Capítulo X

1858 Palavras
Celleney Peny. Arcaico, filho da mãe desse duquezinho do século passado. As portas são fechadas atrás de mim assim que eu entro, e o arrependimento de não ter dado uma bela de uma resposta para aquele ser vivo de cabelos ruivos, me veio com a força de um tornado. - Que canalha! - eu esbravejo, incrédula e chateada, olhando para esse quarto. Ele me chamou de sei lá, "oportunista, aproveitadora", ele está realmente sugerindo que eu sou uma – chinelo descalço, que veio tentar a sorte com a realeza. - Cafajeste. - eu murmuro, retirando esses sapatos indignada. Mal sabe ele, que perto de mim o pé-rapado é ele, e eu é quem sou a cheia de pretendentes e sou apenas “uma jovem solteira” como ele pontuou, porque eu quero. Eu decido. Eu caminho para outra porta que tem aqui dentro, buscando pelo banheiro, porque o álcool que tomei mais cedo, antes de sabe… Eu ter simplesmente viajado no tempo para o século passado. Ele quer sair. Mas assim que entrei, o meu queixo foi até aos meus pés e os meus olhos se fecharam, enquanto eu mordo os meus lábios incrédula. Socorro, Deus! - Para onde você me mandou, senhor Peny? - eu questiono-me incrédula passando o meu olhar por aqui. Ok… não é tão mau assim. - Não é mau. - eu convenço-me disso, indo até ao bidé, não vendo nenhum sinal de papel higiênico, obviamente deve ser inexistente aqui, e sim um balde com água. - Água é sempre mais higiênico. - eu falo comigo mesma, tirando a minha calcinha, realmente abrindo as minhas pernas para cada lado do bidé, eu vou fazer xixi em pé. Eu me centralizo no meio dela, flexionando minimamente os meus joelhos, e para distração do meu mini-agachamento, eu observo a banheira de ferro. Ou cobre, meio ornamentado, e no formato rectangular. Não tem chuveiro… - Céus… - eu balbucio alcançando a caneca de ferro, acartando a água do balde ao lado, me lavando em seguida. Eu me lavo e afasto-me do bidé com a minha calcinha na mão, quando vejo do lado um fio, como se fosse alavanca e supondo que isso é que irá dar descarga, eu puxo e assim acontece. Ash… Caminho até a pia, sim… graças a Deus tem uma pia, presa a parede, de porcelana, e tem sabão aqui também. Eu lavo às minhas mãos, e aproveito para lavar a minha calcinha de vez, porque para além dessa situação já ser h******l, eu não tenho roupa! Eu me recuso a ser oferecida também calcinhas de avó, ou fraldas, talvez. Eu lavo a minha calcinha, e encontro um espacinho para estende-lá. Dormir sem calcinha nunca será um problema, mas esperava eu que fosse na minha própria cama e não nesse fim do mundo. Eu volto para o quarto, sem sono algum e me sento na cama, pensando em que situação m***a eu estou. Lá fora, obviamente ainda chove. Aquela chuva não tinha mesmo cara de que ia parar tão já. - Que p***a! - eu exclamo querendo morrer, olhando para esse relógio com lágrimas nos olhos. O que eu vou fazer? Como eu vou fazer para sair daqui? Eu realmente fiquei horas assim, e não sei em que momento o sono me consumiu por inteiro, me fazendo desmaiar de cansaço na cama. ••• Eu acordo sentindo a presença de pessoas aqui, me encarando, e automaticamente eu abri os olhos assustadas, para me deparar com simplesmente. Mulheres e a Cora, com esses vestidos enormes nelas, me encarando como se eu fosse um experimento. Eu não estava sonhando. Que porcaria! E por que foi que elas entraram aqui enquanto eu estou dormindo? O meu olhar começou a ficar nítido, me deixando sentar com os olhos ainda cansados, observando-as. - Bom dia! Que bom que acordou, o que é isso? - a Cora fala e questiona com o tom de voz animada, o que já me irrita logo de manhã, e eu não sei se choro, ou se choro. As duas opções me parecem ser ótimas e únicas. O meu olhar desce para as mãos dela, para ver ao que ela se refere e eu sinto o meu rosto e peito esquentar e a minha reação instantânea foi tirar a minha calcinha de suas mãos rapidamente. Céus! - Isso se chama calcinha, vocês não usam uma? - eu questiono inconformada com tanta intromissão. - Não… - as três balbuciam, enquanto os meus olhos sonolentos passeiam pelas três, e eu reviro os meus olhos, com sono. Mas eu não estou sonhando, estou na casa… no palácio de dono, eu sou obrigada a ficar acordada independentemente do meu cansaço, não? Que vida, hein… Que vida! - Calcinha é roupa íntima. - eu falo, me sentando na cama, na força do ódio. - Não deviam tocar o que não lhes pertence. - eu digo e eu vejo a Cora, ruborizar e assentir. - Tem razão. - ela diz com as suas bochechas rosadas. - Nós nunca vimos algo parecido antes, mas não devíamos ter mexido. - eu me questiono o que elas usam. Argh, céus. - Tudo bem. - eu falo bocejando de sono. - Como se sente hoje? - ela questiona mudando de assunto e além de eu estar com dores de cabeça, e aterrorizada. Eu estou viva, eu acho. - Eu não sei… - eu balbucio levando a minha mão para o meu pulso automaticamente. - Isso quer dizer que não se recorda de nada? - ela questiona e eu suspiro. - Não, eu não me recordo. - eu afirmo e ela assente