Capítulo 06

1596 Palavras
No ano passado uma das garotas da rua onde morávamos casou. Fomos convidados para o casamento, tinha sido minha primeira experiência em um casamento e eu fiquei maravilhada. Tinha tanta riqueza, tanta beleza, tanto amor... Nada com o que eu tinha para mim no momento, a casa era rica e elegantemente decorada, porém nada que lembrasse um casamento, ao meu redor eu sentia os outras mulheres me analisando, ao fita-las algumas desviava o olhar, outras faziam careta ou até mesmo expressões de deboche. Não encontrei nenhum rosto amigável em meio à multidão, por este motivo me voltei para frente, onde pude ver, pela primeira vez, aquele que seria o meu marido. Farid Abdala pode se considerar um homem bonito. Opa. Corrigindo, um homem maravilhoso, forte, elegante e de feições tão belas como os atores de cinema, mas algo no seu olhar era estranho, meio vazio, com uma fúria contida... Algo naquele olhar me deu um frio na espinha, porém foi quando ele sorriu que eu fiquei realmente apavorada, foi neste momento que senti v*****e de virar pra trás e correr o mais rápido que eu pudesse. Talvez está tivesse sido a melhor decisão que eu poderia tomar, porém ao meu lado eu sentia meu tio a puxar meu braço. -Queria, você precisa dá um passo à frente. -Eu sei. - sussurrei. -Então comece a andar. -Não sei se consigo. -Aisha, agora é tarde pra desistir. Continuei parada. Lá na frente percebi Farid erguendo uma sobrancelha para mim. -Vamos, um passo de cada vez. Não. Podemos. Dar. Pra. Trás. Não agora. Olhei para meu tio e comecei a andar. Tornava-se mais fácil se eu mantivesse meu olhar no chão, sem rostos que não estavam felizes a me ver ou que me causavam medo. A cerimonia se passou como um borrão pra mim. Me mantive olhando para o chão, como se de uma hora para outra tivesse surgido nele coisas sobrenaturais. Falei o que mandaram eu falar, fiz o que mandaram eu fazer, somente na hora da troca das alianças uma lagrima solitária desceu no meu rosto. -E, a partir de agora, e para todo o sempre vos declaro casados. Agora vocês se levantam como um só, duas partes de um único corpo. Agora selem esta união com o símbolo casto do amor, um beijo. Antes que eu pudesse pensar muito sobre o que estava pra acontecer Farid já tinha levantado meu rosto através do meu queixo e selado os nossos lábios, se afastando logo depois, antes mesmo que eu me desse conta. -Vão, vivão e transmitam a vida que aprendemos com o nosso Senhor e sua casa será de felicidade. Recebemos aplausos tímidos e caminhamos pelo tapete como casados pela primeira vez. -Agora- um homem desconhecido falou com uma câmera- tiremos uma foto dos noivos e, logo em seguida podemos almoçar. Farid consertou sua postura e me segurou pela cintura, se preparando para foto. Eu sentia como se todo o sangue do meu corpo tivesse sido drenado e como se meu corpo estivesse murchando. -Sorria para a foto, cordeirinho. Não vamos deixar que pensem que está se casando contra sua v*****e. Olhei para ele irritada, ele estava me olhando de volta e quase, por muito pouco, esqueci o insulto que ele tinha deferido contra mim. Por pouco não me perdi na imensidão daqueles olhos verdes. -Pronto. Podem se dirigir para a sala de jantar e vocês garotas, nem adianta se apressarem porque os lugares já estão marcados. Isso serve pra você também Letisha. E por um momento meu marido já não estava mais do meu lado, tinham sido arrastado por suas outras esposas. - Foi uma cerimônia muito bonita minha querida. – Meu tio falou -Sério? - falei descrente. - Você estava linda minha prima, isso que importa. E também não é como se seu marido fosse f**o. -Ele me causa um frio na espinha. -Essas coisas vocês acertam na convivência. Ri. -Só você pra me fazer ri Saville. Seguimos as outras pessoas até o local onde seria o almoço, a mesa estava elegantemente arrumada, a comida estava com um cheiro maravilho, mas não é como se eu estivesse com fome. Meu local na mesa era ao no outro extremo da mesa, frente a frente com Farid, mas graças a Deus a pessoa que organizou os lugares era bastante piedosa e colocou Saville do meu lado direito e meu tio do lado esquerdo. -Você é mais bonita que todas elas juntas. -Saville! -É a verdade. -Elas já não parecem gostar muito de mim, você vai acabar piorando a situação. -É claro que elas estão com inveja de você, sabe que você será a preferida daqui pra li. - Você é impossível. -E mesmo assim você não sabe viver sem mim. -Vamos ver se você vai conseguir sobreviver sem mim. Assim que falei isso me arrependi. O clima