Episode: She knows
- Hey. - o tom amistoso e simpático teria sido bom em algum outro instante do dia. Mas definitivamente não após múltiplas horas de prova escrita de geopolítica em que a maioria descobriu ser uma verdadeira merda em relações internacionais.
Portanto 'Hey's felizes e ligeiramente animados não eram permitidos para aquele horário, quando os príncipes iam se alocando em assentos sortidos para terem seu almoço com vincos na sobrancelhas e bocejos exaustos.
Mas como Zayn Malik era realmente uma criatura educada, ele engoliu a frustração pela vida e se limitou a esboçar um sorriso.
- Olá Príncipe Payne.
Zayn não tinha certeza. Mas parte de si jurava que Liam vinha o perseguindo - há dois dias, mais especificamente.
Ele teve essas desconfianças logo na manhã seguinte ao encontro nada agradável da madrugada de domingo. Após servir-se no café - com alguns melões frescos cortados e um copo de suco de laranja e gengibre - Malik escolheu um local mais afastado do centro para lanchar em paz e jurou que ainda assim, nesse processo, estava sentindo-se observado.
Bastou virar-se para o lado para flagrar os olhos castanhos de Liam pousados em si, enquanto ele o assistia comer como se aquilo fosse a coisa mais interessante do mundo.
Zayn se esforçou para ignora-lo.
Contudo, novamente, no almoço e jantar, parecia que de onde estivesse era perseguido por um olhar cauteloso, sentindo-se estudado por Liam. Isso até mesmo o deixou inquieto durante as refeições, porque ele estava pressionado a comer sob a supervisão de alguém que sabia o que aconteceria horas mais tardes.
O herdeiro de Arlen, na madrugada anterior, passava através do seu ritual de 'beleza' quando, escorado no balde de sempre, escutou um ruído do lado de fora da porta, vindo do corredor.
Ele imediatamente correlacionou o estrondo com Liam Payne porque honestamente quem mais estaria às três da manhã espreitando próximo da porta para confirmar que Zayn estava ali, se expondo àquilo novamente.
O que foi sinceramente o cúmulo.
Malik se chateara por toda essa intromissão sem consentimento em sua vida, de modo que ele estivesse sendo estudado igual um experimento que apresentava comportamento alterado.
Okay. Ele entendia essa primeira estranheza para aquele hábito compulsivo seu. Ele entendia a preocupação. E também até compaixão.
Mas, se em algum instante ele enxergasse o mínimo de pena nas orbes acastanhadas aquilo seria o suficiente e ele não se seguraria para dar um basta naquela perseguição de Payne.
- Como está hoje? - Liam o indagou, vindo se sentar ao seu lado no almoço.
Servido de um prato de salada bem guarnecido com sementes variadas Zayn se virou em seu eixo.
- Bem.
- Tem certeza? - Payne insistiu, ganhando um arquear de sobrancelhas de Zayn por acha-lo intrometido, quando na verdade tudo que ele estava fazendo era manter um diálogo fático e casual.
- Sim. Por que está me perguntando? - soou mais rude do que o esperado. Seu humor vinha sendo um empecilho para si próprio ultimamente.
- Eu.. Só estou. - Liam o respondeu, a voz calma temperada com receio. - Checando apenas.
- Por que está me perseguindo?! Eu sei cuidar da minha própria pele, entende?!
Seu tom seco foi meio que uma surpresa para os dois. Não só os dois, como todos os príncipes que escutaram a forma rude que Malik tratara o herdeiro de Bristok, com vincos em sua expressão e o canto dos lábios em linha reta, sua respiração levemente ofegante.
Zayn não podia acreditar que havia agido desse jeito, tão primitivo e desrespeitoso. Ele estava sobrecarregado com seu segredo descoberto e se sentia sufocado sobre o assunto. Ainda assim isso não era justificativa para agir agressivamente e ignorar sua própria personalidade que evitava ao máximo discórdias.
