Elena A luz suave que entra pela janela do quarto é a primeira coisa que vejo ao acordar naquela manhã. Pela primeira vez em muitos dias, não acordo assustada, nem tremendo de medo. O lençol macio cobre meu corpo ainda dolorido, mas já mais forte. Os hematomas estão sumindo, os cortes cicatrizando. O que restou foram as lembranças — ainda vívidas, ainda sombrias — mas eu estou viva. E segura. Olho para o lado. Ricardo está deitado ao meu lado, dormindo profundamente com o braço estendido sobre minha cintura, como se temesse que eu desaparecesse de novo. Os cabelos bagunçados e a barba por fazer dão a ele um ar mais humano, menos mafioso, menos temido. Mais meu. Sorrio discretamente. Nunca pensei que fosse vê-lo assim. Tão presente. Tão vulnerável. Tão... pai. Depois do hospital, volta
Baixe digitalizando o código QR para ler incontáveis histórias gratuitamente e livros atualizados diariamente


