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738 Palavras
E tudo iria piorar… A escuridão envolvia as ruas de Roma quando a notícia se espalhou como fogo em pólvora. Dom Vittorio Di’Angelo estava morto. Aqueles que o temiam se entreolhavam em silêncio, tentando decifrar o que isso significava para o equilíbrio de poder. Seus aliados lamentavam a perda do líder temido e respeitado, enquanto seus inimigos sussurravam, divididos entre o alívio e a desconfiança. A verdade era que ninguém sabia ao certo como o outrora poderoso Dom Di’Angelo havia chegado a esse fim. Oficialmente, ele morrera de tristeza. A guerra que consumira sua família levara sua esposa, seus negócios e, pior de tudo, seu filho. Sem ninguém para reivindicar seu legado, ele simplesmente sucumbiu ao peso da própria dor. Mas, no mundo da máfia, ninguém acreditava em mortes naturais. Surgiram rumores. Alguns diziam que ele havia sido envenenado. Outros, que algum inimigo antigo finalmente encontrara um jeito de acertar as contas sem disparar uma única bala. No entanto, a teoria mais falada era que ele havia morrido porque não tinha mais por que viver. Carlos Di’Angelo estava morto. Ou assim todos diziam. Desde a noite em que fora levado às pressas da mansão, ninguém mais ouvira falar de Carlos. Nem mesmo seu nome original existia nos registros. Ele se tornara um fantasma, um segredo enterrado junto com as cinzas da guerra entre os Di’Angelo e os Portinari. Havia quem dissesse que Dom Vittorio o escondera para protegê-lo. Outros acreditavam que Carlos fora descoberto e executado antes mesmo de completar doze anos. A verdade? Ninguém sabia. O que se sabia era que, ao vasculharem os bens de Dom Vittorio, encontraram apenas propriedades abandonadas na Itália. Não havia contas bancárias, herança ou fortunas escondidas. Toda a riqueza da família simplesmente evaporara. Carlos, se estivesse vivo, não aparecera para reivindicar nada. Eva, porém, não acreditava nisso. Ela recusava-se a aceitar que Carlos havia morrido. Não importava quantos anos se passassem, quantas histórias fossem contadas sobre seu paradeiro ou quantas vezes tentassem convencê-la do contrário. Carlos prometera que voltaria. E ela ainda esperava por ele. O tempo passou e, com ele, a vida de Eva tomou um rumo que ela jamais imaginaria. A máfia havia deixado sua marca nela e em sua mãe, Sofia. Não importava que estivessem longe da mansão dos Di’Angelo; o sangue da guerra entre as famílias ainda manchava seus nomes. Foi então que a ironia do destino se fez presente. Sofia, a mulher que passara anos servindo aos Di’Angelo, se apaixonou por um m****o importante da máfia Portinari. Luca Portinari. Um homem que, apesar de pertencer ao mundo sombrio da máfia, olhava para Sofia como se ela fosse a única coisa que importava. E ela correspondeu. Contra todas as expectativas, contra tudo o que poderiam imaginar, Sofia e Luca se casaram. O choque percorreu cada canto do submundo. O burburinho começou pequeno, crescendo até se tornar um rugido abafado entre aqueles que um dia haviam jurado lealdade a Dom Vittorio. "Foi ela." "Foi Sofia quem traiu os Di’Angelo naquela noite." "Foi ela quem abriu as portas para os Portinari." As acusações se espalharam como uma peste. O raciocínio era simples: se ela se casara com um Portinari, era porque já estava envolvida com eles antes. A única explicação lógica para o ataque à mansão era que Sofia fora a responsável por facilitar a entrada dos inimigos. Eva ouvia os rumores, via os olhares desconfiados e sentia o peso da desconfiança em cada passo que dava. Mas ela sabia a verdade. Sua mãe nunca fora traidora. Mas não havia mais ninguém para cobrar explicações. Com Dom Vittorio morto e Carlos desaparecido, não restava um único Di’Angelo para exigir vingança. O sangue da família, que um dia fora tão temido, desaparecera no vento. A linhagem chegara ao fim. Ou assim acreditavam. Os anos haviam endurecido Eva. Ela não era mais a menina que um dia esperara Carlos no jardim, segurando sua mão, prometendo que ficaria ali até que ele voltasse. Mas a promessa ainda existia dentro dela. Por mais que a vida tivesse tomado rumos inesperados, por mais que o destino tivesse feito questão de levá-la a caminhos que jamais imaginara, seu coração ainda se agarrava àquela noite. Carlos não estava morto. Ela sentia isso. E se ninguém mais se importava em encontrá-lo, ela se importava. A guerra entre os Di’Angelo e os Portinari podia ter acabado, mas a história de Carlos e Eva ainda não terminara.
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