Dulce Maria
Dulce – Anda logo seu saco de lixo de peruca!
Eu gritava na janela do carro para o carro que estava a nossa frente e que parecia que andava em marcha lenta. Estava nervosa, Antonella tentava me acalmar ao mesmo tempo que tentava acalmar Henrique.
O motorista a frente respondeu com um grande e ridículo dedo do meio.
Dulce – Vai seu....
Eu iria responder novamente, mas no mesmo tempo em que Antonella tampou a minha boca e iria me repreender o carro a frente virou em uma rua e nós seguimos reto.
Dulce – Finalmente nós nos livramos dessa lesma
Antonella – Você precisa aprender a se controlar na frente das crianças
Dulce – Me desculpe, eu estou nervosa
Antonella – Está bem, mas espero que não se repita se não terei que contar a Christopher. Não falar palavrão nas frentes das crianças são uma das principais regras impostas por Christopher.
Dulce – Vou tentar me conter mais
Peguei Henrique do colo dela, que ainda chorava bastante de dor, e aninhei no meu colo. Eduardo segurava a mãozinha do irmão e dizia para ele que tudo iria ficar bem. Agora era o nosso motorista que parecia estar devagar e eu queria voar nos cabelos dele mas não iria dar certo pois tinha um emprego a zelar e também ele é totalmente careca, então tinha cabelos a serem arrancados.
Antonella – Estou tentando ligar para o Christopher mas ele não atende
Dulce – O jogo está acontecendo ainda – Olhei para o relógio – Pelas minhas contas deve estar com aproximadamente 30 minutos do 2º tempo
Eu falava e ao mesmo tempo pensava em qual seria a reação de Christopher ao saber do acontecido, ele iria me cortar em pedacinhos e vender meus órgãos no mercado n***o, certeza.
Seguimos viagem em silêncio, falando somente coisas básicas e chegamos ao hospital 5 minutos depois.
Logo que entramos uma enfermeira apareceu na nossa frente e colocou Henrique em uma maca que estava próxima
Enfermeira – Vamos limpar esse sangue e fazer exame, assim que tivermos notícias vamos avisar vocês, peço que aguardem na sala de espera
Dulce – Mas ele vai ficar bem, não é?
Enfermeira – Aparentemente é só um corte, mas é bom fazer exames, fique tranquila, mamãe
Eu iria explicar para ela que eu não era a mãe de Henrique mas ela saiu mais rápida do que tudo, virei para trás e Antonella ria enquanto Eduardo me olhava com cara de confusão
Eduardo – Porque ela falou que você é a mamãe do Henrique?
Dulce – Ela deve ter se confundido, amorzinho
Eduardo – Ta bom, e cadê o meu papai?
Dulce – Não conseguimos falar com ele ainda, mas daqui a pouco ele deve aparecer aqui soltando fogos ou com uma pedra grande nas mãos
Eduardo – Pedra? – Faz careta
Dulce – Sim, para atacar na minha cabeça
Antonella – Eu vou faze a ficha de Henrique
Assenti e me sentei com Eduardo tagarelando ao meu lado, assim que olhei para o outro lado vi Anahí e Poncho chegando e correndo na nossa direção
Anahí – Como ele está?
Dulce – Segundo a enfermeira parece ter sido somente um corte no supercílio, mas precisam fazer exames para ter certeza
Anahí – Meu Deus – Coloca as mãos na boca
Alfonso – O que foi, amor?
Anahí – Será que ele vai precisar fazer um transplante de supercilio?
Alfonso – Minha nossa, como você consegue falar tanta besteira?
Dulce – Transplante de supercílio, Anahí ? – Respirei fundo – Transplante vai precisar você, de cérebro – Rindo
Anahí – Não ri, eu achei que dava para fazer transplante disso, sei lá – Se ajeitando na cadeira
Dulce – Bom, talvez eu precise de um transplante de órgãos, pois se tudo sair como estou pensando ainda hoje o Christopher arranca meus órgãos viva
Anahí – Agora é você quem está falando besteira, Dulce
Dulce – Anahí, o Henrique estava sob os meus cuidados e agora está em um hospital, acha mesmo que Christopher vai reagir bem?
Alfonso – Dulce o seu plano funerário ainda está ativo? Porque sabe como é né... Não vamos ter dinheiro para o seu velório e não queríamos te enterrar em uma caixa de papelão
Dulce – Vocês não vão ao meu velório porque ele com certeza vai esconder o meu corpo
Eduardo – Meu pai não vai fazer nada com você tia, eu não vou deixar – Me abraçando pela cintura
Dulce – Muito bom menino, e não conte a ninguém o que falamos aqui
Antonella voltou para próximo da gente e se sentou do outro lado de Eduardo. Os minutos iam se passando ao mesmo tempo em que vários médicos e enfermeiros passavam pela gente também, sem dar uma notícia se quer sobre Henrique
Por um milagre eu ouvi o meu celular tocar no bolso e quando vi que era Christopher eu arrependi por ter ouvido ele me ligar pela primeira vez, naquele momento
Dulce – Segura nas mãos de Deus e vai – Sussurrei para mim mesma e atendi
Dulce – Alô, oi Christopher meu patrãozinho querido, como vai?
