Capítulo: 26 Ponto de Vista — Angélica Quando o sedan preto finalmente parou em frente ao meu prédio de fachada descascada, o contraste era quase cômico. Aquele carro exalava um poder silencioso que não pertencia ao meu bairro. Senti um misto estranho de alívio por estar em casa e um nervosismo agudo que subia pela espinha, como se eu estivesse deixando para trás uma bolha de proteção perigosa. O motorista desligou o motor. O silêncio que se seguiu foi denso. Ele virou um pouco o rosto, mantendo os olhos fixos no retrovisor, a postura impecável de quem estava acostumado a lidar com segredos. — Chegamos, senhorita. — Obrigada — respondi, minha voz saindo um pouco mais trêmula do que eu gostaria. Tentei transparecer uma calma que, honestamente, eu não possuía. Por dentro, eu era uma bag

