- Laila
Minha rotina no momento é faculdade e academia. Se não estou estudando, estou treinando, o que amo fazer para desestressar, principalmente após uma semana intensa de provas. Faço faculdade de Educação Física, sim, isso mesmo.
Depois de participar de uma competição, ganhar em primeiro lugar no Tiro e ficar em terceiro em artes marciais, resolvi deixar de lado a vontade que tinha de fazer Nutrição para me dedicar à Educação Física. Meu objetivo hoje é me formar e abrir uma academia, onde haverá um espaço somente para mulheres, com aulas de autodefesa. Depois de saber mais sobre o passado dos meus pais, das situações desagradáveis que a Vic já passou e até mesmo do bullying que vivi, resolvi dar continuidade a tudo que meu pai nos ensinou. Afinal, descobri que nasci para essa adrenalina toda e a Educação Física me ajudará em outras disciplinas ligadas à saúde e às demais atividades físicas.
Uma aula que faço e amo é o Krav Maga, que é muito conhecido por ser excelente em ensinar auto defesa pessoal, pois é um sistema de combate corpo a corpo que envolve técnicas de luta, torções, defesas contra armas de fogo ou facas, assim como chutes, cotoveladas e joelhadas. A meta do treinamento é capacitar o aluno a impedir uma agressão, independentemente da posição: em pé, deitado ou sentado. Então, a junção de faculdade e academia para mim diariamente é algo que me fortalece e me deixa feliz.
— Olha só quem chegou! — assim que chego na academia, sou recebida pelo meu treinador e amigo Leonel, ele me ajudou muito quando estava treinando para as competições e depois acabou se tornando meu treinador oficial, já que no final do ano, quero participar novamente das competições.
— Cheguei e estou louca para subir no ringue — Digo sorrindo ao me aproximar dele, nos abraçamos, ele me dá um beijo carinhoso no rosto e nos afastamos.
Às vezes sinto que ele tenta alguma aproximação mais íntima, mas como nunca dei muito espaço, se mantém discreto. Não que ele não seja um pedaço de m*l caminho, pois é um gato, moreno, sarado, cabelo jogado para trás, olhos negros penetrantes, porém, não quero estragar a amizade que acabamos construindo.
— Os rapazes estão finalizando a luta, enquanto o ringue não está liberado, você vai se aquecendo, mocinha — dá a ordem e claro acabo bufando e o fuzilo com olhar, pois sabe que não sou nenhuma mocinha e sim uma mulher, muito mais madura que muitas com idades mais avançadas.
— Provoca mesmo a mocinha aqui, que te mostro logo mais o que sou capaz de fazer com homens fortes e maduros — provoco, afinal ele já tem seus trinta anos.
Ele ri e sem dizermos mais nada vou para o meu aquecimento. Quero treinar bastante, irei ficar uns dias fora. Victoria está voltando de viagem e combinamos de matar a saudades, não ficamos mais que um mês sem nos ver, ou ela vem para Nova York , ou eu vou para Itália, afinal tem meu sobrinho lindo também que amo demais,, fora que com jatinho do Fillipo tudo fica fácil. É rápido e super confortável.
Faço meu aquecimento no saco de pancada e após liberarem o ringue começamos nosso treino, quero desta vez ganhar ou ao menos conseguir o segundo lugar, por isso tenho me dedicado bastante. Começamos com treino de socos, onde ele fica com as mãos levantadas usando as suas luvas e eu começo com jab direto, depois gancho e quando estamos mais aquecidos, vamos para o corpo a corpo. Levo alguns socos no estômago, me defendo algumas vezes, assim como acerto na lateral do seu corpo e rosto, Leonel não pega leve, isso foi um pacto que fizemos para ele me treinar, nada de me tratar com cuidado, aqui no ringue e bater ou levar. Começo a treinar meus chutes e é nessa hora que ele me derruba, e fica por cima, tento me soltar, mas ele é bem forte, seu olhar queima sobre mim, por um instante olha dentro dos meus olhos. segundos que parecem até mais uma eternidade, já que nem ouvimos quando chamam o nosso nome, nesta hora aproveito que ouço primeiro, e ele ainda está focado em mim que consigo me soltar e o derrubo, dando uma chave de braço nele. Nosso mestre Oswaldo bateu palmas pela nossa luta e nisso nos soltamos ofegantes.
—Uau, estes treinos estão ficando muito bons, já te vejo no pódio, querida — diz sorridente e eu sorrio de volta.
— Sim, mestre, a mocinha aqui já está dando trabalho, estou começando a ficar com pena da adversária dela — Leonel brinca ao se levantar, estende a mão para mim e eu seguro, ficando de pé
.—Vocês estão enchendo muito a minha bola, sei que falta muito ainda para eu ficar ótima — digo o que sinto.
— Você já está ótima, acredite em mim, está mais do que pronta para esta competição. No tiro também, só precisa treinar mais um pouco, está focada nas lutas e deixou um pouco de lado as aulas de tiro — Oswaldo informa.
— Sim, pode deixar; quando voltar de viagem irei focar mais — aviso, descendo do ringue
—Vai viajar, Lalinha? — Leonel questiona.
— Sim, a Vic volta daqui a dois dias,irei aproveitar que terei uma semana de recesso na faculdade e vou, mas logo estou de volta, não chore — brinco, jogando a toalha no meu amigo.
— Bom, se vai viajar, hoje vamos sair, você precisa relaxar, sei que ficou nas últimas semanas estudando e treinando muito, precisa descontrair um pouco.
— Não sei, estou tão cansada — choramingo fazendo bico.
— Você enrola o Leonel, não a mim — escuto uma voz atrás de mim e acabo sorrindo.