Christopher – Oi Dulce Maria, onde vocês estão? Procurei vocês por todo estádio e não acho
Dulce – É que nós não estamos mais no estádio
Christopher – Não? E porque saíram sem me avisar?
Dulce – Você estava jogando. Antonella tentou te ligar mais deu caixa postal
Christopher – Justamente por eu estar jogando, eu não atendi – Bufou – Mas diga logo onde estão, quero ver meus filhos
Dulce – Pode ir para casa, logo vamos para lá
Christopher – Não vou para casa, diz logo onde vocês estão – Nervoso
Dulce – Ok – Respirei fundo – OHenriquecaiuenósstamoosnohospitaldocentro – Disse rapidamente
Christopher – O que? Diz mais devagar pois eu não entendi nada, quem caiu?
Dulce – Promete que não vai me demitir?
Christopher – FALA LOGO p***a! – Gritou
Dulce – O Henrique caiu da cadeira no estádio e trouxemos ele para o hospital
Christopher – Em qual hospital vocês estão?
Dulce – Centro
Christopher – Estou indo para ai agora
Ele não esperou nem eu responder e desligou, estava bem nervoso o que me deixou ainda mais nervosa. Nesse momento eu vi um paciente sair de uma sala correndo, dizendo que não iria fazer a endoscopia porque não queria nada sendo enfiado no seu bumbum. Alguns médicos corriam atrás dele e se eu não estivesse tão nervosa iria rir muito
Anahi – Esse daí vai para o manicômio depois daqui – Rindo
Dulce – Pelo visto é só assim para ter atenção dos médicos, não é? Eu vou resolver isso e vai ser agora
Não esperei ninguém responder e resolvi colocar a minha idéia em prática. Saí correndo também pelo corredor, parei somente para perguntar onde ficava a escada e segui correndo. Subi todos os andares até que, no último para a minha tristeza eu encontrei um portão velho trancado.
Dulce – Eu vou abrir a essa merda
Abri a minha bolsa e comecei a procurar por algo.
O que todos ali naquele hospital não poderia contar que alguém, assim como eu, poderia andar como uma caixa de grampos e abrir aquela porta facilmente, o que é uma falha brusca de segurança.
Segui subindo mais alguns degraus da escada, até finalmente ter acesso a cobertura do hospital. Andei até mais a frente, onde se poderia ver as pessoas, carros, ônibus, caminhões passarem pelas ruas, eu posso chutar que tinha a altura de pelo menos uns 6 andares.
Olhei para trás e vi Anahí correndo e gritando por mim, estava desesperada
Anahí – O QUE VAI FAZER, DULCE MARIA? VOLTE AQUI JÁ! – Gritando
Dulce – Não se preocupe, Annyzinha, não pretendo me matar – Rindo ironicamente
Anahí – Então porque está aqui e quase na ponta?
Dulce – Eles não dão atenção só quando alguém age como louco? Então se aproxime de mim e veja o show
Joguei minha bolsa no chão, peguei meu celular e coloquei em uma música agitada qualquer, dançando e tirando minha blusa,
Dulce – QUEM SABE COMIGO FICANDO PELADA E GRITANDO NA COBERTURA DO HOSPITAL, ELES ME DÃO ALGUMA NOTÍCIA DO HENRIQUE – GRITEI
Anahí – Dulce por favor para, vamos descer e tentar conversar novamente
Dulce – NÃO VOU DESCER, JÁ TENTEI CONVERSAR E ELES SEMPRE DIZEM QUE DEPOIS DARÃO NOTÍCIAS, EU TO CANSADA! EU QUERO VER O HENRIQUE E QUERO ZELAR PELO MEU EMPREGO, p***a – Ainda gritando
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10 minutos depois e parecia que meus gritos estavam tendo efeitos, o trânsito que se formava na rua estava caótico e haviam alguns curiosos parados na calçadas olhando em minha direção.
Eu já estava de calcinha e sutiã, Anahí tentava me convencer a parar com aquilo, mas não estava nos meus planos, só pararia quando alguém viesse me falar sobre o Henrique, o que não tinha acontecido ainda.
Anahí – Dulce, por favor vamos descer, a polícia vai vir
Dulce – Não estou nem ai, Anahí!
XX – Nem se eu disser que Henrique já está bem e está indo embora para casa ?
Olhei para trás e vi Alfonso, com o semblante de preocupado. Meu sorriso foi de orelha a orelha, ameacei sair correndo quando Anahí me parou
Anahí – Dulce Maria você não está pensando em descer lá só de calcinha e sutiã, está?
Dulce – Não seria má idéia, quem sabe assim convenceria meu chefe a não me mandar embora – Rindo
Mas eu voltei e rapidamente me troquei, peguei minha bolsa, meu celular e corri de volta para baixo. Assim que cheguei no andar juntamente com eles, pudemos ver algumas pessoas me olhando e fazendo burburinhos
Dulce – Estão olhando o que? Nunca ficaram desesperados por uma criança?
