Dentro do prédio principal, o ar parecia mais pesado naquela manhã de segunda-feira. Mel caminhava com passos calmos e estudados pelo corredor de mármore claro, as luzes frias refletindo nos azulejos lustrados do chão. Estava cedo demais para que os corredores estivessem cheios, mas tarde o suficiente para que as câmeras já estivessem ligadas. Ela sabia exatamente onde cada uma delas estava. Estudou todos os ângulos, os pontos cegos, as zonas mortas — não por acaso. Ela era meticulosa. E hoje, mais do que nunca, precisava ser. Durante o fim de semana, o envelope repousou em sua bolsa como uma maldição silenciosa. Era leve, quase insignificante em peso, mas o conteúdo... isso sim, pesava toneladas. Cada vez que pensava nas palavras escritas ali, nas fotos, nos nomes, Mel sentia o estômago

