cap 23 estamos juntos

406 Palavras
REBECA Depois do ultrassom, a sensação de que nossa vida estava realmente mudando se tornou ainda mais concreta. O bebê que crescia dentro de mim não era mais um segredo, mas a promessa de um futuro diferente. E com isso, veio a necessidade de pensar no que viria a seguir: nossa casa, nossa rotina, nosso futuro. Felipe passou os dias seguintes visitando diferentes casas no morro, conversando com vizinhos, buscando um lugar seguro para que pudéssemos começar essa nova fase. Eu ficava na casa da minha mãe, preparando as coisas que já podia, organizando o que seria útil para o bebê que ainda nem tinha chegado, mas já ocupava todo o meu coração. À noite, quando ele voltava, exausto, mas com um brilho no olhar, sentávamo-nos juntos na varanda da casa. Ele contava sobre os lugares que tinha visto, os desafios para encontrar um lar longe dos problemas, mas com o conforto e a segurança que a gente precisava. Eu ouvia, segura da mão dele, sentindo que estávamos reconstruindo nossa história. Uma noite, depois de um jantar simples, ele puxou uma caixa pequena do bolso – um presente que guardava para um momento especial. Dentro, havia uma pulseira feita à mão, simples, mas carregada de significado. - Para você - disse ele, prendendo a pulseira no meu pulso. - Para lembrar que não importa o que aconteça, a gente tá junto. Que isso aqui é só o começo. Olhei para ele, emocionada. Nunca fui de muitos presentes, mas aquele gesto simples significava tudo. O futuro era incerto, a vida no morro não facilitava nada, mas, com ele, eu sabia que podia enfrentar qualquer coisa. Nos dias seguintes, começamos a arrumar o espaço na nova casa que ele conseguiu alugar. Pintamos paredes, limpamos cada canto, e, entre risos e cansaço, sonhávamos com a vida que nosso filho teria. Falávamos sobre nomes, sobre o que queríamos ensinar, sobre o que queríamos deixar para ele – um mundo melhor do que aquele que nos cercava. Às vezes, sentávamo-nos no chão da sala, exaustos, mas sorrindo, imaginando como seria quando finalmente estivéssemos lá, com nosso bebê nos braços, longe dos tiros e da guerra, apenas nós, construindo nosso lar. E eu percebi, naquele momento, que o amor que nos unia era mais forte do que qualquer dificuldade. Que, apesar do passado, da dor, da luta, a esperança renascia ali, naquela casa simples, naquele olhar que me dizia: "Estamos juntos, sempre."
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