O quarto permanecia mergulhado em penumbra, mesmo quando o sol já invadia a janela com timidez. Eva estava deitada de lado, abraçada ao travesseiro, os olhos fixos no celular que repousava sobre a colcha amassada. Mais um dia havia amanhecido, e mais uma vez ela não foi à escola. Com os dedos trêmulos, ela desbloqueou a tela pela centésima vez. A imagem de fundo — uma selfie em que ela sorria ao lado de Marco,ele dirigia seu carro, ela tinha tirado a foto disfarçadamente quando voltavam para a escola — parecia zombar dela. Os olhos dela ali estavam vivos, felizes, sem nenhuma sombra. Agora, tudo era peso e dúvida. Ela deslizou os dedos até o ícone de chamada, procurou o nome de Marco e tocou. O som da discagem preencheu o quarto. Um toque, dois... Ela desligou antes do terceiro. Sentou-s

