Olhei no visor do celular e já passava das 3 da manhã, hora passou voando. E até que tá maneirinho curtir.
Olhei pra Lara que já estava visivelmente alterada e Rod mais ainda, e ri da cena dos dois conversando super embolado.
Duck ficou o tempo todo ali conversando comigo, um papo maneiro e gostoso. Gostei dele, no lugar dele outro já teria dado em cima de mim, como de costume. Mas ele não, conversava namoral, não levava as palavras do sentido da malicia e eu estava adorando ficar ali com ele.
Kadu passava por nós e não falava nada, somente olhava sem falar nada, sem nem expressar um sorriso se quer, garoto amargurado.
Já o moreno tatuado conversava com uns caras, bem posturado e sério.
Mari: eu preciso fazer xixi. - falei no ouvido do duck, já que o som estava bem alto.
Duck: segunda porta na direito, no finalzinho ali. Quer que eu vá contigo?
Mari: não precisa, vou rapidinho.
Sai deixando minha bolsa com ele e levando meu celular, que por milagre de Deus ainda tá carregado.
Passei pelos homens que conversavam, e eles pararam de falar quando eu fui me aproximando. O moreno tirou o celular do bolso e digitava alguma coisa. Dois deles me encantaram, naquele hora parecia que eu tinha esquecido como andava.
Firmei o santo e fui andando até a porta do banheiro que estava ocupado.
Fiquei ali parada batendo o pé, estava super apertada e se eu desse um espirro, mijava na roupa, tenho certeza.
- tudo bem? - uma voz rouca soou pelo meu ouvido.
Mari: oi, tudo bem! - olhei vendo que era o tal moreno.
- bem mesmo? Tá se sentindo m*l? Tu tá toda arrepiada, po! - falou enfiando as duas mãos no bolso da bermuda.
Mari: é que eu tô muito apertada, e tá ocupado o banheiro.
- vem cá, te levo no banheiro da minha sala.
Não pensei duas vezes e sai acompanhando ele, já não aguentava mais segurar, minha barriga tava até grande.
Ele me guiou até o banheiro e eu entrei, tirei minha saia e desabotoei meu boddy numa dificuldade, que meu vontade de rasgar ele. Me aliviei e senti minha alma saindo e voltando pro corpo. Que sensação boa fazer xixi depois que quase morrer apertada.
Sai lavando a mão e o moreno me esperando em pé olhando no celular, a curiosa que habitava em mim estava doida pra saber o que tanto tinha naquele celular que ele não parava de olhar.
Dei passos pequenos até ele que bloqueou o celular guardando no bolso.
Mari: obrigado, me salvou.
- ah, que isso po. - falou dando meio sorriso e estendendo a mão pra mim. - pode me chamar de Falcão, e tu é quem?
Mari: Mariana, mas todo mundo me chama de Mari.
Falcão: como eu não sou todo mundo, te chamarei de j*****a. - j*****a? Tá que meu olhos eram um pouco puxado, mas nem tanto. - é do asfalto?
Mari: na verdade não. Não sou daqui, vim passar férias na minha amiga.
Falcão: tô ligado, tu que subiu ontem, né?
Mari: é, isso mesmo.
Falcao: namorado? - falou passando o dedo na correntinha em meu pescoço com o nome do Vicente
Mari: é meu filho.
Falcão: tu tem mó carinha de nova, po.
Mari: tenho 20 anos!
Falcão: novinha e já é mãe, que isso.
Mari: acontece nas melhores família. E você, tem filhos?
Falcão: ainda não encontrei uma mulher responsa pra isso.
Mari: ah, você vai encontrar. É só ser um cara responsa também!
Falcão: tá ligada, né. - assenti com a cabeça
Mari: bom, tô indo nessa. Chamar a doida da Lara pra ir embora, já tô cheia de sono. Mais uma vez, obrigado!
Falcão: jaé po, boa noite. Madrugada né!
Dei um sorriso e sai voltando pra onde eu estava.
Chamei Lara pra ir embora e ela enrolou legal, dizendo que ia pra casa do Rod.
Duck: te levo lá se quiser.
Mari: agradeceria.
Duck: bora então?
Assenti com a cabeça e ele saiu andando, pegou na minha mão e fomos caminhando até a saída.
Fui em direção ao carro dele e ele falou alguma coisa com um dos meninos que tava ali perto, que confirmou com a cabeça.
Entramos no carro e fomos em direção à casa da Lara, aquela vaca me deixando sozinha como sempre.
No carro tocava um pagode baixinho, e Duck cantava batendo a mão no volante, que de vez enquando olhava pra minha cara e sorria.
Em menos de 10 minutos já estava na calçada de casa.
Duck: tá entregue, madame.
Mari: posso te pedir uma coisa?
Duck: fala ai po.
Mari: dorme aqui comigo? - falei com uma carinha de cachorro abandonado.
Duck: tem medo de dormir sozinha?
Mari: tenho, muito.
Duck: que isso, po. - falou passando a mão no rosto e rindo.
Mari: é sério, ri não.
Duck: bora então, tô caidão de sono já.
Sorri aliviada e destranquei o portão subindo, e Duck logo atrás de mim.
Entrei pela cozinha acendendo a luz, e procurando alguma coisa pra comer. Peguei uma sacola de pão de forma, presunto e mussarela e coloquei sobre o balcão.
Mari: tá com fome?
Duck: pouco, meu sono é maior. - falou rindo - vou cair nesse sofá aqui mesmo.
Mari: vai acordar com o sol na sua cara. - falei arrumando 4 sanduíches e colocando na lancheira pra esquentar - dorme comigo lá no quarto.
Duck: tu que manda.
Entrei os dois pães pra ele com um copo de suco de laranja, e sentamos na sala comendo.
Terminamos de comer e fomos para o quarto apagando todas as luzes da casa.
Ele sentou na cama tirando o tênis e a camisa.
Duck: vou dormir onde?
Mari: na cama
Duck: junto contigo? - me olhou e eu confirmei com a cabeça- vai dormir com um desconhecido?
Mari: é só dormir, que m*l tem? Não deveria confiar em você?
Duck: tu não deveria confiar em ninguém. - falou rindo -mas em mim, sim! - falou deitando no canto da cama.
Mari: o canto é meu. - falei enquanto procurava um baby dool qualquer- vou tomar um banho.
Duck: jaé, vai lá.
Tomei um rápido banho, só mesmo pra tirar o suor do corpo, se tinha uma coisa que eu não suportava era sair pra festa, suar abessa e dormi sem tomar banho.
Terminei o banho prendendo o cabelo, vesti o baby dool e sai do banheiro, olhei pra cama rindo. Duck estava deitado na beirada da cama só de bermuda e meias no pé, dormindo até de boca aberta.
Apaguei a luz, ligando o ventilador e deitei do seu lado, me cobrindo e cobrindo ele, que encostei nas costas dele e estava gelado igual um defunto.