Dulce Maria
Era Sexta feira e essa semana Christopher havia avisado de que minha folga seria no Sábado, por tanto amanhã eu estarei de folga. Eu havia acabado de trocar Eduardo para a escola, descia as escadas de mãos dadas com ele e Henrique estava manhoso no meu colo
Antonella – Bom dia, senhorita Dulce!
Dulce – Bom dia Antonella, dormiu bem?
Antonella – Perfeitamente! Como acordei mais cedo, já fiz o café das crianças
Dulce – Obrigada, adiantou meu serviço
Antonella – Você sempre me ajuda, porque não te ajudaria? Eu amo essas crianças
Eu sorri para ela e enquanto colocava o café deles na mesa vi Antonella tirar um cartão do bolso e apontar para mim
Antonella – Sr Christopher saiu cedo e pediu para lhe entregar esse cartão, disse que era para você sair com Henrique e ir ao shipping comprar roupas novas para as crianças
Era um cartão Black, daqueles sem limites. Eu gaguejei, comecei a soar e senti minha pressão cair só de olhar para aquele cartão perfeito que estava a minha frente, Normalmente eu sentia isso quando eu via as minhas faturas, mas com esse foi ao contrário. Guardei o cartão no bolso, agradeci e voltei a atenção para o café das crianças.
Como iria ao shopping eu logo lembrei da minha best friend Forever Anahí, não tem como ir ao shopping sem essa loira aguada ao meu lado. Olhei para o meu celular e vi que a bateria estava acabando, mas daria tempo de falar com ela, então mandei uma mensagem no WhatsApp

Fechei o celular e o coloquei para carregar um pouco, como as crianças já haviam acabado de tomar café eu tomei o meu rapidamente.
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Chegamos a escola de Eduardo na escola e estava com Henrique no colo e pensativa, pois notei que durante todo o caminho Eduardo não havia falado nada, estava quieto e ele sempre foi de tagarelar no carro.
Dulce – Chegamos, Edu!
Eduardo – Está bem – Arrumando a mochila
Dulce – Está tudo bem com você, pestinha?
Eduardo – Sim. Tia, depois você brinca comigo?
Dulce – Mas é claro!
Eduardo – Tá bom, tchau tia
Veio até mim, me dei um beijo estalado na bochecha, se despediu de Henrique também e entrou para a escola.
O dia estava lindo e como estava cedo demais e o shopping ainda estava fechado, resolvi levar Henrique ao parque. Pedi para que Jaime nos deixasse no parque próximo ao shopping.
Ele estava elétrico e sorridente, assim que chegamos ao parque brincamos no escorregador
Dulce – Yupiiiiiii! Que delícia descer de escorregador, né bebê? – Rindo
Ele olhava para mim e ria a cada vez que descíamos naquele escorregador. Eu me sentia uma criançona descendo com ele, pois sim eu descia com ele, tinha amor ao meu emprego e também não queria que o pestinha se machucasse.
Vimos o sorveteiro gritando e pontando por ali, Henrique começou a apontar para ele e gritar choroso
Dulce – Eu vou te dar sorvete mas será um segredo só nosso, está bem filhote de satanás?
Perguntei como se ele fosse me responder, chegaria o dia em que eu enfim me acostumaria com o fato de Henrique não falar ainda e aposto que seria esse mesmo dia que ele começaria a falar, só para me contrariar
Fomos até o sorveteiro, peguei uma bola de sorvete de chocolate para ele e de morango para mim.
Henrique enfiava a mão no sorvete e colocava na boca, se lambuzava todinho. Eu até tentei fazer ele usar a colherzinha que o sorveteiro tinha dado, mas não adiantou.
Terminamos nosso sorvete, limpei a boca de Henrique e quando olhei no relógio já eram 09:50, então fomos até o shopping que era exatamente em frente ao parque.
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Assim que entrei no shopping fui direto para a praça de alimentação e vi ali de longe o que não queria ter visto:
Anahí estava parecendo palhacitos, havia passado tanto pó Branco na cara que seria facilmente confundida com uma pedra cheirada por algum cracudo
Eu iria embora e depois dar a desculpa para ela de que tinha tido algum problema mas não deu certo, ela me viu de longe e veio gritando e correndo feito uma gazela louca até mim. Eu iria correr também, mas daí seriam dois animais correndo pois eu correria dela feito um coiote com o seu filhote no colo e seria bem capaz do shopping chamar a polícia ambiental pra gente.
Anahí – Dulce, que bom que chegou! – Sorridente
Dulce – Oi Annyzinha, porque tanto pó no rosto? Quer que algum cracudo te cheire?
Anahí – Não fala assim, é um pó hidratante para a pele
Dulce – Tá, mas tão branco assim?
Anahí – É que eu comprei errado
Dulce – Burra! – Rindo
Anahí – Não fala assim Dulcinha, eu choro – Faz bico
Dulce – Está bem. Bom, preciso da sua ajuda, vamos comprar roupas para as crianças e eu não sei como fazer isso
Anahí – E você fala como se eu soubesse, eu não tenho filhos, Dulce Maria
Dulce – Eu também não, mas você entende mais de roupas do que eu
Anahí – Isso é verdade
Dulce – Então, mãos a obra!
Anahí – Vamos. Mas espera – Pensativa – Como você vai pagar?
Mostrei o cartão a ela e ela quase caiu para trás.
Começamos a andar de loja em loja, Eduardo não estava como a gente mas eu já sabia o tamanho que ele usava, compramos shorts, camisetas, pijamas, calças, meias e até mesmo tênis, não estava preocupada com o preço, afinal estava com um cartão sem limites em mãos. Intercalávamos Henrique entre um colo e outro, afinal eu havia esquecido o seu carrinho. Anahí comprou algumas coisas para ela e pagou com o seu cartão, no qual eu tenho certeza de que ela pagaria a fatura somente em Agosto
A gosto de Deus
Compramos também alguns brinquedos para eles.
