Chapter XVIII

2645 Palavras
Episode: Butterfly Ao contrário de toda a decoração maçante do dia anterior, no domingo a festança foi realizada no salão da primavera, guarnecido de enfeites coloridos e vibrantes, cores pastéis e cintilantes, alusão à resplandecência da borboleta que saiu de seu casulo e deve viver o apogeu de sua existência. Mas, certamente os príncipes não entraram em contato com tal local tão cedo. A celebração seria para o anoitecer, antes disso haveriam de participar de um piquenique real com as princesas, e então se reunirem no Salão dos Homens até que desse o horário da segunda etapa do baile.  Vestidos devidamente adequados para a ocasião - com peças leves, soltas e lisas - foram todos guiados para o jardim, onde seus cafés da manhã seriam servidos ao ar livre sobre lençóis estendidos no chão e frutas frescas misturadas com o aroma das bromélias. Nada melhor do que iniciar um dia sendo parte de um ambiente limpo e revitalizante. Ao menos foi o discurso (desnecessário) do Príncipe Edward ao pisar na grama e sentir o sol queimando sua pele. - Embora eu deteste me queimar, parece que a gestão teve uma boa iniciativa ao nos tirar daquele Palácio sufocante, hum? - Styles cantarolou, aproximando-se da roda dos demais rapazes com um ar superior e uma insolência descabida. Nessas quatro semanas Harry conseguira atrair um número considerável de adeptos, ou seja: admiradores. Alguns príncipes simplesmente o idolatravam - seja secreta ou assumidamente. Bom, era claro o quanto o cacheado se destacava. Não somente por seus cachos macios, ou beleza natural, mas também pela ousadia persistente em suas escolhas de vestimenta. Por exemplo no dia de hoje que, à medida que todos optaram por calças flaneladas e camisas de algodão, Styles surgiu sob uma calça justíssima no corpo de couro branco, camisa amarelo claro com bordas de renda e um blaser formal branco, com uma lapela pregada no bolso superior.  Uma Fedora cobria parte de sua cabeça. Havia um laço nela que combinava com a tonalidade vibrante do visual em geral. E claro, apoiando-se em sua fiel Carolina. Seu jeito diferente de ser - e a parte destemida de jamais oculta-lo - era provocante para jovens criados à base de regras rigorosas e códigos de etiqueta. Portanto, bastara Harry levar seus passos para a visão pública que três deles já vieram paparica-lo, rodeando-o com elogios sobre sua aparência impecável e sorrisos apaixonados. Não é a toa que sempre flagrava-se rapazes deixando os aposentos de Styles durante a noite. Mas, dessa vez, eles possuíam competição. Uma competição insuperável. Pois, de braços dados a Harry, estava Zayn Malik. O belo herdeiro de Arlen. O garoto de aparência promissora que derretia os hormônios de qualquer um com um breve piscar. Os dois chegaram juntos... O que chocou a todos, honestamente. E, mesmo que a edição de How to Wear a Crown tenha alegado que Zayn passara a noite com Harry, ninguém dera a devida importância. Não tanto quanto estavam dando agora, seus queixos indo ao chão conforme Styles sorria galanteador para o moreno e Zayn retribuía com algumas falas - não parecia muito animado, sinceramente. Ao chegarem no círculo social, Harry se apressou a acalmar os ânimos entristecidos dos garotos que também o desejavam e se sentiam enciumados com a atenção exclusiva que vinha sendo cedida a Zayn. - Relaxem queridos. Esta é uma manhã estupenda demais para criar rugas de ciúmes. Vocês sabem que, de noite, há Harry para todos vocês. - Styles reverberou sorrindo torto. E então as princesas começaram a sair do palácio, caminhando majestosas pelo jardim. Oh, as damas. As formosas damas - a maioria com os cabelos soltos pela informalidade da ocasião - e seus cílios longos e vestidos mais justos, que delineavam bem suas cinturas e arrastavam-se na altura dos tornozelos. Conforme traziam seus corpos delicados para perto, alguns rapazes se afastavam da roda para se dirigirem a elas - sutilmente, aproveitando a oportunidade