. Ela vai dar um jeito de parecer a assistente perfeita. E sua mãe… não vai nem desconfiar.
— É fácil para você falar — Adrian murmurou. — Ela é quase… mágica no trabalho. E eu tenho tido uns… sonhos estranhos.
Lúcia sentiu o calor subir.
— Sonhos?
— Sim. Com os olhos dela. Os olhos da Luna. — Adrian olhou para Lúcia, com o olhar levemente embriagado. — Ramires, me diz uma coisa, como você separa o que você quer do que você tem que fazer?
Lúcia teve que respirar fundo. Adrian estava vulnerável, no limite.
— Patrão, a gente não separa. A gente só… não deixa um atrapalhar o outro. O que o senhor quer... o senhor pega em outro lugar. — Ela gesticulou para as moças. — O que o senhor tem que fazer... o senhor resolve no dia seguinte, de cabeça fria.
Ela o estava aconselhando a buscar distração física para esquecer Luna. Era a coisa mais Ramires que ela poderia dizer.
— É… talvez você tenha razão.
Adrian parecia estar decidindo. Uma das moças, com um sorriso gentil, se aproximou da mesa.
— Querem mais alguma coisa, rapazes?
Adrian olhou para ela, depois para Lúcia, e balançou a cabeça.
— Não, obrigado. Acho que já vi o que precisava. Ramires, vamos embora.
O alívio de Lúcia foi imenso.
🏡 De Volta ao Rancho
No silêncio da noite, Adrian desceu do carro, cambaleando levemente.
— Obrigado, Ramires. Você… é um bom amigo.
— Por nada, patrão.
— E Ramires? — Adrian se virou. — Não conta para a Luna sobre onde me levou hoje, tá?
Lúcia sorriu, o sorriso sincero e descontraído de Ramires.
— Não se preocupe, patrão. Eu sou o túmulo.
Ela se afastou, sentindo o peso do terceiro risco. Não só ela tinha o jantar de amanhã para se preocupar, mas agora tinha Adrian acreditando que precisava de uma distração noturna para esquecer a assistente.
O jogo estava ficando perigoso... e delicioso.