calmante. - Infelizmente. - eu concluo me levantando à contragosto. - Nós preparamos o seu banho, senhorita. - uma das moças com ela informa, e eu assinto. - Obrigada. - eu agradeço e ambas coram. - Onde estão as minhas roupas? - eu questiono, porque aquelas peças foram desenhadas exclusivamente para mim. - Os tecidos que a senhorita vestia, foram levados para a lavandaria e os seus sapatos foram limpos e guardados nos guarda-roupas. - que tipo de lavandaria? Tem forma certa de lavar aquela roupa, mas eu vou reclamar, vou questionar? Claro que não! Eu quero a minha casa… - Muito obrigada. - eu agradeço, porque no final das contas, nem de me ajudar, eles têm obrigação. - Mas o que eu irei vestir? - eu questiono, porque eu esperava ter os meus “tecidos” como ela disse, do que usar novamente uma bata de avó. - Oh, não se preocupe. Elas já prepararam também as suas roupas. - a Cora fala sorrindo, e eu a ofereço um sorriso forçado, por que é o que me sobra não é mesmo? Socorro. - Se prepare, nós aguardamo-la para o pequeno-almoço. - ela diz e eu sorrio, ela é atenciosa. - Obrigada. - eu agradeço novamente e ela assente, saindo com uma delas e a outra com ambas as mãos delicadamente cruzadas em frente a sua barriga, provavelmente na altura do seu umbigo, aguarda eu me movimentar. Eu já pedi, socorro? Eu dou um sorrisinho e ela também dá um sem graça e então caminho para a casa de banho. A banheira está cheia, e decorada, está até apelativa, do lado tem outra bacia, do mesmo material que a banheira com água também, e mais alguns utensílios, que sinceramente eu mentirei o nome, mas se parecem com um regador e chaleira ao mesmo tempo, do mesmo material, caneca, e também um banco pequeno, de madeira. - Para quê isso? - eu questiono observando o banco, porque eu não vi ontem e não entendi à utilidade disso. - Para o seu banho, senhorita. - ela me responde e eu continuo a encarando desentendida e ela cora. - Depois que sair da banheira, poderá se sentar para que eu a ajude a esfregar as suas costas. - ela explica. Hamn, tá…. - Percebi. - eu respondo assentindo. - Mas não é preciso ficar aqui me assistindo tomar banho. - eu lhe digo. - Eu conseguirei alcançar as minhas costas sozinha, não se preocupe. - eu a respondo tirando essa bata do meu corpo. Deixo a bata no banco de madeira, tirando logo em seguida essa bendita geringonça do meu pulso, para não expor ele a água. Mas ela simplesmente ficou ali parada, como uma estátua, me fazendo levantar o meu olhar para ela, a descobrindo completamente vermelha, mas vermelha mesmo, e com os seus olhos entre as minhas pernas. Se ela ia-me esfregar, é porque é normal elas verem mulher sem roupa. Ela olhava tanto, que eu também levei o meu olhar para onde ela o direcionava curiosa. - Algum problema? - eu a questiono voltando a levar o meu olhar para ela, e ela levanta. - A senhorita… - ela engole em seco vermelha. - A senhorita fez raspagem? - ela questiona nada discreta, graças a Deus. - Foi ‘laser’. - eu a respondo, percebendo que ela está se referindo a minha depilação, como se jamais tivesse uma. Depilação no caso, porque com certeza ‘laser’ não existe aqui, se nem TV eles têm. - ‘Laser’? - ela questiona curiosa enquanto eu coloco o meu dedo, para verificar a temperatura da água e está quente, para morna. O que é bom, porque não sei se é porque acordei agora, mas está meio-frio aqui. - Sim, vocês não devem ter aqui. - eu a respondo e ela assente vagamente enquanto eu adentro na banheira. - E dói? - ela questiona curiosa, mas eu acabei de ficar também. - Você nunca se depilou? - eu questiono realmente curiosa e ela cora. - Já, sim, senhorita. - ela responde. - Mas não com ‘laser’. - ela diz. - As vezes com lâminas ou abrasivos. - ela me explica e eu assinto. - Mas aparentemente o método que a senhorita usou é melhor, seria ótimo para a raspagem de casamento das princesas. - ela sugere e eu assinto. Eles são obcecados por casamentos. - Ele é ótimo, não precisarei fazer uma novamente. - eu conto levando o meu olhar para ela, enquanto deixo a água submergir o meu corpo, na sua quentura. - É mesmo? - ela questiona intrigada e eu assinto. Fim ao cabo, eu tomei o meu banho, saí da banheira para me esfregar direito sozinha. Que estranho seria alguém me dar banho?! A seguir eu despejei a água daquele instrumento em mim assim que terminei, falando mais para ela sobre essa coisa revolucionária que é, a depilação à ‘laser’, para ela. Fiz a minha higiene o**l, porque graças a Deus, aqui tem escova de dentes e pasta dental de ervas mentoladas, isso explica o sorriso magnífico de todos eles. Mas claro que os meus problemas não terminariam tão já… Cadê, o meu creme de cabelo? Não tem. Cadê, os meus perfumes e óleos importados? Adivinhem? Sem querer ser fútil, mas já sendo… Também não tem. Eu sou cacheada. Como é suposto eu viver aqui nesse fim de século? Como é que eu vou manter essa minha pele de pêssego, desse jeito? Eu não tenho certeza… mas eu já pedi socorro?!
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