O tempo não passa aqui dentro. O concreto fede. As paredes parecem se mover de tanto que eu as encaro. As vozes dos outros presos são apenas zumbidos irritantes no fundo da minha mente. Nada me distrai, nada me consola. Eu respiro ódio. Eu mastigo rancor. Eu durmo sonhando com o rosto dela. Taylor. Ou, melhor… Vanessa, como ela se chama agora. Minha mulher. A que me traiu. A que me denunciou. A que me arrancou tudo. Mas hoje… hoje alguma coisa mudou. Hoje ele veio. Cachorro Louco. Entrou com aquele andar de quem sabe que pode atravessar o inferno com um fósforo na mão. A segurança olhou torto, como sempre, mas ninguém barra um desgraçado como ele por muito tempo. Sentou à minha frente com um sorriso torto e olhos brilhando de prazer. — Tenho coisa boa pra você, irmão — disse, joga