XX – Sim, mas não a ponto de fazer o que você fez, Dulce Maria!
Eu conhecia bem aquela voz rouca, olhei novamente para frente a lá estava ele, ao lado de Eduardo, Antonella e com Henrique dormindo no colo, estava com um esparadrapo no supercílio. Fui até eles em passadas grandes, mas ao tentar pegar Henrique, Christopher desviou
Christopher – Você não vai tocar no meu filho – Sério – Vamos para o carro, ao chegar vamos conversar bem sério
Ele saiu andando a nossa frente, impediu até mesmo de Eduardo falar comigo. Anahí e Poncho se despedindo dizendo que iriam pegar um Uber
Anahí – Se acalma, vai dar tudo certo
Dulce – Eu te ligo mais tarde – Me viro para o Poncho – Tchau Ponchito
Segui para o carro, já estavam todos dentro e me esperando, o caminho de volta para a casa de Christopher foi terrivelmente ensurdecedor, não ouvíamos nem mesmo a voz de Eduardo, que já estava caindo de sono. Eu queria bater a cabeça na parede e adiantar a minha morte.
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Chegamos em casa e Christopher não deixou nem mesmo eu ir ajudar Antonella a colocar as crianças na cama, disse que iria tomar banho e que gostaria de de nos ver em 20 minutos em seu escritório, onde eu já me encontrava aguardando
Antonella – Seja o que for, vou tentar te ajudar – Dizia entrando
Dulce – Eu acho que ele vai me mandar embora
Antonella – Talvez – Coloca as mãos na cintura – Mas as crianças gostam de você e isso é um ponto a seu favor
Dulce – Depois de hoje, acho que nem se o papa aparecer ele me dá mais uma chance – Engoli seco – Eu não fiz por querer
Antonella – Eu sei menina, sei que você não derrubaria Henrique da cadeira, se acalme por favor – Se sentando ao meu lado
Como prometido, 20 minutos depois Christopher já estava no escritório e se sentava em uma cadeira a minha frente
Christopher – Antonella, me diga como aconteceu isso por favor?
Dulce – Não foi culpa dela, foi minha
Christopher – Eu perguntei para ela, não para você. Quando eu perguntar para você, ai sim você pode responder
Dulce – e******o
Christopher – O que disse?
Dulce – Disse que você é e******o, Christopher! A Antonella não teve culpa de nada, eu tive
Antonella – Não se preocupe menina Dulce, eu respondo. – Respira fundo – Estávamos vendo o jogo e cuidando muito bem das crianças, senhorita Dulce torcia, gritava mas estava sempre de olho a tudo. A queda de Henrique aconteceu quando eu havia ido ao banheiro, quando voltei Dulce já estava desesperada com Henrique no colo
Christopher – E como você tem certeza de que Dulce não o empurrou?
Antonella – Menino Christopher, conheço Dulce há pouco tempo mas tenho certeza de que ela jamais faria isso, e também Eduardo me contou no hospital de que havia sido um acidente, e acidentes acontecem...
Dulce – Isso mesmo, acidentes acontecem!
Christopher – Antonella, a nossa conversa termina aqui, pode se recolher por favor, quero conversar somente com Dulce Maria agora.
Antonella – Está bem, mas pense bem no que vai fazer, as crianças já adoram a menina Dulce – Se levantando
Christopher – Boa noite Antonella
Ele a levou até a porta, fechou e voltou para próximo de mim, cruzando os braços e encostando na mesa, a minha frente
Christopher – Acidente ?- Rindo ironicamente
Dulce - Acha mesmo que eu teria coragem de jogar uma criança no chão, Christopher?
Christopher – Para quem fazia umas brincadeiras sem graça no parque, porque não acharia?
Dulce – As brincadeiras eram com você e não com eles! Você é ridículo
Christopher – Não é o que seu amigo diz que você fala sobre mim – Passando as mãos no queixo
Dulce – Pouco importa o que eu falava sobre você – Cruzo os braços – Só me diz logo, vai me demitir?
Christopher – Resolvi que não vou te demitir, porém terá que reconquistar a minha confiança
Dulce – Está bem, agora eu vou dormir
Me levantei e foi em direção a porta, mas Christopher me puxou de volta, trancou a porta e me prensou contra a parede
Christopher – A nossa conversa ainda não terminou
Dulce – Não?
Christopher – Não, e não terminará antes de eu fazer o que eu quero e que tenho certeza de que você quer também
Eu via ele me olhar com desejo e confesso que aquilo estava me chamando atenção também, mordi meus lábios e resolvi então perguntar
Dulce – E o que você quer, Christopher Uckermann?
Christopher – Isso!
Sem pestanejar Christopher me beijou com voracidade e eu dei passagem para que nossas línguas pudessem se entrelaçar. Era um beijo quente e muito gostoso. Christopher passava as mãos pela minha cintura e me pressionando ainda mais contra a parede.
Eu já estava sem ar mas nem um pouco afim de parar, afinal quem está na chuva é parar se molhar.