Noite.
Antes de voltar para casa do Summit, recebi uma ligação importante da própria CBC: uma entrevista para um programa semanal noturno sobre a polêmica da adolescente punk no Twitter. Além, também gravei uma entrevista para o rádio, pelo telefone mesmo. E outra para um site de fofocas. Acho que só. Não consegui chegar a tempo para o jantar em família.
Depois da correria, comecei a pesquisar sobre a Adolescente Punk por meio das notícias de internet sobre a revelação feita. Todd brincava, correndo pelo escritório. As manchetes eram bombásticas, e ainda dominavam as redes naquela noite.
"Robin Donovan". Descubro o nome dela em uma matéria de um site de fofoca especializado em séries de TV. Ela tem 16 anos, umas sardas no rosto, dentes avantajados e cabelos claros, naturais. É bonita.
Em nossa foto, onde estamos com o meu carro e a farmácia de fundo, ela está com uma blusa azul, calça preta, um laço estranho na cabeça e tênis velhos. Não parece ser muito chegada a maquiagem, visto que a coisa preta ao redor de seus olhos está completamente desalinhada.
Vou mais a fundo, em suas redes sociais. Descubro onde Robin estuda: Georgia College. Fica em Milledgeville, quase duas horas de New Briston.
Solteira, tem setecentos amigos. Suas publicações são sobre música. Não tem religião.
Entro no site do colégio, e não me aparenta ser estranho. Ao ver foto dos alunos em diferentes locais do campus, tive uma sensação de já ter visto os locais em outras fotos.
Andrew.
"Não foi você quem estudou naquele Georgia College, em Milledgeville?".
"Foi sim. Eu e todos os meus irmãos. E o meu pai também."
"A tal da garota estuda lá. É Robin Donovan."
"Se quiser, posso ir com você até lá. Acho que seria bom rever a velha escola."
— A senhora Stanford pediu pra avisar que o espera para dormir, senhor Stanford. — Aibileen, empregada da casa, informou logo depois de bater à porta do escritório.
— OK. Fala pra ela que eu estou num momento meio Sherlock Holmes aqui. Apareço em alguns minutos.
De repente, um estrondo de queda.
Todd começa a chorar histericamente; olho de relance Aibileen correr da porta até o pequeno, socorrê-lo.
— O que houve? — pergunto enquanto ele está abraçado a Aibi, ajoelhada no chão do escritório. Dou mais uma olhada na galeria de fotos do colégio.
— Eu. Eu ca-ca-caí. — Todd diz, soluçando. O rosto vermelho de tantas lágrimas.
— Quer cinco dólares? — pergunto, ainda sentado da mesa do computador.
Ele funga, engolindo o choro, acenando que sim. Aibi balança a cabeça.
— E uma fantasia nova. Para o Halloween. — ele disse, ainda fingindo chorar.
— Depois vemos isso. Aibi vai colocar você pra dormir. Se for um bom menino durante a semana... — digo, e ele salta dos braços de Aibileen, passa pela porta e corre para esquerda, em direção ao seu quarto.
— O senhor é inacreditável. — ela sorri, levantando-se meio desajeitada. É gorda.
— Aprenda com o mestre, Aibi. — pisco para ela. — O dinheiro resolve tudo. Ou quase tudo.
— Quase tudo. — ela repete, meio atônita, antes de bater a porta atrás de si.
Ajeito o cachimbo imaginário em minha boca, a boina marrom em minha cabeça. Visto um Sobretudo cinza em poucos segundos.
Volto às investigações rapidamente.