CAPÍTULO 13

1014 Palavras
Uma semana de tortura foi suficiente para ele aceitar corajosamente o quanto a garota o atraía e o deixava louco. — Você não terá esse tipo de problema comigo, ele falou, se divertindo. Laura riu enquanto respondia ao aperto dele com menos timidez, envolvendo os braços em volta da cintura dele também. Eles permaneceram abraçados no escritório de Jonas por alguns segundos. Laura ficou impressionada com o quão confortável o corpo do homem se sentia. Mas uma ponta de remorso veio grudar em seus pensamentos, aquele arrependimento que ela não queria sentir, mas que era inevitável, principalmente quando pensava estar abraçando seu chefe e que, após descer as escadas, abraçaria seu namorado. Era uma equação da qual Laura nunca fez parte e um sentimento de que ela não gostava. Em todos os anos que passou com Bruno, ela nunca foi infiel e ficou surpresa com a rapidez com que tudo aconteceu. As coisas pioraram quando Jonas beijou sua testa algumas vezes e acariciou suas costas para confortá-la. O que foi isso exatamente? Pena ou febre? E o que ela iria conseguir com aquele assunto de escritório? Machucar Bruno ou se machucar? Envergonhar sua família? — Você é louco, precisa de ajuda. — Interveio a sua consciência, que também tinha voz, mas não voto; Laura nunca a ouviu porque sentia que suas ideias a levariam ao infortúnio. — Estou somente procurando estabilidade, um namorado e um marido que fiquem comigo para sempre. — Ela respondeu para si mesma, com a boca apertada de raiva. — A estabilidade nem sempre é a melhor escolha. Além disso, não sei o que você chama de estabilidade se um homem lhe dá um tapa por cada frase que você diz, pelo menos ele ri e gosta de como você é engraçada. — Ela refutou sua consciência ao se referir a Bruno e Jonas com péssimo humor e Laura fechou os olhos para não se sentir tão afetada. Ela entendeu então que estava desfrutando da companhia de um homem como nunca e entendeu que Jonas Casa Grande — apesar de quão pouco se conheciam — a fazia se sentir confortável e segura. Seu tratamento dócil e carinhoso a fez esquecer Bruno e, apesar de tudo, ela ainda tinha consciência de que planejava um casamento para se juntar a ele. Aqueles desejos loucos de adolescente foram gradualmente sepultados sob aqueles outros anseios que ela havia deixado esquecidos em uma gaveta cheia de sonhos. Ela suspirou e olhou ao redor, um pouco nervosa com o que lhe viria à mente, e embora tivesse certeza de que ainda teria mais oito meses com Jonas, preferiu escolher o risco e a dor em vez da decepção. — Você disse antes que nunca se casaria e que não planejava se apaixonar, ela ofegou rapidamente e se afastou dele para descobrir a verdade e decidir. Se algum dia ficarmos juntos, ele hesitou, você não vai se apaixonar por mim, vai? — ele perguntou, apertando a mão para conter a resposta que Jonas lhe daria. Eu tinha certeza de que aquela resposta o machucaria. “Pobre menina ingênua.” — A consciência de Jonas estalou. — Não, respondeu Jonas. A frieza dele causou uma profunda impressão nela. Não para ambas as suposições e não para a sua pergunta, ele acrescentou depois, e Laura suportou a dor das unhas cravadas nas palmas das mãos. — Você já teve uma namorada? — Ela investigou. — Sim, respondeu Jonas, adivinhando o que a jovem queria, algo que ele seria incapaz de lhe dar. Mas eu não vou ser seu namorado, Laura, ele disse sem olhar para ela e se concentrou novamente na tela brilhante do computador. — Ótimo, exatamente o que precisávamos. Você gosta de um homem bonito, sério e inteligente, mas ele não está interessado em se apaixonar ou se casar, aa... — Sua consciência a despertou para o quão dura a verdade de Jonas era, e embora ela já tivesse sido rejeitada antes, a resposta dele queimava ferozmente em seu peito e garganta. — Era tudo o que eu queria saber. Obrigada pela sua sinceridade, Sr. Jonas, ela respondeu com lágrimas nos olhos. Ela caminhou até sua mesa para pegar sua pequena bolsa e rapidamente desapareceu pela porta da frente. — Laura! — Jonas gritou, embalado pela reação repentina dela, e não hesitou em persegui-la. Laura… Senhorita Laura! — Ela corrigiu antes de se expor na frente dos outros funcionários e colegas e persegui-la escada abaixo. Ele nunca conseguiu vê-la, somente ouvir seus saltos ecoando nos degraus, e não importava o quanto ele gritasse seu nome, a garota não respondia. Quando a luz do primeiro andar veio iluminar seu caminho, o que seus olhos viram não o agradou, muito menos como seu corpo se manifestou. Seu estômago se contraiu e um suor frio encharcou sua testa e costas. Ela queria relacionar o suor ao exercício que havia feito antes, mas não podia negar o quanto a incomodava ver Laura beijando seu noivo a menos de cinco metros de distância, enquanto as mãos do jovem a seguravam firmemente pela cintura, sinalizando poder sobre ela e seu corpo frágil — O que você esperava? Você assustou com seus problemas. Vamos ficar sozinhos, cara; eu não quero ter sessenta anos e ficar em casa cercado de cachorros e gatos. Quero uma mulher que ilumine minhas tardes. Podemos ser mais coerentes? — Ela lamentou e advertiu sua consciência, e Jonas ignorou suas referências para seguir Laura com os olhos Ele tocou a testa e o cabelo enquanto a jovem ria nos braços do namorado e fazia uma pequena birra infantil, quando o casal deu docemente as mãos e caminhou em sincronia em direção à saída do prédio. Ele se encostou na porta que escondia a escada e esperou que o jovem casal desaparecesse na multidão que lotava as ruas da cidade naquele horário da tarde. Jonas ficou ali por minutos intermináveis, pensando nas palavras dela, no que havia feito, enquanto se lembrava da mãe, dos problemas e daqueles que o inundavam constantemente como uma lembrança repetitiva da qual ele não conseguia escapar.
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