Ele estava perdido.
Encarava o rosto assustado de Liam que nem sequer piscava.
- Desculpe, eu perdi o apetite. - Zayn se levantou ruidosamente, colocando o lenço branco que estava em seu colo em um baque contra a mesa.
Antes que chorasse de humilhação no meio de todos, virou-se e rumou à saída. No entanto, ainda teve o infeliz deslumbre de encontrar o olhar astuto de Harry, o maldito cacheado o qual mantinha um sorriso debochado porque ele sabia o que estava acontecendo.
Harry sempre sabe de tudo.
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Horas mais tarde e os príncipes - ou a maioria deles, em exceção a Zayn - estavam no campo de treinamento, segurando sabres lustrados, vestidos apropriadamente para os duelos de Esgrima.
- Veremos quem pode vencer. - o treinador anunciou antes de chamar as duplas, uma por uma.
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"How to Wear a Crown"
Quarta-feira, 28/07
Ora, ora, parece que um verdadeiro palácio nunca pode realmente viver em completo silêncio não é?
Pois bombas explorem quando as coroas não são capazes de reter algum equilíbrio.
Talvez algo grande que vocês não esperavam estar ocorrendo seja essa conexão duvidosa entre os herdeiros de Arlen e Bristok.
Estamos nos referindo aos adorados da temporada Zayn Malik e Liam Payne que passaram por um momento embaraçoso durante o almoço do dia anterior.
Boatos são que Zayn se exaltou e acabou elevando o tom para o contido Payne, que não tentou segui-lo quando o belo príncipe abandonou a refeição, deixando para trás olhos surpresos e bocas escancaradas.
O que há por trás disso? Qual é o motivo de Malik ter se revoltado tão cedo pela manhã?
Veja Zayn, eu entendo que isso o faz perder o apetite, mas comer é preciso às vezes, sim?
Bom, como se não bastasse todo o alarme matutino, a tarde de terça-feira trouxe mais tumulto.
A começar pela derrota de Harry Edward Styles.
Niall Horan o derrotou no esgrima de uma forma astuta, com seus movimentos bem estudados e executados.
O duelo foi disputado à risca, e para quem observou de longe diriam que Harry pareceu surpreso com a estratégia e agilidade que Niall acabou por demonstrar, pegando Styles desprevenido.
Talvez essa arrogância em subestimar a capacidade alheia do Príncipe Edward termine afogando-o em seus próprios males, logo que seu espanto foi visível quando Horan passou a ataca-lo pelas bordas, e mais ainda ao levar uma espetada na região do seu lombar, murmurando 'Touché" inacreditado.
Cada pequena agitação no Palácio apenas serve para enfatizar o quão pouco se conhece os príncipes. Até que eu os faça conhecê-los de verdade.
Att: Sua Fonte Anônima.
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Louis lia em seu estado de calmaria um livro de prosas francesas o qual encontrou na Biblioteca de tarde, e não viu problema em pegar emprestado.
Deveria ser próximo das onze. Era nesse horário que geralmente Lorena o traria uma xícara de chá de camomila adocicado com mel e se sentava na poltrona para que eles conversassem sobre absolutamente qualquer coisa que viesse em suas mentes. Mas provavelmente não hoje.
A menina, embora jovem em seu máximo da adolescência, era uma boa ouvinte e conselheira, ela sabia a hora certa para sorrir encantada com as histórias de família que Tomlinson relatava, ou distribuir otimismo ao se tratar de notícias não tão boas - como recentemente que Johanna o enviou uma carta avisando que seu irmão Eric estava com pneumonia.
Lorena e ele pouco trocaram palavras aquela noite da carta, ela apenas ficou ali, sentada, piscando seus longos cílios de boneca enquanto reprimia bocejos para que o príncipe não percebesse quão cansada estava. Talvez sua presença fosse crucial.
