10: Bug no Sistema

421 Palavras
JV Eu nunca fui de perder o sono por mulher. No meu mundo, ou você domina a situação, ou a situação te domina. Mas desde que aquela loira cruzou meu caminho na ladeira, parece que o código-fonte da "firma" tá rodando com erro. Subi para o meu escritório no topo do morro e não liguei o ar-condicionado. Precisava do calor para raciocinar. A imagem da Alana contra aquela parede, o jeito que ela não piscou quando eu invadi o espaço dela, martelava na minha mente — Eu não jogo verde, João Victor. Eu só observo as vulnerabilidades do servidor. A voz dela ecoava, petulante, inteligente. Aquela frase não era de quem faz teatro. Era de quem conhece o coração de uma máquina. Sentei na cadeira de couro e encarei o monitor das câmeras de segurança. O Vidigal brilhava lá embaixo, um formigueiro de luzes que eu controlo com um estalo de dedos. Mas ela... ela era um ponto cego. Um "bug" que eu não conseguia isolar. O que mais me deixava com a pulga atrás da orelha era o meu próprio corpo. Quando desci o olhar por ela no baile, não foi só instinto de dono de morro. Foi um desejo animal, uma vontade de quebrar aquela marra dela e ver o que sobrava quando a máscara de "calculista" caísse. O cheiro dela ainda tava impregnado na minha camisa de tactel — uma mistura de gim e algo doce, perigoso. O rádio na mesa chiou, me tirando do transe. — Visão, JV. O sistema de monitoramento do acesso 3 caiu. Tá tudo preto no monitor da central — a voz do contenção veio carregada de dúvida. — O técnico disse que parece que o sinal foi "sequestrado". Dei um soco leve na mesa e um sorriso sarcástico brotou no meu rosto. Coincidência? No meu morro não existe coincidência. Existe ação e reação. Levantei e peguei a chave da XJ6. Eu sabia exatamente onde encontrar a solução para esse "apagão". Se a Alana queria testar o meu firewall, ela ia descobrir que eu não sou só o dono da rede; eu sou o dono do jogo inteiro. Ela queria ver como eu reagia sob pressão? Pois eu ia entregar a pressão direto na porta dela. — Tu quer jogar, loira? — murmurei, descendo as escadas a passos largos. — Então vamos jogar no meu servidor. A noite ainda era uma criança, e eu tava doido pra ver qual seria a próxima linha de código que ela ia tentar escrever na minha história.
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