de brincadeira se desfez no mesmo instante. -Provavelmente não. - ela falou com os olhos marejados. -Ei, não fale assim. Você tem o tio Kerin e ainda tem o seu amado Karan. Você vai ficar bem. -Tem razão. – ela falou enxugando as lagrimas. – Será menos uma chata em minha vida. Continue brincando com Saville durante todo o almoço, nem me preocupando em comer, apesar do menu maravilho. -Bom, agora é hora de voltarem para casa minhas garotas, enquanto eu e a família da minha noiva resolvemos negócios. – Farid falou assim que terminou sua refeição. –Me acompanhem até o escritório. Andamos no mais completo silencio, minha família parecia tensa enquanto Farid se deslocava relaxado. -Direto aos negócios, já assinei minha parte dos documentos, estes são os seus. Conforme você pediu já foram revisados por seu advogado. Enquanto você, minha querida esposa, preciso que assine esses papeis e... por favor, use o seu nome oficial. Aisha Abdala. - após falar isso, ele olhou diretamente para meu tio, que abaixou a cabeça em sinal de vergonha. Assinamos os documentos o mais rápido possível, doidos para acabar de uma vez por todas com este momento embaraçoso. -Agora que terminamos tudo o que tínhamos que fazer, espero que fique à v*****e para se retirar, Cheddid. Deixarei que você os leve até a porta Aisha, mas não pense nisso como uma a******a para fugir. Aqui você estará constantemente vigiada. Ah, e não se delonguem muito. Agora podem ir. Depois de olhar com ódio para ele por alguns segundos, meu tio saiu nos puxando com ele. -Maldito bastardo, acha pouco toda a humilhação que passei hoje... -Ele é terrível Aisha, sinto muito. -Tudo bem. -Nós poderíamos fazer alguma coisa, não podemos deixar ela com esse monstro pai. -Eu vou ficar bem gente, todas as outras esposas dele parecem bem tratadas. -Mas você tem algo que elas não tem, prima. O sangue dos Cheddid. - Vai ficar tudo bem. Agora relaxem e tenham uma boa viagem de volta. -Qualquer coisa você arruma uma forma de nos avisa. – Saville falou enquanto me abraçava. – Nem que seja por sinal de fumaça. -Tá certo pequenininha. Não esqueça de lutar pelo seus sonhos, hein? - lhe falei com uma piscadinha. -pode deixar. -Tio, faça as coisas certo na empresa dessa vez. -Com certeza minha querida. Me perdoe. – essa última parte ele sussurrou no meu ouvido. Sorri em resposta e fiquei observando enquanto o carro deles se afastava. Me virei para aquela que seria minha casa agora, respirei fundo três vezes e entrei. Voltei para sala onde tinha sido o casamento. Estava vazia. Aproveitei para analisar os detalhes, tinha muitas peças de cerâmica e em ouro que pareciam ser antigas. Peguei em minhas mãos uma das cerâmicas decorativas. -São do tataravô do senhor Farid. – O mesmo homem que tinha tirado minha foto com Farid falou, me assustando. Por pouco não derrubo o vaso. - ele ganhou de presente de casamento. – ele falou a pegando das minhas mãos. - Possui mais valor emocional do que real. -Desculpe, eu... só estava olhando. Não sabia pra onde ir e... me perdoe. -Está tudo bem. - ele me abriu um sorriso sincero. – Meu nome é Onur, sou secretário do senhor Farid. Tem um quarto esperando por você lá em cima, por favor, me siga. A sua mala menor está lá, o restante das suas coisas está no seu quarto na casa das Senhoras. É lá onde realmente irá morar, junto com as outras esposas, ademais saberá quando poderá sair dela através de ordens do senhor Farid. As regras de convivência são bem básicas: 1- Nada de fazer fofoca com o senhor Farid. 2- Nunca venha sem ser convidada. 3- Brigas e nenhuma violência é permitida. 4- Na dúvida entre fazer ou não algo, não faça. 5- evite ao máximo brigas. Sempre tem um guarda do lado de fora, sempre o avise que vai sair quando precisar de sol. Alguma dúvida? -Não. -Ótimo, porque chegamos. E, senhora Aisha... algumas das garotas podem ser difíceis, não entre nas confusões delas, as ignore. Elas farão de tudo para que você fique queimada com seu marido. Seja boa com ele e ele será bom com a senhora. Fique no seu canto, quieta e comportada e tudo ficará bem. Ademais não precisa ter medo, ele é um bom homem no fundo. -Obrigada, Onur. -Disponha, senhora. Agora entre e espere, logo ele se unirá a senhora. Fique à v*****e, faça o que quiser para ficar confortável desde que não saia deste quarto. Mais tarde será servido comida. -Certo. -Agora, se me dá licença. Onur se retirou da mesma forma como se adentrou: rápido e silencioso, me deixando sozinha em minha cela de luxo.
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