— Po**a, Angelique! – Ele xingou bem no meu ouvido.
Eu tinha feito uma excessão naquele sábado a noite para nos vermos na casa dele. Alex já morava sozinho, então não tinha ninguém além de nós dois ali. Eu estava deitada debaixo dele, com o vestido erguido e a calcinha molhada, enquanto o sentia contra o tecido fino da peça. As mãos dele seguraram as alças da minha peça íntima e as puxaram para baixo. Eu segurei a mão dele.
— Não, Alex! Você prometeu, por favor.
Ele tinha dito que respeitaria meu espaço e estava fazendo exatamente o contrário. Alex saiu de cima de mim, catando sua camisa e a colocando com raiva. Já faziam mais de dois meses que estávamos naquele impasse.
— Ajeita a roupa, vou te levar para casa.
Eu me sentei, fechando as pernas e ajeitando o vestido antes de catar meus óculos que foram parar em algum lugar do colchão.
— Vai me mandar embora porque eu não quis t*****r? Vai começar a me tratar de qualquer jeito agora? – Senti vontade de cuspir na cara dele que não me sentia a vontade em partes porque ele não me passava segurança.
As situações eram diferentes, mas Ahren conseguia me fazer acreditar que eu era a garota mais bonita do mundo quando falava com confiança, mesmo que a sensação desaparecesse assim que eu me olhava no espelho mais próximo.
Alex negou.
— Você não entende que não faz sentido? Eu te assumi, Angelique! Para os meus pais, publicamente e para todo mundo. Fiquei contra eles por causa de nós dois e agora você me despreza como homem.
— Eu não estou te desprezando! – Me indignei. Alex soltou um riso sem humor, abotoando a calça.
— Então você está se satisfazendo com outro, é a única explicação plausível para a sua falta de interesse. – Eu me levantei, ultrajada.
— Como é que é?! Está insinuando que tenho outro?
— Você não facilita as coisas, tá bem? – Ele abriu os braços. — Eu não sei mais o que pensar.
— Já pensou que você pode não me fazer sentir a vontade? Que parece um maníaco por sexo que não está nem aí para o fato de ser a minha primeira vez e que eu posso querer algo especial? Ou que posso sentir dor? Por você a gente já tinha transado dentro da merda de um carro, Alex! Não importa se é a minha primeira vez, tudo que você quer é f*der, só pensa em si mesmo. – Eu levantei, pegando minha bolsa e indo em direção a saída.
Antes que eu alcançasse a porta Alex segurou meu braço.
— Espera, gata. – Me virei para ele. — Não é nada disso, tá? Eu estou ansioso, só isso. Estamos juntos há muito tempo e você me deixa maluco imaginando coisas que a gente poderia estar fazendo.
Cruzei os braços quando ele me soltou.
— Eu não estava olhando por esse lado, mas você tem razão, gata. Você quer uma coisa especial, que não vá esquecer nunca mais e eu vou te dar.
— O que quer dizer?
°°°
Alex fez suspense, mas dias depois apareceu com a idéia de uma viagem para fora do país. Ele queria me levar para as Maldivas já que eu vivia babando as fotos de qualquer um que tivesse ido para lá. Seríamos só nós dois em uma ilha paradisíaca, Alex marcou a viagem para o fim do ano porque precisaria organizar a agenda de trabalho e da faculdade e ficamos acertados assim.
No trabalho uma coisa surpreendente aconteceu, fiz uma quase amizade. Não tínhamos i********e o bastante para nos considerarmos amigas mas uma cliente desastrada virou minha colega quando vi o mesmo livro que eu já tinha lido na mão dela. Começamos a conversar bastante, logo Letícia me convidou para ir ao cinema em uma noite de sábado.
Alex ligou no meio do filme, depois de recusar a chamada três vezes eu tive que sair da sala para atender. Eu tinha esquecido de avisar a ele que ia sair naquela noite e quando disse onde e com quem estava percebi que ele não gostou. Sua voz mudou e ele ficou monossilábico.
Paciência, eu que ia deixar ele estragar minha noite.
Ele me ignorou o resto do fim de semana e no próximo domingo eu o ignorei também, na segunda feira era feriado e eu marquei de ir a praia com Letícia. Minha bolsa já estava arrumada quando ele ligou.
— Oi, Alex.
— Há um tempo atrás você me chamava de amor. – Resmungou.
— E há um tempo atrás você não me ignorava sem motivo aparente.
— Eu não quero brigar, tá bom? Liguei para saber como está e o que está fazendo.
— Estou bem, terminando de me arrumar.
— Se arrumar para onde? Não marcamos nada hoje, eu te disse que teria um almoço exaustivo em família na minha casa.
— Para a praia, com a Let.
— Vai sair com ela de novo?
— Sim. – Alex bufou do outro lado. — Essa garota não é uma boa influência, gata. Por que não fica em casa?
— Porque não estou afim. Quero ir a praia, algum problema?
— Não, é que eu não posso ir.
— Mas eu posso, ué. Você está com sua família e eu posso muito bem sair com uma amiga.
— Gata, fica em casa hoje, por favor? Prometo que te levo para sair outro dia.
— E por que eu deveria? – Coloquei uma mão na cintura.
Alex tinha endoidado de vez?
— Porque eu vou ficar em casa, oras. Não vou poder ir com você. Se eu não vou sair você também não devia sair com ninguém.
Eu ri, ri porque o que ele estava falando era uma coisa absurda.