Jezebel e Lorena vinham brigando constantemente nos últimos tempos, o que acabava por deixar uma certa tensão toda vez que elas estavam no quarto simultaneamente limpando, costurando ou qualquer coisa.
Lorena não contou muito sobre o que ocorria, embora parecesse verdadeiramente chateada com a distância entre elas, a morena garantia a Louis que era fase de irmãs e que atritos faziam parte. Tomlinson ficou intrigado naquele momento porque ele nunca teve irmãs, meninas adolescentes para discutir. Os garotos eram geralmente mais reservados e com raridade entravam em brigas - a não ser em jogos, sua família era muito competitiva.
No entanto, especificamente nesse começo de semana ele ainda não havia se encontrado com Lorena. Pelo fato desses dias serem basicamente testes e provas e duelos não havia a necessidade de que duas criadas ficassem transitando no aposento, e já que não havia necessidade de costurar trajes chiques os alfaiates também estavam dispensados, e os próprios jovens precisavam de espaço para estudarem e se concentrarem.
Portanto, desde domingo Tomlinson era apenas recebido diariamente por Jezebel, quem vinha fazer a limpeza geral no cômodo pela manhã e se prontificava a ajuda-lo a se arrumar. Fora isso era por sua conta.
A loira também parecia abatida. Ela e Louis não eram tão próximos quanto ele era com Lorena, mas ainda assim o futuro rei se esforçou para melhorar a relação deles e convidar Jezebel a se sentar com ele a fim de conversarem.
Contudo, ela negou, avisando que não seria prudente uma criada se acomodar próximo de um príncipe, muito fora dos padrões estipulados para uma conduta adequada.
Isso automaticamente gerou um período de reflexão conflituoso em Louis.
Jezebel e Lorena eram irmãs completamente opostas. Cada lado de uma moeda.
Jezebel sempre seguindo normas, agindo cordial e educada. Limpava, sorria pequeno, reverenciava-o e saia.
Lorena sempre se sentando para diálogos aleatórios com o moreno, rindo exagerada, compartilhando seus pensamentos e contando fofocas da área dos empregados - mesmo que Tomlinson pedisse para que ela não o fizesse, porque era muito rude e deselegante.
Ela era apenas uma criança no fundo, sendo obrigada a crescer da maneira que lhe foi imposta, servindo pessoas de alta hierarquia.
Ela era natural, e espontânea, e havia esse seu jeito ousado de dizer coisas e gesticular coisas que tornava tudo mais leve e fácil de se engolir.
Se em um universo paralelo Louis se visse tendo que escolher alguma delas para casar - não necessariamente elas, mas pessoas que compartilhasse de uma personalidade semelhante - ele se via pegando alguém que se parecesse com a pequena dona dos olhos verdes brilhantes, Lorena.
O que o assustou, honestamente.
Sua vida inteira pensou que acabaria se casando com uma moça reservada e introvertida, igual a si próprio. Uma moça que aceitaria um casamento simples, e que fariam votos matrimoniais sucedidos de um beijo casto. Seu futuro com ela seriam três filhos, todos poliglotas e extremamente educados, para passarem um verão no sul de Nice, provando cafés pouco adocicados e torradas francesas enquanto discutiam a economia vigente.
Mas então, ele se sabota ao aceitar que essa pessoa que ele idealizava era o oposto do que no fundo queria.
Ele almejava alguém que parecesse sua mãe.
Alguém com um sorriso fácil, e demonstrações espontâneas. Alguém que não se importaria de chorar em seu ombro - porque chorar era "ato de fraqueza" - e que Louis também poderia usar o ombro para chorar se um dia fosse conveniente. Alguém com mente aberta e olhos juvenis.
Alguém que no fundo fosse seu oposto, porque às vezes ele se sentia cansado de si mesmo.
Então essa pessoa seria um escape, e o levaria para um outro lado da vida. Todos os dias sendo uma aventura - com desfecho positivo ou negativo.
