cap.15

1204 Palavras
Cap. 15: observadores? Depois daquele episódio, Miliane seguiu cautelosa, se mantendo atenta a cada canto e caminho que passava até se aproximar do local. Passando entre as árvores, ela correu o mais rápido que conseguiu, como se sua vida dependesse disso. Após ela sumir entre as árvores, Gabriel finalmente deu as caras. Ele a estava observando de forma tão imperceptível que, apesar de sentir que estava sendo observada, ela não conseguia realmente saber que ele estava ali. — Interessante. — Gabriel suspirou com o olhar perdido sob a floresta, mas sem ousar entrar e ir atrás de Miliane. Ele apenas deu de ombros e voltou, indo embora. Miliane, por sua vez, corria em pânico, como se tivesse alguém a perseguindo. Tudo que ela queria era chegar o mais rápido possível no território de Kaleu, mesmo que aquele lugar todo tivesse se tornado propriedade dele. Ainda tinha a forte sensação de alguém a seguindo e, por isso, quando viu Kaleu próximo à fogueira já acesa, correu em sua direção com ainda mais força. — Kaleu! — gritou com desespero e, sem pensar duas vezes, o abraçou por trás. Kaleu paralisou sem reação, franzindo o cenho em seguida e a afastando de forma brusca, de modo que ela caiu no chão. — Como se atreve! — ele asseverou emburrado, até perceber sua cara de pânico. — Desculpa! Desculpa! — pedia de forma descontrolada. Kaleu, naquele momento, olhou ao redor com olhar de caçador, como se buscasse uma presa, mas logo a encarou indignado. — Eu te avisei para não vir aqui. Não é um lugar que uma garota possa estar vindo todos os dias. Alguém encostou em você? Acha que está sendo seguida? — ele perguntou, dessa vez mais preocupado do que com raiva. — Não sei… desde o caminho da escola que tenho a sensação de estar sendo seguida. — Droga! Não venha mais aqui! — ele asseverou irritado, mas de repente Miliane mudou seu humor, direcionando seu olhar para a fogueira. Então Kaleu estendeu um sorriso malicioso. — Está com fome? — ele perguntou, cruzando os braços com um olhar m*****o. — Sim! Falando nisso, hoje consegui encontrar minha sala, mas também conheci dois rapazes estranhos, apesar de muito bonitos. — Hum, você é rápida. — ele comentou enquanto a observava se sentando em frente à fogueira. Ele tinha preparado vários espetos e os deixado assar. Ela os pegou sem nem perguntar que carne seria e começou a comer um por um, enquanto ele observava com um sorriso de satisfação. — Já está na hora do almoço. Além disso, a caminhada é tão longa que eu fico com fome antes mesmo de chegar na metade do caminho. E nada melhor do que correr até aqui sabendo que você está sempre caçando e matando coisas. Além disso… que carne é essa? — ela perguntou, e o olhar de Kaleu escureceu antes de falar. — Carne humana. — ele respondeu, fazendo-a cuspir o que já estava comendo enquanto ela o encarava sem reação. — Humana? — ela perguntou gaguejando. — Sim, você sabe, não ouviu os boatos? — ele perguntou, e ela balançou a cabeça negativamente. — Existe um boato verdadeiro de que várias pessoas desapareceram e ninguém nunca conseguiu encontrar o corpo. O que acha que acontece para eles não encontrarem? — ele perguntou com mistério. — Você tem me dado carne humana? — ela perguntou, se levantando em pânico e tentando limpar a língua. — Que nojo! — ela choramingava, se esperneando enquanto Kaleu agora ria, se divertindo com seu desespero. — Não sou tão sádico assim. Eu disse que, se viesse, você comeria carne de cobra, e é isso que está comendo. — ele respondeu de bom humor. — Ah… — ela se levantou desconcertada. — Parece que me enganar te diverte, não é? Ainda assim, não perco o apetite. — Tudo bem, coma e vá embora o quanto antes. — Você parece estar preocupado comigo, está? — ela perguntou cheia de expectativas. — Não pense demais, você está errada. — Não estou errada, você se importa comigo! Claro que sim! Somos amigos e hoje sei que você vai me proteger, certo? — Você não precisa ser protegida se estiver fora dessa floresta. Esse é o meu lugar e você deve encontrar o seu. Não está conhecendo pessoas novas, socializando? — Está dizendo que concordou em me proteger? — Não posso fazer isso. Você está confiando na pessoa errada e sua vida não parece estar em perigo quando está fora dos limites dessa floresta. — Como pode saber? — Sei o suficiente. Você deve voltar para casa agora. Hoje estou um pouco ocupado. — ele avisou ansioso, então ela se levantou fazendo uma saudação como se fosse um soldado. — Estarei aqui amanhã! Além disso, eu gosto de carne — avisou com firmeza e seguiu entre as árvores. Naquele dia, ela estava mais lenta que o comum. Após ter comido tanto, ainda assim ela não queria correr. Estava rindo de si mesma após ter sido enganada por Kaleu. Ela continuava caminhando por alguns minutos, perdida em seus pensamentos, até ouvir alguns ruídos incomuns que a fizeram despertar de seus devaneios e ficar mais alerta. — Kaleu? — ela chamou, olhando ao redor. — Deve ser coisa da minha cabeça! — ela suspirou pesadamente, demonstrando medo. Então começou a correr o mais rápido que conseguia, mas em um tombo de surpresa, ela foi lançada para trás, caindo entre as raízes. A visão turva e a dor nas costas pós-batida a fizeram ficar desorientada por alguns segundos, até ver um homem estranho à sua frente. — Não olha para onde anda? — ele perguntou com um sorriso sádico, se aproximando de Miliane, que agora recuava a cada passo que ele dava. Ela olhava ao redor com um desejo desesperado de que Kaleu estivesse por perto. — Por favor, senhor… eu sinto muito. — ela balbuciou, tentando se levantar, mas ele puxou seu pé, pegando-a de surpresa e fazendo-a desequilibrar, caindo sentada no chão novamente. — Para onde está indo? O que está fazendo em um lugar como esse sozinha? — A voz dele era rouca, como o raspar de metal contra pedra, e seus olhos, escuros como poças de lama, percorriam seu corpo com uma luxúria doentia. O homem, com seus cabelos e barba em desalinho e as roupas sujas de terra e sangue, parecia emergir das sombras da floresta. Miliane sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O coração batia forte contra as costelas, quase sufocando-a. Tentou se levantar, mas as pernas bambas a traíram. Agarrou um galho seco e o atirou contra o homem, mas a madeira se quebrou em suas mãos impotentes. A raiva nos olhos dele se intensificou. Com um rugido animal, ele avançou, agarrando-a pelos cabelos e a arrastando para perto. Miliane se debatia, tentando se soltar daquela garra de ferro, mas era como tentar escapar de um nó de aço. Quando ele a jogou contra a árvore, sentiu as costas se quebrando e um grito preso na garganta. O ar escapava de seus pulmões em guinchos agudos. Arrastando-se pelo chão, tentou se afastar, mas ele a alcançou novamente. Um sorriso c***l curvou seus lábios enquanto ele a agarrava pelo braço.
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