Abri os olhos e, logo em seguida o despertador tocou. Eu acordei antes dele.
Estava me sentindo com tanta energia que nem parecia que tinha perdido algumas horas de sono.
Refleti muito enquanto me arrumava.
Como será a faculdade? Será que as pessoas vão gostar de mim? Será que vou gostar de estudar medicina? E se eu realmente conhecer um garoto como a Tia Louise falou?... Não, não vou ficar pensando nisso. Vou descobrir tudo isso quando chegar lá, vamos ter calma Kira!
Escutei batidas na porta.
— PODE ENTRAR! — Papai abre a porta.
— A Kimberly chegou. — Assenti e voltei a pentear o cabelo — Kira, me promete que vai ligar sempre que puder?
— Eu prometo para você papai, eu vou estar sempre atualizando vocês do meu dia-a-dia. — Sorri, tentando confortá-lo.
— Me prometa também que você não vai se envolver amorosamente com nenhum vagabundo, que tenha tatuagem, que use brinco, que beba bebidas alcoólicas e que não use drogas. — Confesso que já estava esperando por isso. Esse sempre foi o maior medo do meu pai. Ele me fala isso desde sempre.
— Prometo para você papai. — Prometi, rindo de sua preocupação.
O voo foi bem tranquilo. É a primeira vez que estou viajando sem meus pais. Acho que o choro sofrido e todo aqueles discursos lamentáveis da minha mãe enquanto se despedia eram normais, não é?
— Se eu não deitar por uns instantes eu vou vomitar. Não suporto mais o balanço da viagem e cheiro de carro, já estamos chegando moço?? — Kim queixava-se.
— Só alguns quilômetros até lá.
Confesso que também estava odiando. Será tarde demais para arrependimentos?
Finalmente, chegamos ao apartamento. Abandonamos as malas no primeiro cantinho que vimos e só lidamos com elas no dia seguinte.
Por que tarefas domésticas são tão chatas? Queremos a casa limpinha, mas não gostamos de limpar.
O final de semana é muito chato. Creio que, por ser o primeiro longe de casa, quando a faculdade começar, não vou mais ter tempo para ficar entediada.
Kim conseguiu um emprego próximo de casa. Ela trabalha praticamente todos os dias e faz muitas horas extras para se manter. Acho que estou m*l acostumada, porque odeio ficar sozinha o dia inteiro.
A faculdade começa hoje e estou muito ansiosa. Como devo me vestir adequadamente? Vou usar uma calça social com uma blusa branca... não... uma calça jeans slouchy com uma blusa marrom claro e... um tênis branco, perfeito!! Uma vez meu antigo diretor disse que o jeans é uma das roupas mais bem vestidas.
Entrando na faculdade, fiquei extremamente encantada. Um lugar encantador, onde os ares da educação se misturam harmoniosamente com a arquitetura, criando uma energia mágica e tranquila.
Muitos nos encaravam. Acho que é porque nunca nos viram antes. Talvez temos os trejeitos diferente e isso chame atenção. É normal, mas para mim que sou tímida, é difícil lidar com esse tipo de situação.
Meu primeiro dia está sendo bem legal. A experiência de estar na faculdade é surreal. Sinto como se todo esforço finalmente valesse a pena.
Eu andava pelos corredores observando tudo, não olhei para frente, então só percebi que vinha alguém na minha direção quando a senti esbarrar em mim com uma força bruta, mas não proposital. Acho que depois disso meu ombro deve estar uns 2 centímetros torto.
— Ah perdão, mil desculpas... — Um rapaz muito bonito, moreno e alto, se desculpa por esbarrar em mim. Parece até uma cena dos filmes de romance. O garoto parece me analisar por alguns segundos. — Você é caloura? Ainda não tinha visto você por aqui.
— Eu que deveria pedir desculpas. Ah sim, hoje é meu primeiro dia na verdade. — Forcei um sorriso simpático. Dizem que o sorriso é a melhor forma de fazer com que gostem de você. Fazer amizades não seria uma má idéia.
— Meu nome é Robby, qual o seu?
— Ah é Kira.
— A gente se vê por aí Kira — Deu um sorriso absurdamente lindo e saiu andando. Essa foi a conversa mais desestruturada que já tive.
Kimberly faz enfermagem, então é de outra sala. É uma pena, pois eu sou bem tímida e detesto ficar com pessoas que não conheço.
— Como é o seu trabalho? — Quebrei o silêncio durante a volta da faculdade.
— Trabalho em um grande restaurante como garçonete, eles pagam bem e é um bom emprego, não é?
— Sim Kimberly, você realmente acha que vale a pena? Quero dizer... não é exaustivo? — Questionei.
— Para ser sincera, todo trabalho é exaustivo, mas não está me atrapalhando ou sobrecarregando, se é isso que você quer saber.
Chegamos em casa e, ao contrário de Kim, eu tive que falar com a minha mãe. Ela tem algumas exigências.
— Oi minha filha como que foi a faculdade? — Mamãe questionou assim que cliquei para atender sua chamada.
— Oi mamãe, gostei muito. Aqui é tão diferente do interior, confesso que fiquei um pouco assustada quando cheguei, mas agora sinto como se fosse a minha cidade natal. — Desabafei e percebi o semblante dela ficando cabisbaixo. — Tudo bem mamãe?
— É que você gostou tanto daí que acabei pensando besteira. Mas a faculdade? Fez amigas? — Mudou de assunto.
Será que a mamãe acha que eu iria deixá-la para morar aqui definitivamente?
— Ainda é cedo para fazer amizades mamãe, mas logo creio que eu esteja com muitas amigas. — Não creio.
— E Kim? Estuda na mesma turma que você? — Mamãe acha que a faculdade é o ensino fundamental.
Depois de muita conversa sem estrutura, pude finalmente descansar.
Semanas se passaram e Kim está muito sobrecarregada. Há alguns dias, ela me contou que um garçom largou o emprego e desde então ela está trabalhando por dois. m*l a vejo, ela está sempre cansada e sem disposição.
— Kim, estão contratando no seu trabalho? — Ela assentiu. — Vou ocupar a vaga, vou te ajudar no seu serviço e financeiramente.
— Kira, não! Já conversamos sobre isso, não é justo. Não preci... não posso aceitar sua ajuda. — Por mais que Kimberly negue, eu sei que no fundo ela está se sentindo aliviada.
— Me ajuda a conseguir o emprego? Preciso começar o quanto antes, não suporto passar o dia todo trancafiada sem fazer nada. — Kim me olhou por uns segundos, baixou a cabeça e percebi umas lágrimas escorregando por seu rosto.
— Obrigada! Muito obrigada! — Abracei-a. Coitada, ela deve estar muito exausta.
Kimberly me ensinou a como servir mesas razoavelmente bem, para que eu pudesse fazer bonito quando necessário.
Entendo como ela devia estar se sobrecarregando. Minha mãe paga o aluguel do apartamento que moramos e manda uma boa quantia em dinheiro para alimentação e outras coisas. Infelizmente, Kim tem que arrumar uma maneira de conseguir a mesma quantia para ajudar com o aluguel e as demais contas. No lugar dela, eu também me sentiria m*l em ser bancada por alguém e que nem mesmo é meu parente.
Ter um salário já é uma grande ajuda, imagine ter dois?