— O que está fazendo aqui, maluca? — pergunto, me virando para Luciana.
— Vim treinar, você e a sua irmã me encheram tanto o saco que depois que fiz a primeira aula, peguei o gostinho, já estou a um tempo fazendo aulas, é que os nossos horários não estavam batendo, por isso não tínhamos nos visto aqui antes — Lu explica.
Realmente os horários dela são meios loucos, já que trabalha doze por trinta e seis no hospital
— Ok, vocês venceram, mas não quero voltar tarde. Realmente estou cansada — aviso e os dois riem.
— Nova com corpo de velha — Lu debocha, sempre fui mais caseira, a dupla dela de balada era a Vic.
— Corpo de velha não né? Pode ser mente — digo mostrando meu corpo e acabamos dando risada.
Combinamos então de sair e depois fui para casa.
***
Estou terminando de me arrumar e recebo uma notificação no meu celular. Pego-o e vejo que é o Leonel avisando que chegou. Borrifo mais um pouco de perfume, passo meu batom vermelho, não muito forte, me olho no espelho e fico feliz com o que vejo. Estou usando um vestido preto de alcinha com um decote, justo na cintura e mais soltinho embaixo. Não é muito curto, fica um pouco acima do joelho. Estou sexy sem ser vulgar. Fecho o apartamento e desço. Assim que chego à portaria, comprimento o Sr. Olavo, um senhor muito simpático que faz a vigília da noite.
Saio e logo vejo o Leonel encostado em seu carro.
Olho um pouco distante do outro lado da rua e, mesmo que sejam discretos, sei que são os seguranças que meus pais deixaram na minha cola enquanto estão viajando. Aliás, m*l nos falamos no dia da sua viagem, acabei tendo um problema na faculdade e não consegui me despedir deles. Enfim, deixo-os de lado agora, pois quero aproveitar a minha noite.
— Uau, você está linda, Laila! — sou elogiada e, para não ficar sem graça, dou uma voltinha e entro no clima.
— Você também está um pedaço de m*l caminho — provoco-o como sempre, e ele sorri.
Cumprimentamo-nos com um beijo no rosto, e seu perfume amadeirado, forte invade a minha narina.
“O homem lindo, cheiroso e gostoso” - penso.
Leonel abre a porta do carro e eu entro. Assim que colocamos o cinto, ele liga o carro e eu ligo o som, sempre faço isso, amo ouvir música enquanto estou num carro, numa viagem, em qualquer lugar, como ele me dá carona às vezes, já deixou uma playlist com meu, então começa a tocar a música da Taylor Smith e seguimos para buscar a Lu. Minha amiga está um arraso também, e já até sei quem ela está querendo provocar. Aliás, aqueles dois se provocam sempre, mas a Lu ainda tem seus receios.
Chegamos à boate Impérios, onde já passamos alguns perrengues, porém é o local mais seguro. Meu querido cunhado é o dono, então aqui ninguém mexe com a gente. Seguimos até o bar, o barman logo veio nos cumprimentar. Posso sair pouco, mas já conheço algumas pessoas daqui. O barman serve a bebida de sempre para nós. Eu e a Lu pedimos Gin com morango, e o Leonel pede uma cerveja. Conversamos um pouco no bar e depois fomos para a pista para aproveitar a noite, e nada melhor que dançar.
— Sério que ele está aqui?! — Lu bufa.
Quando olho para onde ela está olhando, vejo o Rafael, o gato que ela paquera de vez em quando, já verdade eles tem um rolo. Ele trabalha para o meu cunhado e ainda é amigo de um certo tiozão que ronda meus pensamentos às vezes.
Rafael levanta o copo nos cumprimentando, sorrio para ele e Leonel balança a cabeça. Ele também conhece todos.
— Lu, relaxa, vamos dançar — puxo-a e nós começamos a dançar.
Leonel dança conosco e, não demora, Rafael se junta a nós. Acabo rindo da cara que a Lu faz, adoro o Rafael, pois é muito brincalhão.
Logo, estamos todos mais à vontade. Aproveito de combinar com Rafael , de irmos juntos para a Itália, já que ele tinha negócios para tratar com o Fillipo.
E assim foi a minha noite: tranquila e bem divertida, até bebi mais do que pretendia, ficando um pouco alegrinha e soltinha. No final, a Lu foi embora com o Rafael e eu voltei com o Leonel o que seria a prova de fogo: ele lindo, cheiroso, gostoso, que me olhou com chamas no olhar a noite toda, porém sempre um cavalheiro, respeitador. Porém eu estou com o corpo quente das bebidas que tomei, a meses sem ficar com ninguém, e tendo que me controlar para não colocar a nossa amizade em risco. Por pouco não nos beijamos antes de entrar no carro, pois acabei tropeçando e ele me segurou pela cintura. Aquele ato de proteção, aqueceu meu coração, quando ele me ajudou a ficar em pé, nossos corpos se chocaram e nossos lábios ficaram a poucos milímetros, tanto que consegui sentir seu bafo quente do whisky que bebeu com Rafael. O beijo só não aconteceu, pois o Rafael passou de carro ao nosso lado, buzinou e deu uma aviso.
— Só a leve direto pra casa em segurança - seu tom não era de brincalhão como sempre é sim autoritário. Estranho até, porém o ignorei. Só tive vontade mesmo de soca - lo, por ter atrapalhado nosso momento.
Por fim voltamos em silêncio, afinal acabei pegando no sono, como eu disse estava muito exausta. Chegando Leonel me acordou com cuidado, nos despedimos e combinamos de nos ver quando eu voltar de viagem