Alguém que soubesse aproveitar as pequenas coisas. Que ele poderia chamar para tomar chá de noite e estabelecer conversas diversas. Que contaria segredos deitados na cama antes de adormecer. Que ele levaria para conhecer o mundo, norte da África talvez, e cavalgassem pelo deserto, ou fizessem uma fogueira noturna. Que não se importasse com sua mania de fazer retratos nus, e que gostasse de arte. Que o acompanhasse em exposições de arte e saraus.
Que desse mais atenção para os filhos do que para a coroa.
Que o mostrasse um novo mundo dentro do seu.
Alguém para o confirmar que acreditar em amor cortês valeu a pena todo esse tempo.
Obviamente isso não se tratava minimamente de Lorena, porque ela era como uma irmã adotiva o qual ele nutria um grande carinho pela genialidade forte.
Mas, enquanto não encontrasse uma pessoa que se encaixasse em suas metáforas e completasse suas poesias, a garota era uma excelente companhia que o remetia um pouco à sua mãe, e o fazia se sentir mais próximo de casa.
Seria mentira se afirmasse que não sentira falta de Lorena nesses três dias. Embora Harry tenha resgatado-o na madrugada de domingo de sua insônia insuportável, nas outras madrugadas ele somente se sentava na cama e lia algum exemplar, com uma mínima esperança de que a menina entraria pela porta para mais uma de suas sessões de descontração e chás.
Assim, nessa madrugada de quarta ele nem sequer esperava que ela aparecesse quando foi surpreendido pela porta ressoando dois toques leves.
Era o código deles. Dois toques. Um em cada extremidade dela.
A maçaneta foi girada sem realmente esperar por seu consentimento, o que o fez rir porque ela era atrevida e um pouco negligente mas ele achava-a engraçada.
Lorena adentrou com um grande sorriso quase infantil no rosto e duas xícaras de chá na mão - um para ela, sim ela sempre se via no direito de beber também e Louis nunca discordou, murmurando baixo:
- Hey, príncipe!
Tomlinson inspirou animado, fechando o livro e se ajeitando melhor no colchão enquanto a garota ia saltitante acomodar-se na usual poltrona.
Seu braço se estendeu em direção ao jovem de Riverland, oferecendo-o o recipiente branco aquecido pelo líquido esverdeado emanando uma fumaça cheirosa.
Oh, chás.
- Admito que me perguntei por onde andastes, Lorena. Senti sua falta. - Louis admitiu, sorrindo doce para a morena que piscou feliz.
Seu dezesseis anos, toda sua juventude materializada em seus traços faciais e expressionistas.
- Oh! É sobre isso que gostaria de comunicar, na verdade, de pedir conselhos.
- Pois bem, me conte o que andou aprontando. - Tomlinson falou com um sorriso lateral travesso, levando a porcelana a sua boca para bebericar a bebida que tanto apreciava.
Lorena, embora, somente arqueou uma das sobrancelhas em uma feição visivelmente confusa.
- Espere só... Um sorriso meio torto, um toque ousado na fala, nada que me remetesse a uma linguagem requintada... O que te aconteceu? Que mudança é essa?! - foi dizendo deixando seu espanto claro, apontando acusadoramente seu dedo indicador em direção a Louis como se ela soubesse. - Quem é você e o que fez com o Príncipe William?!
Louis não se segurou ao soltar uma breve risada, formando rugas no canto de seus olhos daquele modo adorável que ele fazia involuntariamente. Mas, então, novamente ele os surpreendeu ao revirar os olhos meio que zombeteiro e meio carinhoso para toda a situação.
Essa foi possivelmente a primeira vez que rolou seus olhos ironicamente em toda sua existência, ou ao menos em algum grande período.
- Uou, eu estou ficando assustada agora, de fato. - Lorena murmurou, quase horrorizada e ponderando se nesse intervalo que esteve afastada Louis sofreu de um desvio de personalidade.
