Olívia
Dou partida no carro e começo a dirigir sem rumo pela estrada. Enquanto eu dirijo, imagens horríveis começam a aparecer na minha mente, é como se um pesadelo adormecido tivesse sido despertado após a notícia de que meu pai fez um acordo me pondo como condição para se casar com um estranho. São imagens do dia que eu descobri que Matheus, meu primeiro e último namorado, havia feito uma aposta com os amigos para tirar minha virgindade. Ele era meu namorado, nós dois realmente tivemos uma relação, mas era tudo uma brincadeira para ele.
Além de tudo ele me traiu com várias garotas, as quais fizeram questão de zombar de mim na escola por dias, foi a pior humilhação que eu já passei na vida, fui burra de ter me entregado tão rápido a um moleque i****a, como eu me arrependo! Aquilo me destruiu, eu me senti um nada, chorei por dias, emagreci, quase entrei em depressão e somente com o apoio da minha melhor amiga Eloíse e meu irmão João, eu consegui superar, a verdade é que eu sempre fui muito dependente deles, porém hoje eu preciso agir como mulher, já chega de ser a menininha mimada de sempre e correr para os braços de alguém.
Limpo algumas lágrimas que caíram com as lembranças dolorosas e continuo a dirigir sem rumo. Passo por um posto de gasolina e encho o tanque do carro, não irei cometer o mesmo erro duas vezes. Quando percebo já cheguei a cidade e também já está anoitecendo. Estaciono meu carro no primeiro bar que encontro e entro, está um pouco vazio, só vejo três pessoas, uma mulher flertando com o barman, um homem chorando num canto e uma outra mulher brigando com alguém ao telefone.
"Bom início de noite." O barman simpático me atende, em seu olhar há alívio, certamente por eu ter chegado e ele me atender ao invés de aguentar a mulher encima dele. "Em que posso ajudar?"
"Quero qualquer bebida forte que você tiver." Peço e ele sorri ligeiramente.
"Decepção amorosa, aposto." Ele diz simpático.
"Nem tanto. É mais para decepção de família." Respondo e ele me serve um copinho de uma bebida transparente.
"Vodka, dado a minha experiência profissional, vejo que não está acostumada com isso, então vamos pegar leve." Ele fala e eu bebo de uma vez sentindo o líquido descer queimando minha garganta.
"Mais! Por favor!" Peço fazendo careta sentindo uma estranha e compulsiva vontade por mais. Não sei como as pessoas gostam disso, é muito r**m!
Algum tempo depois, já me encontro com uma pequena coleção de copinhos na minha frente, já sinto minha mente girar e minha visão ficar embaçada, porém minha boca clama por mais bebida, e de acordo com que eu bebo, lágrimas escorrem pelos meus olhos, não sei o que está dando em mim, mas sinto uma vontade imensa de chorar.
Agnelo
Hoje o dia foi tedioso, encontrei três foragidos da justiça e investiguei o diretor de uma faculdade na Inglaterra, a pedido de um juiz da Califórnia. Estou cansado, m*l dormi ontem a noite, na realidade não dormi nada. Após ter insistido em dirigir para Olívia até a casa dela, ela não aceitou e foi embora depois de arrumar suas roupas, senti ela ficar estranha de repente, ela simplesmente entrou no carro e se foi.
Quando cheguei ao meu apartamento, era quatro e meia da manhã, eu tive que levantar as seis então não fiz questão de fechar os olhos, também ao fazê-lo a única imagem que vinha a minha mente era daquela morena gemendo no meu ouvido encima do capô de um carro. Eu não consigo pensar em outra coisa, em outra pessoa, é nela que eu penso depois da noite de ontem, necessito ter aquela mulher na minha cama mais uma vez, ela é muito boa, tem algo com ela que eu não posso explicar, me deixa louco.
É sexta-feira, preciso terminar o dia enchendo a cara um pouquinho, após isso talvez eu fique com alguma mulher que me faça esquecer a morena gostosa, meu p*u dói de novo só de lembrar dela, p***a! Preciso dar um jeito nisso. Nunca fiquei viciado em uma b****a antes. Olívia, Olívia... Inferno!
Paro no meu barzinho predileto de sempre, procuro uma vaga para estacionar, pelo jeito já deve estar lotado. Mas um carro em comum chama minha atenção, já vi esse carro antes.. É claro, é o carro dela. Minha... Digo, Olívia está aqui? O que ela faz aqui? Isso não é lugar para uma moça como ela. Irei verificar agora mesmo.
