Rebeca Era quase oito da noite quando peguei um Uber e desci na entrada do morro. Fazia semanas que eu não pisava ali. A cada passo, meu peito apertava mais. O caminho até a casa dele parecia mais longo. A carta estava amassada dentro da bolsa, como se cada palavra ainda queimasse minha pele. Eu não vim aqui pra perdoar. Nem pra brigar. Vim porque eu merecia olhar nos olhos dele. Vim porque o que a gente viveu não podia terminar com ponto final escrito por medo. Subi os últimos degraus com o coração disparado. A porta estava encostada. A casa dele era a mesma. As mesmas plantas no canto. O mesmo cheiro de cigarro e perfume amadeirado no ar. E ali estava ele. Sentado no sofá, camisa preta, cabelo bagunçado, expressão cansada. Os olhos dele me encontraram como se me esperassem há dia