de acompanhar damas em piqueniques. Styles piscou surpreso ao capturar a imagem do Príncipe de Riverland, William, caminhando próximo aos canteiros na presença de Diana. Um sorriso cúmplice esboçando a face dos dois enquanto as orbes verdes assistiam intrigado a cena, sua mente parecendo processar a mil por hora. - Se me dão licença, queridos, tenho algo a resolver. - Harry avisou para os príncipes remanescentes, distanciando deles a passos apressados para dentro do palácio, uma expressão determinada brilhando em seu rosto. ... O piquenique transcorreu normalmente, você sabe, tudo aquilo que pessoas da corte teriam direito de comer em um banquete porém idealizado ao ar livre, sob um sol quente de verão refrescado pela penumbra das árvores. Já o cair da noite soava mais promissor. Soava mais estupefaciente, isso era certo, ao menos se tornou quando às oito e meia, quando o ponche de abacaxi e aperitivos começaram a ser servidos, Harry entrou, fantasiado. Sim, fantasiado. Mais do que o normal, digo. Ele era uma mescla de exagero e superficialidade, contrariando novamente a conduta aguardada para o baile - ou indo além dela. Sim, ele compadecera com o pedido de que as vestimentas do príncipes fossem em tom claro - harmoniosos. Mas, deve-se ressaltar, que também acrescentou ao seu visual o adjetivo 'chamativo'. Muito chamativo. Enquanto os demais príncipes esbanjavam elegância em seus conjuntos de cor creme, cáqui e bege em tonalidades pouco carregadas, Harry viera para contradizê-los. Chegou desfilando um modelito próprio, que havia sido produzido por um alfaiate famoso em seu reino. Harry era a borboleta.  Era a figura ostensiva dos grandes olhos de esmeralda, com um paletó inteiro de cor rosa salmão com desenhos de flores brancas costurados por todo ele. As calças eram da mesma cor e tecido, blusa interna na cor preta com gola em V e abotoada pela metade, tendo botinhas de cano curto prateadas em seus pés, uma gargantilha delicada - de apenas um ponto-luz no pingente central -, e sua típica bengala de cascavel sendo balançada no ar.  Seus cachos estavam mais volumosos naquela noite. Mais selvagens que o normal. E ele parecia avidamente mais m*****o que de costume, o imenso sorriso debochado entregava-o. Talvez ele estivesse mais bandeiroso do que as próprias princesas e seus vestidos armados, com as mangas justas e a parte de cima do corpo enfeitada com babados cobrindo o ombro, a saia em forma de trombeta com muito volume na parte de trás e a forma adquirida junto com o espartilho, como uma ampulheta. A anca projetada horizontalmente para trás. Elas eram verdadeiras bonecas submetidas a vestimentas coloridas e pesadas, penteados de meio coque com seus fios artificialmente cacheados e pó de arroz em excesso deixando seus rostos ainda mais pálidos. De qualquer maneira, aquilo era uma reunião para simular, metaforicamente, o aparecimento de uma última fase da borboleta, a que todos geralmente creem ser sua mais bela. Tudo estava se resumindo a danças ao som de um bom clássico no piano, melodias animadas e perfeitas para tirar as damas para valsarem. E era o que estava acontecendo. Bailando suavemente, Louis conduzia a princesa Diana Oiselle em uma valsa calma.  A dama francesa concedia-o sorrisos laterais de devoção e piscava seus lindos olhos verdes com graciosidade. - Com licença. - uma mão puxou-a sutilmente pelo ombro, fazendo com que Tomlinson e a princesa de Louve interrompessem seu passo imediatamente, para virarem-se ao indivíduo que vos chamara. - Será que pode me permitir uma dança com o Príncipe William, doçura? - Bem, se não me chamar de doçura novamente, pode qualquer coisa. - Diana respondeu-o secamente. Oh, Harry havia se esquecido do temperamento naturalmente ácido da bela garota. Imponente e desafiadora. Manteve contato visual com ela, não baixando a guarda, ele não abriria mão de sua pose prepotente por ela, não importa o quão autoritária soasse. (Mesmo que seu interior estivesse