cap.5

1064 Palavras
Cap. 5: Não vai a lugar algum. — Você... — ela se levantou encarando Miliane, que recuou amedrontada. — Não tenha medo de mim, eu nunca nem te fiz m*l. Além disso, eu te vi sair duas vezes e não contei ao meu pai, mas... para meu bem, eu não posso permitir que você saia de novo. Você não pode, se não... eu vou ter que aceitar algo que eu não quero por culpa de meu pai. Você sabe por que está presa aqui desde que tinha dez anos? — Ela perguntou, e Miliane balançou a cabeça negativamente. Então a menina de 16 anos se aproximou de Miliane. Seu olhar astuto e de beleza clássica, rosto delicado e cabelos castanhos puxando para o dourado. Ela sorriu gentilmente para Miliane com seus lábios rosados e delicados, trazendo no olhar uma intenção fria. — Você deve se sentir sozinha, certo? É claro que, com a forma que eles te tratam, você pensa em fugir, mas a verdade é que você vai ser quem vai me salvar, como um sacrifício. Tenho pensado sobre isso e quero me aproximar de você. Posso trazer coisas gostosas, lavar seu cabelo e cuidar de você a partir de hoje, contanto que não fuja. O que acha? — Perguntou esperançosa, mas Miliane não disse nada. — Tudo bem, amanhã eu te provo. Além disso, hoje eu trouxe coisas novas para você provar e começar a conhecer novas comidas — disse, tentando empolgar Miliane, mas ela tinha medo da comida por causa dos remédios. Karmelia ficou ali todo o período do almoço. Ela não gostava do lugar, muito menos de Miliane, mas ainda assim não deixava de se sentir um pouco comovida. Contudo, Miliane não se importava, tudo o que ela queria era se livrar daquelas amarras. Por isso, no dia seguinte, ela tentou fugir. Deslizou sobre a chanelinha, se arrastando pelo chão. Ela só tinha que fugir. Mesmo que Karmelia soubesse, aquele dia seria o dia em que ela não voltaria mais àquela casa. Seu coração batia descompassado. De todas as vezes que ela saiu, essa estava sendo a mais tensa, por várias razões. Mesmo que Kaleu não cumprisse sua palavra, ela não sairia daquela floresta nunca mais. Contudo, nem tudo sai de acordo com nossos planos. Assim que saiu, nem bem se levantou, deparou-se com os sapatos lustrosos que podiam até mesmo refletir sua face. Ela ergueu o olhar e, de repente, sentiu uma dor excruciante no topo da cabeça quando foi puxada pelos cabelos. — Sua maldita! Por que sempre dá trabalho? — Ele a repreendeu, arrastando-a com força. Mesmo que ela desejasse pedir para parar, sua voz não saía. Depois daquele momento, ela foi punida novamente. A janela foi selada de dentro para fora com madeiras dos dois lados, e agora nem a luz do sol entrava. Depois de tudo fechado, sua esperança se esvaiu enquanto estava deitada na cama, sentindo o corpo todo dolorido. As marcas vermelhas em seus braços pareciam doer ainda mais a cada toque, assim como nas pernas e nas costas. Ela revivia a cena repetidamente enquanto chorava. — Precisava mesmo ter colocado ela debaixo do chuveiro e a agredido daquele jeito? — perguntou Karmélia, com os lábios trêmulos. — Ela não vai mais fugir agora. Se você sabia que ela estava fugindo, por que deixou? — ele perguntou, avançando contra a menina, que recuou em pânico. — Pai... desculpa! — ela disse de imediato, em meio ao pânico, juntando as mãos e abaixando a cabeça. — Então não deixe essa menina fugir. Você não sabe o quanto será um pesadelo para você estar nas mãos de alguém que não tem nenhuma consideração por você. Assim são esses homens. Vai chegar o momento em que eles virão te buscar, e eu vou entregar essa menina em seu lugar. — ele avisou, atraindo o olhar de sua filha. — Então... não acha que, fazendo essas coisas com ela, será mais difícil? Se ela não estiver bem cuidada, como vão acreditar que ela é sua filha? — Bom... — ele suspirou, pensativo. — Você está certa, mas ainda está cedo para isso. Temos cinco anos pela frente. Ela só tem que estar viva. — ele avisou com indiferença. Após vando se retirar karmelia seguiu ate o seu quarto pegando algumas cobertas novas e peças de roupas e seguiu ate o quarto de miliane a encontrando deitada na cama, encolhida e ainda usando somente suas peças intimas, as marcas em seu corpo estavam todas em evidencia. — Que raios! Pensei que tínhamos um acordo. Pensou que ele não saberia que você poderia fugir? Deveria ter me ouvido, agora nós duas estamos com problemas! — ela se aproximou de Miliane, repreendendo-a, ao mesmo tempo em que usava os lençóis limpos para cobri-la. — Bom... eu não queria o seu m*l, nem que você estivesse passando por isso, mas alguém precisa assumir as consequências, não é mesmo? Eu também não escolhi isso, mas, se você olhar por esse lado, ele é só um pai tentando salvar a filha, e você é parte do plano para isso acontecer. Eu sinto muito. Bom... eu vou cumprir minha promessa, vou estar aqui todos os dias. — ela finalizou, retirando-se do quarto. Três anos se passaram e agora Vando estava ao lado de sua esposa e filha, em frente à mesa da cozinha. Eles se encaravam, apreensivos. — Teremos que liberar ela daquele quarto. Ela será tratada como nossa filha agora. Verão ela, e não Karmélia, sair de casa todos os dias. Agora que Karmélia já concluiu o ensino médio, podemos ao menos ficar mais relaxados. Contudo... Miliane terá que aprender muitas coisas. — comentou Vando. — Eu estava sempre ensinando a ela, nesse período de três anos. Tudo que eu aprendia na escola também ensinava a ela, então não vai ser difícil para ela se adaptar. Ela tem livros, materiais... Afinal, eles não esperam receber uma menina primitiva. Eles sabem que eu não sou assim, e agora precisamos cuidar da aparência dela. — Karmélia comentou de forma minuciosa. Agora, com dezenove anos, ela era uma moça mais madura. No decorrer desses três anos, desde a última fuga frustrada de Miliane, Karmélia ia todos os dias ao quarto da menina para ensiná-la e, como prometido, ajudava-a a se alimentar. Agora que Miliane tinha feito dezesseis anos, Karmélia tinha uma novidade que queria anunciar pessoalmente.
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