O próprio príncipe se sentia assustado com essas... Mudanças.
Ele não se recorda de como chegou aonde chegou. Nem do que fez para isso. Mas ele não se sentia mais ele ultimamente.
- Certo. Agora vamos ao real assunto em que você irá desabafar o que te ocorre. - Tomlinson desviou o rumo da conversa (que ele não se sentia apto para tratar).
Lorena suspiro dramaticamente, jogando seu corpo contra o encosto da poltrona com os braços esticados para cima.
Absolutamente sem modos algum para uma criada, ou para qualquer dama. Ela era só ela com seu corpo meio miúdo e as orbes curiosas de quem não viu um milésimo do mundo - e provavelmente jamais teria a chance de ver.
- Ok. Diga-me sua opinião, Louis. - pediu, coçando a nuca um tanto incerta. - Você acha possível gostar de duas pessoas simultaneamente?
Tomlinson piscou confuso.
Ao notar, ela se explicou melhor:
- Do tipo, os dias árduos para vocês são conhecidos como os de oportunidades para algumas criadas que ganham repouso e podem usar esse período para socializar com outros empregados.Eu estou sendo cortejada por dois deles e não consigo realmente escolher um. E eu sei que isso soa muito como uma adolescente em seus hormônios mas eles realmente são tão diferentes um do outro que eu fico com o coração acelerado para ambos.
- De quem se trata?
A menina pingaterreou, sua pele esquentando e corando.
- Um se chama Leroy, e ele é um dos empregados que trabalha na cozinha. Tem cabelos ruivos e um sorriso lindo. Nos encontramos na segunda de manhã, já que fui dispensada do serviço nessa semana costumo ficar transitando pela área dos empregados, ou na cozinha. - disse, rindo travessa antes de adicionar. - E claro, roubando alguns petiscos quando ninguém vê. A coisa é que em uma dessas minhas missões de roubar uma pequena fatia de bolo, Leroy me flagrou. Eu me caguei nas calças.
Louis franziu o nariz involuntariamente para seu termo chulo, lançando-a um olhar repressivo em seguida. Ele não costumava reclamar de seu jeito ou ações, mas quando ela extrapolava acabava por entrar na fantasia de 'irmão mais velho' e lançar-lhe expressões significativas.
- Okay, me desculpe. Quis dizer, eu fiquei com medo. - Lorena rolou os olhos para ele.
Sinceramente a i********e entre os dois era algo a se ponderar. - Mas então Leroy riu e disse que não havia problemas. Nós conversamos vagamente sobre comida e foi isso. No entanto, ao anoitecer, eu encontrei uma cesta em cima da minha cama com fatia de doces e algumas frutas. O que foi tão cavalheirismo que me derreteu.
- Ele foi generoso, realmente. - Louis concordou, colocando a xícara agora vazia sobre o criado-mudo. - Então quem é o segundo a lhe roubar o coração.
- O segundo é Brandon. Ele é um guarda, faz patrulhas noturnas ao redor do palácio. Algumas vezes ele faz plantões durante o dia. Eu o conheci terça-feira. Ele estava rondando o campo enquanto vocês participavam daquele esporte com cavalos. Ele é loiro e tem olhos claros. Eu estava o observando de longe e Brandon me flagrou. Brandon veio até mim e nos falamos durante o restante de sua patrulha.
Louis sorriu divertido.
Não se surpreendera que Lorena arranjava tão fácil admiradores. A garota era extremamente adorável e cativava quem conhecesse.
- Qual o desfecho da situação?
- Desastre provavelmente. Hoje eu encontrei Leroy pela manhã, ele me entregou uma flor com um petit gateau. O que o fez tomar advertência pois a chefe de cozinha descobriu.
E no começo da noite, enquanto vinha para cá mais cedo para conversarmos, esbarrei em Brandon e ele me puxou para falar de uma viagem que fez uma vez na França, quando foi solicitado para escoltar o rei. Por essa razão me atrasei e cheguei a essa hora em seu aposento.