Estávamos no fim das compras, eram exatamente 11:30 da manhã quando passamos em frente a uma loja e vi ali, um lindo vestido vermelho que era a minha cara e podia ver ele chamar por mim, resolvi entrar na loja para perguntar o preço.
Dulce – Moça, quanto custa aquele vestido vermelho que está na vitrine?
XX – Está na promoção, era R$ 302, 00 e hoje está saindo por R$ 298,00
Dulce – R$ 4,00 de desconto e você diz que é promoção? – Questionei indignada
XX – Como ?
Dulce – Nada não. Separa ele no tamanho M para mim por favor?
XX – Está bem
Anahí – Dulce, esse vestido está bem caro, como vai pagar?
Dulce – Com o cartão do meu chefinho, ué – Dei de ombros – Depois eu vou pagar ele
Anahí – Dulce, ele vai te matar!
Dulce – Não vai não, em Julho eu pago ele
Anahí – Mas Dul, Julho já passou
Dulce – Julho de 2038, Annyzinha
Anahí – Dulce Maria você não existe! – Rindo com as mãos na barriga
Dulce – Existo sim, olha eu aqui – Apontei para mim mesma
XX – Pronto moça, aqui está o seu vestido
Dei uma última olhada dele, fui experimentar. Aquele vestido caiu perfeitamente no meu corpo, foi feito para mim com certeza.
Anahí – Ficou lindo demais, Dul ! Acho que se o Christopher te ver nele vai até esquecer que foi ele quem pagou
Dulce – Ou vai querer que eu pague de outra forma, do jeito que ele é safado
Anahi – Dulce Maria, Henrique está aqui – Arrumando Henrique em seu colo
Dulce – Eu sei, não falei nada demais meu amor.
Voltei ao trocador, tirei o vestido, me vesti novamente com a roupa em que estava e fui ao caixa, pagar por ele.
Antes de irmos embora decidimos ir comer algo na praça de alimentação e hoje seria o dia que eu agradeceria por Henrique não falar pois encheria ele de besteiras, eu que não iria levar o menino para passear e fazer ele comer legumes, não mesmo!
Anahí – Quero comer no Burger King, vamos?
Dulce – Vamos!
Fomos até o Burger King e por ser cedo estava vazio, pegamos os lanches na promoção de 2 lanches por R$ 15,00.
Achamos rapidamente uma pesa por ali e nos sentamos. Enquanto comíamos, eu ajudava Henrique a comer o lanche dele e Anahí contava sobre os últimos acontecimentos da sua relação com o meu primo Poncho, até que uma voz apareceu por ali
XX – O que está fazendo por aqui, Dulce Maria ?
Dulce – Oi peitinho de ervilha, quer dizer Janaína, você por aqui – Sorri cinicamente
Janaína – Seu patrãozinho deixou você sair?
Dulce – Não só deixou como me deu isso aqui, veja – Mostrei o cartão de longe
Janaína – Nossa, cartão black? Está saindo bem carinho as suas transas com ele, não é?
Olhei para Anahí, que me olhava de volta e estava boquiaberta
Dulce – Querida me respeita e respeita as crianças que tem no local, por favor!
Janaína – Desculpe, não vi que esse filhote de Kenga estava aqui também! Mas me conte, seu patrão tem te jantado direitinho?
Ah mas que mulherzinha abusada, quem era ela para falar comigo daquele jeito e xingar o Henrique? Eu já estava sem paciência nenhuma, peguei meu copo de refrigerante e joguei em cima dela
Janaína – AHHHHHHHHH – Gritou – Está ficando louca, sua maluca?
Dulce – Maluca eu sempre fui mesmo – Rindo – Agora cai fora
Anahí – Não Dulcinha, não mande ela embora ainda, eu tenho que dar o toque final
Sem pestanejar eu vi Anahí se levantar com um lanche em mãos, caminhar até Janaína e amassar ele todo em sua cabeça.
Anahí – Agora sim você pode ir, querida
Janaína – Isso não vai ficar assim!
Ela saiu batendo o pé e nós duas caímos na gargalhada, até mesmo Henrique ria com a gente. Ouvi o celular tocar e vi que era da escola de Eduardo, estranhei pois ainda não estava na hora de ir buscar ele então eu não estava atrasada. Atendi
XX – Alô, falo com Dulce Maria? Aqui é a Márcia, diretora da escola do Eduardo
Dulce – Sim, aconteceu algo?
Márcia – Aconteceu sim, pode vir até a escola de Eduardo? Tentei falar com o Christopher e não consegui, é urgente!
Desliguei o celular e não pensei em nada, apenas me despedi de Anahí, chamei um Uber e corri para a escola de Eduardo. Porém durante o caminho, ainda dentro do Uber eu ouvi meu celular apitar, eram notificações do w******p, ao abrir vi que Daniel havia me mandado mensagem
Depois de falar com o Dani, vi que haviam outras mensagens, dentre elas uma de um número totalmente desconhecido que logo descobri que se tratava do meu primo Pablo que me insultou e me fez algumas ameaças
Logo que bloquiei ele guardei o celular novamente, já limpando a uma lágrima que começara a escorrer pelo meu rosto, não pode ser, não pode! Mas respirei fundo e engoli seco, passei as mãos pelo rosto novamente e me concentrei a pensar em Eduardo, no que poderia ter acontecido pela funcionária dizer que era algo tão urgente.