Estaciono o carro de qualquer jeito e já entro no bar com o coração palpitando, mas o que é isso coração? Você nunca ficou assim. Procuro no meio das pessoas e encontro a pessoa mais bonita desse lugar, ela parece estar chorando e conversa com o barman, nesse momento fico com receio de me aproximar, mas ela aparenta realmente não estar bem. Portanto engulo em seco e aproximo-me lentamente, faço sinal com os olhos para que o homem se afaste e então coloco minha mão em suas costas.
Ela olha para mim um pouco assustada, acho que tomou um susto com meu toque repentino. Seus olhos estão vermelhos e molhados de lágrimas, seu lindo rosto de beleza estonteante está abatido e triste, sinto uma dor aguda no peito ao vê-la assim.
"Acho que Deus também ouve as orações dos bêbados, tá vendo?" Ela balbucia me olhando.
"O que você está fazendo aqui? O que houve com você?" Indago.
"Eu não quero me casar com ele, por favor me ajuda, eu não quero me casar, mas também não quero ficar pobre!" Ela fala pausadamente com dificuldade. Que p***a de assunto é esse?
"Que assunto é esse? Você vai se casar com quem?" Pergunto mais uma vez porém sei que é inútil fazer perguntas à pessoas bêbadas. "Vamos embora daqui, você já bebeu demais, vamos para minha casa." Falo com calma para que ela não se assuste.
"Eu estava implorando mentalmente para que você aparecesse... Você pode me abraçar? Eu gosto muito de estar em seus braços..." Ela pede e eu sinto algo estranho tomar conta de mim, eu sinto que preciso cuidar dela.
Pego Olívia com cuidado e saio do bar, digo ao dono que depois acerto a conta dela com ele. Coloco ela dentro do carro enquanto fala algumas coisas emboladas e chora, consequência de pessoas novas na bebida, me pergunto o que aconteceu para que ela dirigisse até um bar da cidade para beber sozinha, essa garota não tem noção do perigo? Qualquer um podia se aproveitar dela, carregar ela daqui assim como estou fazendo, sorte dela que quem apareceu fui eu.
Não posso levar ela para a casa dela, talvez os pais irão me encher de perguntas e eu sairei como o culpado disso, sendo que nem sei o que houve. Portanto levo-a para meu apartamento. Dirijo com cuidado olhando a todo momento o banco traseiro no qual ela se encontra dormindo. Chego ao meu destino e subo com Olívia em meus braços, ela não pesa muito o que facilita o processo. Assim que chego em meu andar, paro e caminho até minha porta, entro, vou até meu aposento e coloco ela lentamente deitada na cama.
Me afasto e arranco minha camisa, confesso estou estressado, quero muito que ela acordei e se recupere, necessito saber que papo é esse de casamento, essa p***a de assunto ainda não saiu da minha cabeça e eu irei descobrir o que está havendo.
Olho ela dormindo e me encanto cada vez mais com a beleza distinta em seu rosto, parece um anjo dormindo, porém eu sei mais do que ninguém que não existe anjinho nenhum ali. Mas agora me pergunto, será que essa menina não tem namorado? Ou melhor, será que ela seria capaz de trair o namorado comigo assim?
Afasto esses pensamentos da cabeça e vou para o banheiro tomar um banho, preciso urgentemente. Lá penso em tudo que senti quando estive com ela, ela é incrível, é maravilhosa, é deliciosa, já disse e repito, nunca transei com uma mulher assim. Olho para o meu p*u e ele está duro feito pedra, só de pensar em mim tocando ela. Mas ligeiramente um pensamento infeliz vem a minha mente, a imagem dela se casando, de outro homem tocando ela, experimentando o que eu tenho em minhas mãos agora.
Não era para me afetar, mas me afeta pra c*****o!
Com tudo isso é inevitável que lembranças do passados não voltem agora para me atormentar, Nora também tinha cabelos escuros e rosto de anjo, ela me jurou amor eterno, ela disse que me esperaria até o fim de sua vida enquanto eu estivesse na cadeia, porém ela mentiu, ela quebrou meu coração, a única mulher que eu amei na vida destruiu minha alma me humilhando na frente de todos ao se casar com outro alegando o amar mais que tudo.
Hoje, me considero um homem forte e feliz, nunca senti e nunca mais sentirei de novo por alguma mulher o que senti um dia por Nora, não pelo fato de ser única, mas sim pelo fato de meu coração ter se fechado demais, não gostei da dor e eu não quero experimentar ela de novo. Entretanto quando saio do banheiro e me deparo com Olívia aqui deitada na minha cama, sinto algo em mim que em muito tempo eu fiquei sem sentir, que nenhuma mulher na vida me fez sentir. A p***a do coração acelerado.