Patrícia Nasci no morro do Joca. Fui uma criança feliz apesar da pobreza e da violência ao redor. Me lembro de minha mãe trabalhando de faxina e meu pai de pedreiro. Lembro da crise que deu, em que minha mãe perdeu várias faxinas, e o meu pai teve de virar catador de lixo. Ele não conseguia muito e chegava sempre zangado em casa. Minha mãe voltava tarde, pois precisava manter as faxinas que tinha, que era o que nos mantinha sem passar fome. Meu pai passou a beber, o pouco que ganhava com as coletas, e aos poucos a bebida foi substituída pelas drogas. Eu implorava para a minha mãe me levar junto nas faxinas, pois tinha de ficar sozinha com meu pai. Ele chegava louco e já havia me batido. Minha mãe até tentava, mas as patroas não gostavam, e para não arriscar perder o trabalho, ela me dei