— Isso não faz sentido nenhum, Alex . Desculpa, mas é claro que vou sair. Respeito seu momento com seus pais mas se você tem um momento livre então eu posso ter também.
— Gata, eu estou te pedindo com carinho. Não sai hoje, por mim.
— Eu sinto muito, meu amor. Se eu visse que sua motivação é realmente importante eu atenderia seu pedido. Mas pedir que eu não saia só porque você não vai poder ir não faz sentido para mim. É um dia entre amigas, além da Letícia não vai mais ninguém. Nenhum garoto vai, não é possível que você esteja com ciúmes de uma garota, que eu saiba não sou lésbica e nem bi.
— Como assim que você saiba, Angelique? Você tem dúvida? – Seu tom de voz preocupado me fez rir.
— Até mais, meu amor. Curte o almoço com a sua família e manda um beijo para a minha sogra que me ama.
— Angelique! Se você desligar esse telefone eu vou ficar muito p*to da vida.
Eu já tinha desligado, curti a praia com Letícia naquela tarde, só tirei os óculos para não marcar o meu rosto e graças a isso enxerguei embaçado a maior parte do dia. Letícia quase me matou por não tirar a canga e usar um maiô fechado demais, mas eu ainda estava em guerra contra o espelho.
Nas semanas seguintes Alex mudou comigo, ele estava mais impaciente e mais controlador. Um dia apareceu lá no trabalho na hora do fechamento e quis brigar quando viu que estávamos só eu e o filho de Luigi na lanchonete.
Aquilo me encheu de raiva, eu odiava passar vergonha e a cena que ele fez na frente do filho dos meus patrões tinha sido horrível, precisei me desculpar no dia seguinte.
Alexandro estava desconfiando de mim, mesmo eu tendo prometido que iríamos t*****r durante a viagem. Não entendia o motivo dele estar se comportando daquela forma. Mas na noite em que completaríamos três anos de namoro, faltando apenas duas semanas para a nossa viagem e três semanas para o natal eu descobri o motivo.
Alex tinha marcado de me levar para jantar em um lugar especial no domingo. Ele não era bom em guardar datas e por já ter marcado algo esqueceu o dia exato do nosso aniversário. Quando cheguei na casa dele com um par de tênis de marca que ele estava louco para ter, e que eu tinha trabalhado feito uma c****a para poder comprar entrei direto, estranhando a porta estar aberta.
A sala estava vazia mas eu segui para o quarto somente para me arrepender do que veria a seguir.
Jennifer, a outra atendente da lanchonete em que eu trabalhava estava cavalgando feito uma perfeita amazona em cima de Alex enquanto gemia feito uma galinha. As mãos de Alex só soltaram o quadril dela quando a caixa que eu segurava foi parar no chão. Os dois se apressaram para se cobrir com qualquer pano que tivesse por perto quando me viram.
Eu não sabia se vomitava na cara deles ou se usava a caneta na minha bolsa para furá-los. Eu juro que se a faca cega de Ahren estivesse ali ele iria virar um maldito eunuco! Fiz o que eu devia ter feito com Alex há muito tempo, me virei e saí, o sem vergonha ainda veio atrás de mim mesmo sem roupa, com aquela b***a branquela balançando pela casa.
O olhei da cabeça aos pés com ódio.
— Vejo que não perdi nada de extraordinário, não ia conseguir nada satisfatório com isso aí. – Apontei o p*u dele.
Tive meu braço puxado quando tentei sair.
— Gata, espera aí. Eu sei que você está brava e com razão, mas não vai embora assim, deixa eu explicar o que aconteceu.
— Você estava f*dendo a minha colega de trabalho, não precisa explicar o que aconteceu, Alexandro!
— Não, pera aí. Não me chama assim, gata, eu estava desesperado e essa seca que você me deixou...
— ENTÃO AGORA A CULPA É MINHA?! – Usei a bolsa para bater nele.
— Não é isso, Angelique! – Eu me soltei e saí dali o mais rápido possível.
Alex só não me seguiu porque estava sem roupa. Eu chamei um carro em um aplicativo, enquanto meu sangue se manteve quente pelo ódio tudo que senti foi vontade de matá-lo. Jennifer era uma v*dia, ela sabia que Alex era meu namorado, mas ela não me devia nada, nem éramos amigos. Alexandro era o maior filho da p*ta dessa história toda.
Fiquei ali até o carro que chamei por aplicativo chegar.
Depois de entrar no carro e de passar dez minutos olhando a janela no trajeto para casa eu vi um casal feliz na rua e aí a minha ficha caiu. Estava acabado, não tinha a menor chance de voltarmos então me permiti chorar. Além do meu irmão Alex era a única pessoa que eu tinha, eu o considerava família.
Naqueles três anos passamos cada data comemorativa juntos, eu não tinha ninguém além de Ahren, então Alexandro foi meu amigo, meu confidente, a pessoa com quem eu desabafava quando não queria preocupar Ahren e o homem que eu amava. Além de ter me trocado, ainda teve a coragem de me dizer que era por conta de estar na seca?
Nem mesmo minha promessa de que iríamos finalmente nos relacionar intimamente o impediu de me trair, e agora eu estava feliz por não ter cedido porque mesmo que eu me entregasse em algum momento ele iria me trair.
Depois de pagar o motorista eu saí do carro, ao entrar em casa não pensei em mais nada e para o meu azar Ahren estava na cozinha, não tinha ido trabalhar hoje.
Ele encarou meu rosto banhado em lágrimas e fez o que sempre fazia de melhor, me abraçar e me fazer sentir melhor.