estremecendo graças as suas suspeitas recentes de quem se tratava realmente essa moça). - Perdoe-me. - murmurou, soltando um riso sátiro. - Não estou acostumado com garotas que não gostam de bajulação. - Há uma diferença entre bajulação e respeito, vossa alteza. - a francesa respondeu, seu sotaque ainda forte, e um ar destemido expelindo de si. Eles se encararam por alguns segundos antes que ela acenasse debochadamente para Harry e se retirasse de seu caminho. - Wow, agora vejo o que gostou nela, tão intragável quanto você, Príncipe William. - Styles proferiu, acompanhando Diana com o olhar enquanto a mesma se afastava para a mesa de bebidas. - Se me achas tão intragável, por que está pedindo-me uma dança, vossa alteza? - Louis indagou neutro, embora uma certa provocação estivesse sendo incitada em seu tom.  Styles o fitou, um sorriso petulante repuxando em seu rosto. - Eu tenho meus motivos, milorde. - enfatizou com desdém, dando um passo a frente e acabando com a distância que separava seus corpos. - Mas, agora, irá recusar-me uma dança? Não sou digno o bastante para toma-lo o tempo apenas por não me nominar Diana Oiselle? Louis olhou-o impassível, concordando com um aceno e fazendo uma breve reverência para Harry, sinalizando o começo da dança. Styles permaneceu ali, ereto, piscando sua arrogância para fora com o sorriso perverso fixo nos lábios. Carolina largada em um canto do salão. Assim eles se moldaram no encaixe suposto de valsa, com a mão pequena de Tomlinson repousando delicadamente na cintura de Harry enquanto o mesmo apoiava seu braço preguiçosamente no ombro do moreno. Suas mãos direitas se uniram, entrelaçando os dedos em um calor corporal energético o suficiente para quebrar a superioridade fria de Styles durante uma fração de segundos em que ele encarou perturbado para suas mãos juntas, os nós dos dedos de Louis envoltos pelas pontas de seus próprios dedos cheios de anéis, e uma sutileza no toque de sua pele macia e aveludada. Harry inspirou fundo sentindo-se desarmado e desviou a atenção perplexo para as lagoas azuis alinhadas ao seu rosto, que o encaravam quase inexpressivas, a não ser pelo toque de preocupação que havia nelas. Era certo de que o Príncipe William não esquecera do incidente da funesta segunda-feira, envolvendo lágrimas, lamentações e uma tempestade. E Styles gostaria tanto que ele não se recordasse, porque então toda vez que o observasse no fundo de suas pupilas, enxergaria a piedade pelo estado deplorável que o cacheado estivera aquela madrugada. O momento vulnerável e avoado de Harry, assim como todos os momentos da vida, foi superado, e ele logo piscou rápido para recobrar sua postura mesquinha e expressão maligna típica, expulsando qualquer resquício de abalo remanescente e adotando o olhar predador que o denotava. - Diga-me, Príncipe William, o que tem achado da noite? - Agradável. - Tomlinson respondeu, cordial. Conduzia habilidosamente os passos da valsa, fazendo com que Harry acompanhasse seu ritmo. - O clima, sobretudo. Há uma quentura úmida lá fora que me satisfaz. - Bom, há uma quentura úmida aqui dentro também, se é que me permite dizer. - Styles se encontrou dizendo, não podendo conter seu ímpeto de falar o que o vinha a mente sem o menor pudor. Louis o ignorou, embora. Nem sequer pareceu ceder um pouquinho à provocação de Harry, mantendo o olhar firme. - Oh, vamos lá, milorde, assim você me insulta. O modo como rejeita quaisquer de minhas investidas faz com que eu me sinta recusado. Não pensei que fosse tão sem coração assim. - Sinto muito, vossa alteza. Não é de minha pretensão corresponder a esses tipos de capricho.  - Por que? Por causa das normas de etiqueta? Você acredita que tem uma conduta a seguir? - Certamente. - Pois ouça o que digo, querido. Isso é desperdício. E esse é um conselho que não se aplica só nesta situação, como em qualquer outra:  Styles inspirou fundo e começou a proferir, milagrosamente sério dessa vez, sem piscares irônicos ou cantarolais. - Um dia você não vai mais rir. Um dia você não vai mais chorar. Um dia você não vai mais poder fazer o que já teve vontade. E um dia, quando fechar os olhos para sempre, viverá uma noite eterna em que anjos lhe manterão fisicamente adormecido. Darling, a vida é efêmera e você está deixando que a sua escorra pelo ralo. - Eu sei como aproveita-la do meu modo, vossa alteza, posso garanti-lo.  - Disso eu estou ciente. - Harry rebateu, um tom de quem insinua sobre algo embaçado em sua voz. Tomlinson o encarou intrigado e um pouco confuso, não compreendo o que aquilo deveria significar. Após um silêncio e rodopios improvisados, Styles prosseguiu: - Mas enfim, quando o questionei sobre o baile, fazia referência ao tema. - Bom, devo confessar que não o aprovei. Styles arqueou uma das sobrancelhas, curioso. - Não? E por que não?  - Você sabe, é sem propósito algo assim se estudarmos a fundo. - Louis alegou, realizando um movimento em que jogava Harry para trás, fazendo-o com que se arqueasse segurando-o pela base das costas com seu braço. - O que quer dizer com 'sem propósito'? - Príncipe Edward indagou logo que se reergueu e retornou para o posicionamento tradicional. - O que há contra borboletinhas? - O inseto ao nosso ver que só é belo e fascinante em seu último estágio. Os humanos tendem literalmente a sentir nojo das borboletas quando elas ainda são larvas ou lagartas, mas eles facilmente as apreciam quando há um par de asas primorosas e vibrantes enfeitando seus corpos. - Qual seu ponto? - A sociedade é tão hipócrita e doentia que trata a todos como borboletas em fases constantemente. Você não irá dar valor a alguém até que este lhe atraia, ignorando que o conteúdo que havia em sua alma permanece o mesmo, o que muda é sua aparência. Nós vivemos por ela. Superficialidade não é muito de meu agrado. - Controverso afirmar isso quando és um príncipe prestes a vestir uma coroa de rei cheia de diamantes, não? - Nem sempre estamos o fazendo por agrado, Príncipe Edward. - Sinceramente, eu sou um dos que prefere também a borboleta já formada.  - Elas continuam sendo os mesmos insetos que eram em suas fases primárias. A diferença é que estão com uma nova fantasia agora.  Sua fala foi o suficiente para lançar um sufoco dilacerante ao peito de Harry, o qual travou um pouco os passos respirando fundo e se esforçando para continuar. Ele sentiu como se aquilo fosse pra ele. E como se Louis soubesse exatamente a maneira de atingi-lo. Sendo assim, ele precisava contra-atacar. E seria agora. Em meio à valsa lenta, Harry aproximou ainda mais seu rosto do de Louis (que para variar permaneceu inabalado com isso) e levou seus lábios rosados para o pé de seu ouvido, cochichando. - Deseja saber a real razão de minha presença, milorde? Louis não o respondeu verbalmente, mas seu silêncio foi uma deixa para que continuasse. - Acontece que eu descobri o seu segredo. A dança imediatamente se cessou, Tomlinson afastando-lhe para que pudesse o encarar devidamente, avaliando a feição presunçosa de Styles. As gramas de verão pareciam finalmente ter despertado uma verdadeira comoção das lagoas azuis, que no momento estavam mais para piscinas profundas com uma tonalidade mais escura. - O que quer dizer com isso? - Eu diria que a tinta preta fresca é o suficiente para que adivinhe. - Harry revelou, sorrindo ainda mais amplamente quando a expressão antes serena de Louis mostrou-se genuinamente deturpada e atônita. Os olhos azuis fixaram-se com um pingo de exaltação e outro de susto nas grandes orbes verdes. - Não é possível. - Você não é um bom jogador de esconde-esconde, Tomlinson. Parece que encontrei uma das falhas. E ela certamente colocaria a prova sua moral e valores, você sabe. - Certo. O que busca em troca do sigilo? - o de olhos azuis cedeu. - Na hora certa, você saberá. - Harry falou piscando uma das pestanas e se afastando de Louis, distanciando-se vitorioso.  
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