Tomlinson assentiu, ouvindo-a.
- Então cá estou, confusa e não entendo quem amo e devo presentear com... Você sabe, um beijo.
A menina soava tão ingênua e pura, de quem estava querendo entregar seu coração depressa por achar alguma brecha.
Louis não poderia culpa-la, ele sabia que, sendo uma criada, em semanas de serviço normal não disporia de tempo para escapar do trabalho e encontrar pretendentes. Era raro a criadagem estabelecer relações amorosas em temporadas da Anistia dos Tronos. Todavia, ainda assim, ele acreditava que era muito cedo para ela se declarar apaixonada quando aquilo significava evidentemente seu medo de ficar sozinha.
- Ouça, Lorena. - William suspirou, ajeitando-se melhor no colchão. - Eu não sou a melhor pessoa para aconselha-la nesse campo amoroso... Mas, o suficiente que sei é que existem diferentes maneiras de rotular seus sentimentos.
Ela pendeu a cabeça para o lado, atenta.
- Imagine que você está caminhando por uma rua. - Tomlinson pediu. - Então você vê uma casa enorme, a maior do bairro. Uma construção gloriosa que prende sua completa atenção. Você não sabe quem mora lá dentro, mas certamente em sua idealização será um homem robusto, forte e atraente.
- Com toda certeza. - Lorena riu.
- Bem, isso, nessa analogia, seria o significado de estar encantada. Você não conhece realmente a pessoa, mas imagina como seja a partir de algo que sabe sobre ela. E vive teoricamente com uma imagem idealizada a respeito dela.
O jovem príncipe esperou que Lorena concordasse ou desse qualquer sinal de que havia entendido para continuar.
- Partindo de outro ponto, há agora uma casa. E ela é pequena, e a tintura externa parece desgastada. No entanto, você sabe que quem mora lá é um indivíduo incrível, e isso faz com que o fato da casa estar m*l conservada não signifique absolutamente nada. Esta é a sentença ao se estar apaixonado. Você não se importa realmente com o exterior, pois seu coração está na essência da pessoa, e aparência é um tributo irrelevante pois aprecias o que há lá dentro.
- Você leu isso em algum livro ou só está inspirado mesmo?
Louis segurou sua vontade de revirar os olhos pra a provocação da garota, ignorando-a ao invés.
- E tem uma última metáfora. Pense agora em um terreno baldio.
- Terreno baldio?
- Sim, um vasto espaço vazio, só grama e terra.
- Okay, feito. - ela disse, os olhos fechados no processo enquanto realmente materializava o que Louis ia relatando em sua mente.
- Você tem a pessoa. Mas você não tem a casa.
Assim, dia após dia vocês vão empilhando tijolos. Um por um. Lado a lado. Esse, minha cara, é o valor do amor.
- Como assim? - ela franziu o nariz, abrindo imediatamente as grandes orbes para enfatizar sua indignação.
- É algo que se constrói gradualmente, entende? Pedacinhos que os dois vão untando, tijolos que vão se encaixando, porque são vocês quem erguerão a própria casa. Ela é um fator secundário, logo que não importa qual a moradia, no final um se torna o lar do outro.
Um silêncio estabeleceu-se entre eles.
Nesse intervalo os dois somente piscavam as pestanas com uma conexão visual silenciosa.
- Oh meu deus, ele está te inspirando. - Lorena ocasionalmente sussurrou, tampando a boca com uma feição exasperada.
- Ele? - Louis repetiu, completamente transtornado.
Ela não respondeu verbalmente, porém meneou um 'sim' com sua cabeça.
- Ele quem? - Príncipe William insistiu.
Quando a criada abriu a boca para falar, o diálogo deles foi bruscamente interrompido por gritos desesperados vindos de fora do corredor.
Algumas súplicas soaram claras e específicas.
- Alguém ajude! Principe Horan está em apuros!